Artigo de opinião de Ana Maria Paulo Teixeira, licenciada em Estudos Europeus e Política Internacional pela Universidade dos Açores, sendo as suas principais áreas de estudo a Ciência Política e as Relações Internacionais.

O Brasil está a viver uma situação bastante controversa e divisionista. A população brasileira encontra-se dividida entre duas fações principais. A continuidade ou a mudança.

Presentemente, o Brasil teve duas opções em cima da mesa, a continuidade das políticas vigentes no país ou uma mudança drástica para um presidente extremista e apelidado de lunático.

Trata-se de Jair Bolsonaro, um militar na reserva, que está a colocar em alvoroço a população brasileira e a comunicação social mundial estupefacta.

Com uma personalidade bastante pragmática e sem pudores de refletir nos seus discursos políticos o seu machismo e racismo, Bolsonaro é já comparado a Donald Trump. É considerado o capítulo tropical do radicalismo de direita.

Como sabemos, a maioria dos estados sul-americanos tem democracias pouco estáveis e extremamente corruptas que, desta forma, encontram-se suscetíveis a sofrerem oscilações mais facilmente, primordialmente, devido ao facto de serem democracias recentes e não completamente enraizadas.

O Brasil, infelizmente, faz parte dessa estatística. A corrupção política é uma das maiores problemáticas do país, agregando todos os problemas sociais gravíssimos existentes, que o torna bastante instável a todos os níveis.

Apesar de toda a controvérsia e imoralidade social que o rodeia, Bolsonaro tem cada vez mais apoiantes e seguidores.

Jair Bolsonaro é considerado um político de extrema direita. Este ramo ideológico político tem ganho cada vez mais seguidores e apoiantes nas últimas décadas, em todo o mundo, algo que já se verificou na Europa e agora ganha destaque no Brasil.

A extrema direita define-se pela defesa do tradicionalismo seja este real ou imaginário, pelo patriotismo exacerbado e, por vezes, mesmo insustentável devido à interdependência entre Estados existente nos nossos dias.

Envolve um foco na tradição em oposição às políticas e costumes que são considerados como reflexo do modernismo. Um movimento que tem ganho cada vez mais força e expressão nas eleições de diversos países.

Os principais fundamentos que levam a população a escolherem este tipo de ideologias prendem-se com o descrédito no sistema político vigente e nos sistemas políticos tradicionais, existindo agravantes como, a instabilidade social, a violência e corrupção política. Neste momento, tudo isto são pontos representativos do Brasil.

Trata-se de uma ideologia de escape, em que as populações desiludidas com os sistemas políticos escolhem por cansaço das falhas da democracia, uma tentativa frustrada de salvar a democracia e voltar aos seus primórdios e valores base, prova disso são, as declarações do povo brasileiro que afirma, “(…) escolher entre corrupção e discriminação? Preferimos não ter corrupção”.

Uma completa descrença pela democracia e pelos políticos que levam a população em dois caminhos distintos. Se por um lado, escolhem colocar o seu voto em personalidades carismáticas que lhes prometem a mudança, mas sem suporte político estável e, por vezes, até um extremismo perigoso para uma democracia saudável, por outro lado, a população deixa de se interessar pela política, aumentando de forma descontrolada e irreversível a abstenção eleitoral. Ambas a hipóteses são tóxicas para as democracias e para os Estados.