Artigo de opinião da autoria do Núcleo de Estudantes de Informática da Universidade dos Açores (NESTI).

A disponibilização tardia dos horários por parte dos Serviços de Gestão Académica da Universidade dos Açores dificultou a correção de qualquer problema nos mesmos, prejudicando a vida aos alunos que utilizam transportes públicos com manhãs completamente livres e aulas tardias, estas últimas fora dos horários que já vêm a ser habituais.

A menos de uma semana do início do ano letivo 2018/2019 foram disponibilizados os horários dos vários cursos oferecidos pela Universidade dos Açores. Esta divulgação tardia não permitiu, como já era habitual, correções propostas por parte dos professores e diretores de curso.

Com isto, após constatar que os interesses dos alunos, principalmente dos dependentes de transportes públicos, não tinham sido de maneira alguma tidos em conta na construção dos horários da licenciatura de Informática – Redes e Multimédia (IRM), reunimos alterações sugeridas por todos os alunos e realizamos várias reuniões com o diretor de curso, permitindo, assim, a elaboração de um pedido de alteração de horários acompanhado de um abaixo-assinado de mais de 45 alunos e dos professores que seriam afetados pelas alterações.

Posto isto, o pedido consiste num conjunto de mudanças que alteram aulas tardias (que acabam às 20h00) para as manhãs do mesmo dia, uma vez que se encontram completamente disponíveis, ou para dias adjacentes, reduzindo o fim do dia de aulas para os alunos. Como o pedido é da maior importância, este foi enviado dia sete de setembro e mais tarde reenviado, com novas alterações e acompanhado pelo já referido abaixo-assinado, no dia 20 de setembro.

Porém, e após a espera de uma primeira resposta que seria uma consideração acerca do pedido e não a efetivação do mesmo nos termos definidos pela instituição, entramos em contacto com o Provedor do Estudante (PE) no dia um de outubro, com a expectativa de receber alguma informação acerca do processo que já se alongava. Apenas recebemos a informação de que o PE estava também à espera de uma atualização acerca da situação. Este finalmente indicou, dia 12 de outubro, que os Serviços de Gestão Académica não iriam realizar a maior parte das alterações presentes no pedido, estando, no entanto, aberta a possibilidade de antecipar as aulas tardias.

Com isto, um dia após esta resposta, dialogamos com outros colegas universitários de faculdades que não a nossa (Faculdade de Ciências e Tecnologia) e fomos surpreendido com a informação de que vários outros cursos, também com problemas nos horários, realizaram abaixo-assinados e depararam-se com professores descontentes perante a situação. Fomos informados também que todos os abaixo-assinados estão igualmente estagnados.

De facto, constata-se que o processo gerou-se devido à má estruturação dos horários e tornou-se moroso, por parte dos Serviços de Gestão Académica, mesmo após vários contactos e um abaixo-assinado dos alunos da licenciatura de IRM. Infelizmente, esta não é a primeira vez que o silêncio dos Serviços de Gestão Académica da UAç se faz sentir, uma vez que no caso de IRM, os alunos e professores frequentemente elaboram pedidos para a realização de aulas de programação e outras em salas que as suportem (com tomadas, internet e computadores).

Para além disso, no ano letivo anterior existiram também embaraços realizados no ato de matrícula por não estarem disponíveis as unidades curriculares opcionais no ano em questão e, mesmo após a tardia disponibilização, obrigaram os alunos a pagar 50€ pela alteração de matrícula, uma vez que uma unidade curricular, por alguma razão, afinal não permitia alunos de IRM.

Passadas várias semanas uma possível resolução, sugerida pelos Serviços de Gestão Académica, foi finalmente apresentada aos alunos da licenciatura.

Concluímos que apesar dos alunos serem uma grande parte do rendimento da Universidade dos Açores, situações como as descritas levam os mesmos a acreditar que as estruturas administrativas da instituição não prezam pelos interesses dos estudantes nem se mostram eficazes na resolução de problemas que estas próprias criaram.

Alguns alunos deslocados para os Açores questionam-se acerca da decisão que tomaram e os alunos em geral questionam-se relativamente à realização de aulas de programação em salas não preparadas para as mesmas, à má cobertura de rede Wireless no Campus e à morosidade na resolução de problemas nos horários. Assim sendo, coloca-se a seguinte questão: Será que os alunos têm qualquer tipo de voz na universidade após os Serviços de Gestão Académica apresentarem uma atitude de silêncio total perante uma situação urgente e da maior importância?

A melhor solução atualmente debruça-se sobre a estrutura máxima, a reitoria, que deve iniciar o diálogo com os vários representantes dos cursos afetados e, efetivamente, iniciar a resolução (tardia) de todas as alterações presentes em cada abaixo-assinado, uma vez que, como colegas de vários alunos universitários da instituição, temos a certeza de que quem está a representar o seu curso com o abaixo-assinado tomou as medidas necessárias para realizar alterações coesas e baseadas em certezas recolhidas dos diversos diálogos com colegas, professores e funcionários.