No próximo dia 29 de setembro os militantes social-democratas dos Açores irão eleger o seu próximo líder, depois de Duarte Freitas ter recuado na sua intenção de se recandidatar, consequência da apresentação pública da candidatura de Pedro Nascimento Cabral.

Alexandre Gaudêncio aparece depois, preconizando uma candidatura de emergência. Os chamados “tachistas” ou, numa definição mais refinada, os carreiristas partidários, liderados então por Duarte Freitas – ele próprio carreirista há mais de 20 anos (saltando de parlamento em parlamento) – viram na candidatura de Nascimento Cabral uma ameaça aos seus lugares. Isto porque logo no seu discurso inicial, Pedro Nascimento Cabral discursou contra esta estirpe que vem apodrecendo a laranja social-democrata dos Açores.

A meu entender, são eles nomes como: António Marinho, Bruno Belo, Duarte Freitas, Luís Maurício, no Parlamento Regional, António Ventura e Berta Cabral, na Assembleia da República, Flávio Soares, Eunice Sousa e os fantasmas Daniel Pavão e Cláudio Almeida, na JSD, aliás todos eles apoiantes de Gaudêncio, comprovando, assim, o exposto em epígrafe. Ou a nível autárquico, como Pedro Furtado em Ponta Delgada ou a Sabrina Furtado em Vila Franca, que já foi para Assembleia Regional para se preparar para fazer a ponte no Parlamento, caso Alexandre Gaudêncio vença as eleições.

Quanto aos TSD o líder ainda não se pronunciou, mas a mim parece-me que anda a piscar olho a ambos os candidatos, para ver se é desta que deixa a Domingos Rebelo. Mas pior do que ele, foi mesmo Bolieiro que se revelou um político sem caráter, atraiçoando Pedro Nascimento Cabral, tendo dado o “dito por não dito”. Aliás, Bolieiro é um flop, tal como Gaudêncio, mas perfumado com colónia para garantir um ar mais chique. Arrisca-se a ficar sem a Câmara Municipal de Ponta Delgada nas próximas eleições.

Nascimento Cabral apresenta-se a eleições com um projeto político e Gaudêncio com um sorriso, um beijo e um abraço. De um lado, apontam-se problemas da Região, mas também não se apresentam grandes soluções. Do outro lado, exibe-se pelas paredes das sedes um powerpoint, com um projeto mais virado para a estrutura, apenas com três propostas: Academia de Poder local, Gabinete de Apoio ao Militante e Mulheres Social-democratas. Quem observa as candidaturas pelos projetos, pensa que um é já líder da oposição e outro candidato à JSD ou a uma Associação de Estudantes.

Nascimento Cabral quer que as bases escolham os seus deputados, e eu concordo. Quer, ainda, apresentar uma Moção de Censura ao Governo. Arriscado para quem ainda não sabe se terá o apoio do grupo parlamentar. Vê a evolução dos Açores para um Estado Federado, mas ainda terá que nos explicar melhor isto.

Defende um Círculo Eleitoral para os Açores nas Eleições Europeias (aliás, como Paulo Estevão já vem a defender desde 2000) e não quer mais independentes nas listas do partido. Ora, este é um ponto sensível: a sua mandatária regional é a Deputada Europeia Sofia Ribeiro, candidata independente, que se tornou militante depois de ser eleita.

Claro que o leitor que me lê dirá que é fácil ser-se militante a ganhar 15 mil euros por mês, graças ao partido. Difícil são os nossos militantes de base mais humildes, agricultores e pescadores, que erguem a bandeira ao ar e a mão ao peito, gritando alto “Paz, Pão, Povo e Liberdade”, distribuindo panfletos e colando cartazes e que, muitas vezes, são censurados a nível local por isso. Mas eu diria que o leitor está a ser mauzinho e eles dirão que está a ser “populista” ou “demagógico”, usando o terminologia que eles gostam de utilizar, a não ser que seja o deputado Jaime Vieira que certamente não saberá pronunciar estas palavras.

Talvez nem seja necessário referir, também, que a Sofia foi um dos rostos de uma das cinco derrotas que tanto apontamos (e com razão e legitimidade) a Duarte Freitas.

Mas do outro lado, está Espanha: de onde se diz que “nem bom vento, nem bom casamento”. Apesar de algumas das propostas apontadas pelo candidato Pedro Nascimento Cabral serem suscetíveis de uma análise mais aprofundada, pela existência de certa incoerência em algumas delas, a verdade é que de Alexandre Gaudêncio nenhuma proposta ou preocupação. Será que está a seguir a máxima de “boca calada faz boa sopa”? Ou pretende ser o Marcelo dos Açores, numa versão muito mais rasca e sem fundamentação intelectual? Teremos aqui o candidato que, pela simpatia, pelo sorriso, pela lágrima fácil, pelo toque ou pelo abraço, pelo balde de tinta ou pelo saco de cimento, pelo rendimento social de inserção ou pelo favorecimento, pretende lá chegar? Acho que é mais por aí.

Se gostamos de criticar o Partido Socialista dos Açores, acusando Carlos César de ser o Presidente fantasma e Vasco Cordeiro o seu querubim, vamos querer agora fazer o mesmo com Gaudêncio em Presidente e Duarte Freitas na sombra?

Enfim. Um ganha no tribunal, outro ganha na rua. A diferença é que os eleitores não são juízes e, na política, na maioria das vezes, a sentença é dada pelo próprio arguido, sob interferência de um terceiro, o Sr. Caciquista. Viva o PSD? Não, assim não.

Artigo de opinião de Rúben Pacheco Correia, jovem empreendedor, escritor e estudante na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa