É uma jovem cantora e estreou-se no I Festival da Canção ‘Sol Menor’, na Praia da Vitória. Em vídeo, Joana Pacheco faz as suas próprias versões de diversas músicas comerciais, num alcance de 200 mil visualizações.

 

“Não sou cantora. Mas gosto de cantar” é assim que te defines. Como surgiu o teu gosto pela música?

“O meu gosto pela música surge aquando da participação em Festivais da Canção infantis, intitulados ‘Sol Menor’ que decorriam cá, na Praia da Vitória.

Participei, pela primeira vez, com 9 anos e foi a minha estreia a cantar a solo. Acho que esse festival foi marcante na vida de todos os concorrentes pela oportunidade que tivemos de aprender com a fantástica banda que nos acompanhava. Ter a oportunidade de pisar o palco do Auditório do Ramo Grande ao lado de músicos de excelência, ainda por cima, em tenra idade é inexplicável.

“Não sou cantora. Mas gosto de cantar” surge porque tenho noção de que para ser cantora é preciso muito mais do que cantar umas músicas aqui e acolá. Ser cantora é descobrir muito mais em nós e ser capaz de dar muito mais aos outros. É aprender primeiro para depois poder trespassar. No entanto, desde aquele momento em que pisei um palco pela primeira vez, eu soube que queria fazer música o resto da minha vida.

Cantei pela primeira vez com 9 anos e, desde então, nunca parei. Cantar faz-me sentir coisas bonitas. Sinto-me completamente ‘eu’ quando canto. Além disso, a música curou-me um cancro que tive aos 18 anos. Não foi a quimioterapia, nem a radioterapia, mas sim a música e o amor que tenho por ela”.

Como foi participar no ‘Sol Maior’?

“No ‘Sol Maior’ obtive um segundo lugar e um primeiro, em anos consecutivos. O primeiro lugar, em específico, foi muito especial porque foi no ano em que lutei contra o cancro. Concorri com a música ‘Melhor de mim’, de Mariza, e foi muito emocionante.

Na verdade, o que ganhei nesse ano não foi um troféu. Foi a oportunidade de estar viva, depois de tantos obstáculos para cantar aquele tema e sentir mais do que nunca que de facto ‘é preciso perder para depois se ganhar e mesmo sem ver, acreditar’”.

Quais os teus estilos musicais preferidos e que artistas te influenciam?

“Os meus estilos musicais preferidos são Blues, Soul e Jazz. A música ligeira/comercial também faz parte de mim.

Faço vídeos a cantar as minhas versões de várias músicas comerciais e alguns já contam com mais de 200 mil visualizações. Um deles, a minha versão de ‘Trevo’, de Anavitória e Diogo Piçarra, já tem quase meio milhão de visualizações. Sou muito grata por partilhar o que mais gosto com as pessoas e receber comentários incríveis e cheios de amor.

Relativamente a artistas, admiro muitíssimo a Jessie J, não só por ser das cantoras mais evoluídas a nível técnico da atualidade, mas também por ser uma mulher sem medo de ser ela mesma independentemente das pressões e padrões que a sociedade impõe em nós, mulheres. Identifico-me muito com ela. ‘Quando for grande’, quero ser como ela”.

Frequentas o 7º grau de música, no Curso Secundário de Canto, na Tomás de Borba. Como tem sido a experiência?

“A experiência tem sido incrível porque tenho professores e colegas fantásticos.

Tenho a agradecer muito aos professores Antero Ávila e Anabela Albuquerque que têm o dom de ver os alunos para além de meros números. Devo muito a eles o incentivo e a motivação para procurar o meu caminho. Sem dúvida que são pessoas marcantes no meu percurso.

Estou a estudar no conservatório, portanto, música clássica. No entanto, pretendo estudar canto Jazz mais tarde, na Universidade”.

Qual é o teu instrumento de eleição?

“O meu instrumento de eleição é a voz. É um instrumento muito especial. Por ser humana, vem literalmente de dentro (da alma). Cada uma com a sua essência. Toco, ou tento tocar, saxofone soprano na Filarmónica União Praiense, da qual faço parte há perto de 10 anos, com muito orgulho.

Violão e piano são instrumentos que fui tocando sozinha e só costumo tocar por casa ou numa ocasião muito pontual. Não domino nenhum dos instrumentos. Tal como não domino a voz, mas ela é-me especial de uma forma que os restantes instrumentos não são”.

Qual a tua atuação preferida? Porquê?

“Não tenho uma tocata – gosto de lhes chamar assim – preferida. Todas elas são boas e fazem-me muito feliz.
No entanto, não posso deixar de frisar aqui duas experiências que tive e que me marcaram muito.

A primeira foi um estágio de Música Antiga que fiz em Ponta Delgada, em Março, e que muito me enriqueceu tanto a nível musical, como a nível pessoal.

A segunda foi um pedido de casamento, nas Sete Cidades, no qual tive a honra de participar acompanhada por um grande amigo na Guitarra, Luís Viveiros.

Há dias que marcam a alma e a vida da gente.

Tenho a sorte de a cantar ser acompanhada pelo meu irmão na guitarra. Isso torna as nossas tocatas muito especiais porque, além de meu irmão, o Rui é o meu melhor amigo e é um músico espetacular. Saiu-me a sorte grande”.

Recordas-te de algum momento engraçado aquando de um concerto teu?

“O mais engraçado que me aconteceu até hoje foi chegar um grupo de cinco meninas, muito envergonhadas, perto de mim a pedir para tirar uma fotografia comigo.

Isso teve piada porque nunca me tinha acontecido algo semelhante e então eu é que fiquei sem jeito e sem saber como lidar com o momento.

Foi muito cómico. Importante frisar que elas eram umas queridas!”.

Pretendes vir a ter algum original?

“Relativamente à música original, o que digo sempre é que não me sinto preparada para isso. Pelo menos não para já. Só vou lançar originais quando tiver a certeza que consigo fazer algo diferente e que ainda não foi feito. Algo que contribua de facto para a música.

Se for para fazer o que já está feito, não vale o esforço.

Enquanto isso, vou fazendo as minhas versões de músicas que já existem. É a cantar música dos outros e a mudá-la, que aprendemos, definimos e descobrimos o nosso verdadeiro estilo”.

Estudas no Conservatório Regional de Angra do Heroísmo. O que pretendes seguir?

“Pretendo seguir canto futuramente. No entanto, não quero dar continuidade aos estudos em música clássica, embora, o classicismo me dê ferramentas que posso usar em todos os estilos. Pretendo estudar Jazz.

Achas que é difícil um jovem músico afirmar-se nos Açores?

“Ser-se ilhéu tem algumas limitações porque é, de facto, difícil viver apenas de tocatas cá nos Açores. No entanto, é com trabalho e dedicação que tudo se faz. Tenho a certeza que é difícil, mas não impossível”.

De momento, estás a desenvolver algum projeto a nível musical?

“O meu principal projeto, de momento, é gravar vídeos a cantar a minha versão de várias músicas e publicar no Facebook (www.facebook.com/joanafilipapacheco).

Nesse projeto conto com a ajuda crucial do meu irmão, Rui Pacheco, que trata e grava todo o som dos meus vídeos.

A nível de vídeo propriamente dito, sou eu que faço e edito com todo o amadorismo do mundo e mais algum.
É um trabalho de equipa que até hoje tem corrido muito bem.

Demos início a esses vídeos sem qualquer tipo de expectativas e sem imaginar que um dia quase meio milhão de pessoas vissem um trabalho de origem tão caseira.

Temos sido convidados para tocar em muitas freguesias cá na Terceira por causa desses mesmos vídeos. A nossa gratidão é infinita”.

Quais são as tuas expectativas futuras relativamente à música?

“Aprender, em primeiro lugar.

Os estudos na Escola Superior de Música de Lisboa são uma prioridade na minha vida. Vou tentar entrar no ano letivo 2019/2020, mas independentemente de entrar ou não, a minha prioridade continuará a ser essa.

Só posso definir novos objetivos depois de aprender o que preciso para percorrer o resto do caminho. Acho que existe muito a ideia de que a música é um dom e que não pode ou deve ser trabalhada.

A verdade é que estudar música dá-nos ferramentas e visões diferentes para toda a vida. Além do canto, interesso-me muito por harmonia e tenho muita vontade de explorar esse campo tão fundamental do Jazz”.