Créditos de imagem: JAUPA .

A MegaJovem decidiu entrevistar a jovem Eduarda Mendes que integra a direção da Associação de Jovens Açorianos Unidos pelos Açores (JAUPA). A associação visa, sobretudo, promover e lutar por melhores condições para o regresso aos Açores.

 

Eduarda, qual a tua ligação à Associação de Jovens Açorianos Unidos pelos Açores?

“Eu faço parto da direção da associação, que se formou em outubro, sendo que eu entrei em janeiro. Ainda não temos muitos cargos distinguidos porque a nossa associação vai fazer agora um ano, pelo que vamos fazer novas eleições para reestruturar as direções e os cargos associativos”.

Por que se decidiu formar esta associação?

“A associação surgiu de uma necessidade. Nós organizamos o Encontro Nacional de Estudantes Açorianos, que se realiza no Continente e já conta com duas edições. Na primeira edição deste encontro precisávamos de contribuintes.

Na altura, o grupo associou-se a um outro grupo que existia em Coimbra, o grupo de Forcados Tremores Terra. Mas não podia ser sempre assim. A junção serviu no início como desenrasque, mas sentimos a necessidade de ter uma criação nossa porque queríamos que o encontro fosse algo regular e acabamos por perceber que existia uma necessidade de fazer outro tipo de atividades.

Os encontros surgiram por interesse de alguns jovens. No entanto, no primeiro encontro nacional, em Coimbra, houve uma questão que nos chocou um pouco. Nós perguntamos ao auditório com mais de 100 pessoas quantas queriam regressar à Região, apenas dez levantaram a mão. Nesse momento, sentimos a necessidade de que poderíamos fazer algo para tentar mudar esta mentalidade e o panorama e não poderia ser só com encontros. A associação surge, exatamente, aí nessa necessidade não só logística, mas também de dar mais aos jovens açorianos que estão lá fora”.

Quais são os ideais da associação?

“Sempre o lutar pelo regresso aos Açores, mas voltar com qualidade. Visto que somos a geração mais qualificada da História, achamos que para regressarmos temos que ter uma oferta justa.

Queremos voltar com a certeza de que teremos políticas justas para o nosso regresso, que teremos ofertas justas e, acima de tudo, qualidade.

O nosso papel é garantir que existe essa qualidade, a vontade de regressar e que as políticas feitas cá são justas para uma geração que é tão globalizada se sinta bem e que fique com vontade de rejuvenescer quando olha para os Açores”.

De que forma é que tentam atingir esses objetivos?

“Somos uma associação bastante recente. Nós começámos nos Encontros Nacionais de Estudantes Açorianos, apresentando aos jovens que participaram casos de sucesso, empreendedores, empresários, políticos da Região. Divulgamos isso lá fora, para que tivessem contacto com uma realidade positiva.

Não estamos a tornar isto ‘num mar de rosas’. Sabemos, perfeitamente, o quão controverso pode ser e também apresentamos as políticas existentes, o lado ‘mais negro’, por assim dizer. Pretendemos, acima de tudo, mostrar os dois lados e que estamos a fazer por melhorar.

Na nossa Região temos tido um crescimento enorme a nível de empreendedorismo, a nível tecnológico. O nosso é objetivo é mostrar isso e, ao mesmo tempo, criar um espaço em que os jovens que pretendem ou não voltar possam ter um contacto direto com estes casos, que possam questionar, criar eles próprios os contactos para quem sabe um dia regressarem e trabalharem com as pessoas com quem nos formamos estas parcerias”.

A cinco de setembro, a associação promove um debate acerca do futuro dos jovens da Região, em Angra do Heroísmo. O que podemos esperar?

“É um debate mais direcionado às políticas existentes. Uma das questões são os programas de inserção profissional, como, por exemplo, o Estagiar L que nos garante uns meses de trabalho. Nós temos que perceber que esses programas foram formados há mais de 20 anos e que, obviamente, foram uma excelente formação. No entanto, para tudo existe um prazo de validade, existe uma necessidade de adaptar aos dias que correm e às ofertas que existem.

Há 20 anos existia uma percentagem de licenciados que, hoje em dia, duplicou, triplicou e temos que saber adaptar este tipo de ofertas.

Os nossos objetivos conseguem-se a partir da discussão e através da parte prática, por isso, é que nós neste debate vamos formar uma moção para entregar às entidades competentes. Vamos fazer uma listagem de possíveis alterações para entregar à secretaria da Educação, Juventude, dependendo daquilo que os próprios jovens decidirem. Nós organizamos o debate, mas são eles que decidem o que deve ser mudado”.

 Como caracteriza o panorama atual dos jovens na Região?

“Nós somos a geração mais qualificada, mas numa situação de elevada precariedade. Não podemos dizer que não surgem ofertas, elas surgem, agora resta-nos questionar ‘serão elas justas?’.

Muitas vezes é isso que não acontece por culpa da falta de adaptação das próprias estruturas. Sinto, também, que é uma juventude que se conseguiu adaptar a outras vertentes. Temos o setor empreendedor cada vez maior, temos jovens que conseguem aplicar o seu saber na criação de outros saberes e desenvolver projetos.”

Qual o próximo passo da associação?

“Continuar a solidificar a própria associação. Nós agora estamos numa fase de angariar sócios para conseguirmos ter um melhor contacto direto para quem está interessado no nosso trabalho. Ser sócio não requer quaisquer custos”.

Quais são as tuas expectativas futuras relativamente a esta associação?

“Achamos que a associação tem muito para dar. Esperamos que as gerações que aí vêm estejam tão interessadas quanto nós a garantir o futuro cá.

O nosso objetivo é deixar às gerações futuras um espaço para que se possam desenvolver. No fundo, estamos a lutar pelo futuro de todos aqueles que querem voltar à Região”.