Entrevista a João Paulo Ávila

O Festival da Povoação, ‘Bom c´mó milho’, está prestes a arrancar e a MegaJovem decidiu entrevistar João Paulo Ávila, presidente da direção da Associação de Juventude que organiza o evento.

 

É presidente da direção da Associação de Juventude do concelho que organiza o Festival da Povoação. Como está a decorrer a experiência?

“O mandato tem duração de três anos e eu estou no segundo ano. Está a ser uma experiência muito boa porque já fazia parte da equipa organizadora desde 2012.

É uma experiência enriquecedora e uma responsabilidade enorme colocar de pé um evento desse género. Sozinho jamais conseguiria fazer um evento desta envergadura, por isso, é que nos temos uma equipa muito vasta e muito competente nesta e noutras áreas”.

 Como é que surgiu o Festival da Povoação?

“O Festival da Povoação iniciou-se em 1994, sendo que a Associação de Juventude do Concelho da Povoação organiza o evento desde 2011.

Em 2010 houve um interregno não só desse evento, mas de outros no concelho da Povoação e a verdade é que a Associação de Juventude, que tinha sido criada há poucos anos, decidiu agarrar esse evento em colaboração com outras organizações do concelho”.

 Porquê o lema ‘Bom c´mó milho’?

“Está relacionado com a origem do concelho. A Vila da Povoação e, sobretudo, com a conjugação das Sete Lombas era considerada, há muitos anos atrás, o celeiro da terra, onde havia a maior produção de milho e de trigo.

Como queríamos associar esse evento à própria terra, recorremos ao milho, daí a nossa mascote ser uma maçaroca. Também, nesse intuito, o tema do festival já há três anos para cá são os descobrimentos porque foi por aquela Vila que desembarcaram os primeiros povoadores. Foram dois conceitos que quisemos juntar e aplicar ao evento”.

Que novidades é que reserva para a próxima edição?

“Muitas novidades. Vamos aumentar o tipo de atividades ligadas aos descobrimentos. Vamos ter muitos figurantes pelos três dias ao longo da Vila a explicar a escolha da temática.

Achamos importante explicar a quem nos visita por que é que queremos os descobrimentos associados ao festival da povoação, de modo a que fiquem a conhecer um pouco da história daquela Vila.

Este ano vamos ter mais uma novidade em termos desportivos. Para além dos tradicionais torneios de futebol e voleibol que fazemos na segunda e na terça-feira, vamos ter um torneio de polo aquático durante os três dias do evento. Já estamos a receber inscrições para tal”.

O que distingue o Festival da Povoação dos restantes?

“Tudo. Como sabe, a maior parte dos festivais de verão e de música no país são feitos fora das grandes cidades. São sempre feitos nas periferias.

Desde 1994, como Festival da Povoação, e até antes disso com a festa do Chicharro, a Povoação percebeu que esse tipo de eventos tinha um impacto enorme na economia local porque mobiliza as pessoas, faz o deslocamento das massas naquelas datas.

O que nos distingue é exatamente isso, a envolvência que se cria entre as pessoas das freguesias, sobretudo da Vila da Povoação, com quem nos visita durante a semana que antecede o evento e durante os três dias do próprio mesmo. Essa envolvência é única nos festivais de verão nos Açores”.

Qual tem sido o balanço do festival nos últimos anos?

“O balanço tem sido muito positivo. Todo o investimento feito no evento será sempre pouco para o retorno que tem para as pessoas, para as economias, para a restauração. É muito bom e as pessoas daquela zona têm aproveitado a afluência durante aqueles dias à Vila da Povoação”.

Há alguma edição que tenha adquirido destaque?

“Eu acho que todas as edições têm um pormenor ou outro que as distinguem das restantes. Gostava de destacar a edição de 2016 que nos fez ter uma distinção internacional que foi entregue por uma entidade europeia e que enfatizou a qualidade do evento.

De todos os eventos do país foram poucos os que receberam essa distinção”.

Como é que é feita a escolha de artistas para cada edição?

“Fazer um cartaz começa no dia a seguir ao encerramento de um evento [risos]. Eu costumo dizer que não há dia no ano, a não ser no Natal e mesmo assim às vezes, que nós não falamos todos do evento.

O cartaz faz-se vendo quais são os artistas que estão disponíveis naquelas datas, que se conseguem deslocar aos Açores. Eu costumo dizer que não temos o melhor cartaz do mundo, mas temos o melhor cartaz possível do mundo. A escolha depende de vários fatores, das músicas, da disponibilidade e daquilo que os festivaleiros procuram em determinada época do ano”.

O que é que nos podemos esperar da próxima edição?

“Uma festa enorme não só durante três noites, mas também durante a semana toda porque começamos com atividades desportivas logo na segunda feira

Vamos ter animações para crianças durante os três dias e ações de sensibilização que serão feitas por órgãos institucionais, nomeadamente de combate de violência no namoro e combate às dependências.

Podem esperar uma grande festa durante a semana toda. Vai ser um evento ‘Bom c´mó Milho este ano, novamente”.

Como tem sido a aderência em termos de venda de bilhetes?

“Tem sido muito boa, a primeira fase correu muito bem. Acabamos por esgotar a edição de pulseiras que tínhamos para a primeira fase.

A informação que temos tido da segunda fase de ingressos gerais tem sido muito boa. Temos também vendido para outras ilhas através do Facebook. Essa venda tem corrido bem”.

Quais são as suas expectativas para a próxima edição?

“As expectativas são muito boas. Estamos muito ansiosos que comece para ver o resultado do trabalho ao longo de todo um ano. O feedback tem sido ótimo”.