Entrevista Luís Xavier, vocalista e guitarrista da banda ‘FAT of the LAND’

 

Como é que surge o teu gosto pela música?

“A música surge bem cedo, quando na Ribeira quente se forma o grupo de folclore. Havia a necessidade de se formarem músicos para o grupo.

Fui aprender e ingressei no rancho, daí até uma banda de covers foi um abrir e fechar de olho.

Com os anos a passar, começas a criar as tuas coisas, que só tu é que gostas ou pensas que assim é ate mais alguém ouvir”.

‘FAT of the LAND’, a que se deveu a escolha dessa designação?

“Surgiu na fase embrionária da banda, em que um dos elementos sugeriu este nome.

É baseado numa expressão muito utilizada no século XVI, no Egipto, em que se vivia da gordura da terra. Gostei do nome e do seu fundamento porque aqui também já foi assim e na minha infância, a nossa subsistência vinha da terra e do mar…”

Surgiram em 2012 por tua iniciativa. Fala-me um pouco sobre a junção do grupo e da evolução do mesmo.

“Em 2011 preparei pouco mais de meia dúzia de temas, mostrei-os a uns amigos e desafiei o pessoal a criar uma banda só de originais.

E assim foi. Começamos em maio de 2012, gravamos algumas músicas, sem ter bem a noção do que se fazia – hoje percebo isso – fomos criando mais até formar um repertório para poder encarar um palco que surgiu em agosto do mesmo ano.

Desde o início muita coisa mudou, saídas e entradas de alguns elementos, o que por vezes influenciava o som e caminho da banda.

Hoje temos um som próprio e que nos carateriza, fruto da aprendizagem destes já seis anos de música”.

Recordas-te da vossa primeira atuação? Como descreves o momento?

“Sim, muito bem!

Muito nervoso. As Noites de Verão no Campo de São Francisco juntavam muitas pessoas e nós eramos desconhecidos por completo. Aparecer num palco apenas com originais não é fácil…. O concerto correu bem e, como era o primeiro, cada um de nós tinha a família toda presente, podemos dizer que foi uma receção familiar”.

Qual a tua atuação preferida? Porquê?

“Bem, é uma pergunta de difícil resposta, mas não me esqueço de um concerto em 2013 no bar TukáTulá, ainda na fase de descoberta da nossa essência, mas o público que nos recebeu ali foi incrível.

Tenho de eleger como a preferida a nossa passagem este ano pela Festa do Chicharro. Tocar num palco com as melhores condições técnicas e à nossa frente um recinto cheio, modéstia à parte conseguimos chamar a atenção, imagina esta adrenalina… no fim, demos tudo e estávamos com um bom cansaço”.

Quantas atuações já realizaram, aproximadamente, e onde?

“Em média tocamos quatro a cinco vezes por ano, não é o desejado, mas é o possível.

Contudo, podemos dizer que passamos no Festival da Povoação, Festa do Chicharro, Gala do Jornal Audiência, Ateneu Criativo, bar Paloe e vários concertos por Ribeira Grande, Ponta Delgada e passagens ao vivo pela RTP Açores”.

O vosso estilo situa-se no pop, rock/folk. Porquê esses estilos musicais?

“Nós tocamos o que nos vai surgindo na alma. Por vezes, sai um tema mais ‘agressivo’, outras um mais ligado à nossa condição de ilhéus, daí acharmos que o nosso estilo anda situado nessas áreas.

Contudo, não sabemos o que pode vir a seguir, apenas a certeza de que será em bom Português”.

Dedicam-se em exclusivo à criação de música original com base nas vivências açorianas. Que aspetos do quotidiano regional vos inspiram?

“São várias, desde os primórdios do povoamento até às mais pequenas e simples memórias que temos das nossas vidas. Há um tema, ‘Gente da terra e do mar’, que gravamos em 2014, esta canção é um resumo da nossa inspiração nas nossas raízes pois somos gente da terra e do mar”.

Como é que funciona o vosso processo criativo?

“Normalmente, eu crio em violão e escrevo as letras, depois em grupo concluímos os arranjos, onde todos têm liberdade criativa no seu instrumento, trocamos opiniões democraticamente”.

Até ao presente, quantas músicas originais apresentaram?

“No mínimo uns vinte”.

Pretende vir a gravar algum EP?

“Vamos gravando os nossos temas na nossa sala de ensaios. Para além de os compor e tocar ainda somos nós a gravá-los e produzi-los. É a parte difícil e que tivemos que aprender a fazer.

Recentemente, fui contatado por uma editora, fiquei admirado com esta situação, mas temos os pés bem assentes na terra e o nosso caminho será melhorar a qualidade sonora das nossas gravações e tranquilamente ir apresentando nas plataformas digitais”.

Que plataformas digitais?

https://www.facebook.com/FAToftheland2016/

https://www.youtube.com/channel/UCZd46cX59is1ww9QF6vaoGw

 Qual tem sido a reação do público?

“A passagem pelos grandes festivais foi um grande impulso. Desde o ano passado que temos notado que o nosso trabalho, tem chegado a mais pessoas e isso é bom.

Eu, pessoalmente, tenho recebido grande incentivo para com o projeto e mesmo na página do Facebook da banda os clicks aumentam”.

A teu ver, os Açores são uma Região propícia à afirmação musical? Porquê?

“Os Açores são o paraíso, mas para a música ainda não o são devido à nossa limitação geográfica. Contudo, ajuda se o público se for ‘aberto’ a coisas novas e música original-

Para viver da música cá num formato como o nosso é e será sempre impossível…”.

De momento estão a desenvolver algum projeto?

“Sim, estamos a terminar a gravação de um tema, que será acompanhado de um vídeo também feito por nós.

O tema chama se, ‘a bruma’ e fala de uma pessoa imaginária que chega a São Miguel e vai revelando as suas emoções e o que a ilha tem de natural para oferecer…. O vídeo será simples e nele serão usadas imagens já filmadas e que não foram para este fim, mas que encaixam na perfeição”.

  Que planos reservas para o futuro da banda?

“No o futuro continuaremos apenas a tentar melhorar as gravações, criar novos temas e esperar que surjam novas oportunidades de poder mostrar isso ao vivo”.