Dos telemóveis aos atos

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Se há uns anos atrás era apropriado afirmar «Falar é fácil! Tens de passar das palavras aos atos», agora é mais adequado constatar «Escrever é fácil! Tens de passar das resmunguices digitais aos atos». Pois é. Com os anos a passar, a preguiça e a inação ganham novas formas. No entanto, nós, jovens, não nos podemos esquecer que somos aqueles que mais usam essas formas tecnológicas e, como tal, está nas nossas mãos atribuir-lhes os usos corretos.

Atualmente, o meio mais promissor para difundir opiniões – quer sejam elas rigorosas ou não – está à distância de um clique, de uma rede social. Ora, isto leva a que suceda todo um debate – não necessariamente lógico – em torno de um assunto. Existe notoriamente um uso incorreto destas plataformas para argumentar decentemente, muitas vezes. Agora, isto acontece com os adultos (por assim dizer). E os jovens? Seguem o mesmo caminho de opiniões infundadas e de notícias falsas?

Vejamos, com os jovens, nomeadamente sub 20 ou 25 anos, nota-se uma realidade diferente: os telemóveis («smartphones») passaram ao estatuto de objeto vital, sendo, portanto, legítimo passar o dia todo de cara enfiada nestes aparelhos, com o fim de «comunicar» e bisbilhotar (eu também sou jovem, sei muito bem que um dos objetivos é bisbilhotar!). Este comportamento desconstrói as relações interpessoais, é fácil de entender quando a oralidade é transformada em emojis. Pode parecer ridículo, no entanto, aos poucos perde-se a capacidade oral (até porque emitir vocalmente abreviaturas não parece ser tarefa fácil…).

Se existe uma quebra na capacidade oral, os cidadãos do hoje e do amanhã (todos os cidadãos, portanto) não vão conseguir ter a habilidade de se coordenar em busca de um objetivo comum. É necessário, desde já, encarar a realidade ao vivo e não só através de um ecrã. Até porque com o mundo digital tudo o que foi, anteriormente, mencionado poderá apanhar na teia leitores menos instruídos, fomentando a ignorância.

É necessário ter conhecimento e analisar a realidade de forma a podermos pensar por nós mesmos, termos espírito crítico e termos uma voz ativa e reflexiva.

Não afirmo que as plataformas digitais possuem consequências negativas e pronto. Afirmo, sim, que é necessário usá-las com moderação, respeito pelos outros e tolerância. Isto para não dizer que os meios digitais são importantes plataformas de difusão movimentos humanos em prol de uma cidadania ativa: falo de manifestações, petições, sugestões… Cabe-nos dar o uso correto a tudo isto.

Desmistificando o que foi dito e respondendo às perguntas que os leitores poderão estar a matutar: E onde é que os jovens entram nisto? É preciso começar cedo? Não podem ter outros interesses?

Os jovens, não me canso de repetir, são os agentes da mudança por terem uma predisposição natural à mudança, à experiência e ao progresso – atitude que se vai perdendo com o avançar da idade. Claro que muitos jovens não estão virados para fazer política propriamente dita. Têm toda a legitimidade. Não nos podemos esquecer é que vivemos em sociedade e, como tal, cada indivíduo é um cidadão («O Homem é por natureza um animal político» – Aristóteles), tem uma palavra (ou mais se preferir) a dizer. Tod@s nós somos diferentes, contudo tod@s nós devemos trabalhar para atingir um objetivo comum: a sociedade harmoniosa – uma organização igualitária, justa, fraterna, livre e racional.

Em suma: conviver e sonhar fora dos ecrãs é muito melhor e pode fazer a diferença.

Artigo de opinião da autoria de Pedro Amaral, estudante de 16 anos e aderente do Bloco de Esquerda.

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