O Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada reabriu hoje com a exposição inaugural intitulada ‘Código Postal 9500 – Três Residentes Artistas: Beatriz Brum, João Miguel Ramos e Sara Rocha Silva’.

A exposição resulta de uma junção do diferente trabalho que é produzido pelos três artistas mencionados.

“São trabalhos completamente diferentes, não se trata de um grupo. Trata-se, sim, de três artistas que estão a desenvolver trabalhos à volta de determinadas ideias que nós podemos relacionar com questões do território. Foi um problema que me interessou, distinguir a noção de território da noção de paisagem”, frisou a Dr.ª Maria José Cavaco, responsável pelo projeto expositivo.

Acrílico e óleo sobre tela por João Miguel Ramos

O trabalho em exposição, adiantou Maria José Cavaco, está focado em conceitos que são passíveis de se aliarem à dimensão territorial. Na ocasião, a responsável pelo projeto explicou que a iniciativa surgiu com uma proposta da Sara Rocha Silva que procurou o centro, sob intuito de fazer uma exposição.

“Eu não a conhecia, nem o seu trabalho. Fiquei admirada porque apercebi-me que havia gente de cá a produzir. Vi que havia uma e depois decidi procurar e vi que havia mais gente igualmente interessante”, relembrou.

Centro Comercial M Bica – Almada por Sara Rocha Silva. Óleo sobre tela

Susana Costa, diretora regional da Cultura, esteve presente na inauguração, tendo destacado a importância da iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada por “dar uma voz pública à arte contemporânea”. A diretora regional também enfatizou a importância de uma juventude que valoriza a arte nas suas mais diversas formas de expressão. “É fundamental ter aqui este ciclo de juventude a pensar a arte, a produzir e a partilhar a arte”, admitiu.

O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, deixou uma palavra aos artistas, referindo que “nos deram o orgulho e o gosto de serem os que promovem a reabertura das instalações do Centro Municipal de Cultura”.

“É verdade que o ditado costuma dizer, e di-lo bem, ‘nós encerramos com chave de ouro’. Eu direi aqui, invertendo a situação, que estamos a abrir com chave de ouro”, afirmou. O talento jovem, na ótica do autarca, traduz-se num horizonte de esperança, “de que há um crescimento no gosto pela cultura” já em tenra idade.

O edil assegurou a disponibilidade para acolher trabalhos dos artistas nas instalações do centro. “Estão sempre de porta aberta as instalações do município para vós, e para que tantos como vós, possam apresentar trabalhos para expor”, concluiu.

Em declarações à MegaJovem, o artista João Miguel Ramos frisou estar satisfeito com o resultado final. “Acho que resultou muito bem o trabalho da coordenadora Maria José Cavaco. Nota-se uma grande diferença no espaço e houve uma boa conjugação do mesmo”, admitiu. A experiência, de acordo com o jovem, foi positiva, não obstante o desafio de ter trabalhado à distância para a exposição.

João Miguel Ramos associou a pintura à escultura em três peças que captaram a atenção do público. “Associei o balão como uma unidade vazia e acabei por utilizar a cabeça de uma estátua helénica feminina como figura da ideia e da noção de escultura. A ideia de peso está muito presente aqui, com a escultura a sobrepor-se à pintura, e noutros trabalhos”, garantiu.

Balões com Cabeça por João Miguel Ramos. Spray sobre poliuretano e ferro. Óleo e esmalte sobre gesso e borracha.

A mensagem veiculada pelo seu trabalho alia-se à história. “É sempre um pensar da nossa história e foco-me muito na bagagem da pintura tradicional, por exemplo”, disse.

Por seu turno, Beatriz Brum aproveitou para agradecer a oportunidade à Câmara Municipal de Ponta Delgada e à equipa que possibilitou a montagem da exposição e as mudanças arquitetónicas.

“As peças que tenho aqui já estavam maioritariamente feitas. Foi uma seleção feita pela Maria José Cavaco sob tema de inspiração do território, não no sentido lato de paisagem. Trata-se de levar o território a cativar a nossa imaginação”, enfatizou.

Uma das singularidades do trabalho de Beatriz Brum prende-se com o uso de acetato e spray. “Não são técnicas convencionais de pintura. É um pouco estranho, mas no bom sentido! [risos]”, concluiu. À MegaJovem, a artista optou por falar um pouco de um trabalho seu assente no recorte das lagoas da ilha de São Miguel. “É como se as víssemos de cima. É um desenho muito rápido. São imagens que já existem, não são minhas, e que eu utilizo, de forma abstrata no meu trabalho. Dou-lhes cor e profundidade”, explicitou.

A reabertura do Centro Municipal de Cultura sucedeu, assim, com uma junção de trabalhos artísticos de jovens distintos, num desafio que foi proposto pela Câmara Municipal de Ponta Delgada e aceite por Maria José Cavaco.