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“Numa altura em que é tão bom visitar os Açores, custa-me a crer que não seja bom estudar nos Açores”.

Entrevista a Marcos Bicho, atual presidente da Associação Académica da Universidade dos Açores (AAUA) desde dezembro de 2017. Antes da liderança, integrou a associação, aquando do mandato de Luís Pimentel e Rui Paiva, na qualidade de coordenador do setor cultural.

 

Por que motivos optaste por desempenhar esse cargo?

“Esta foi uma posição que tive de assumir, dado o meu histórico na instituição e o conhecimento interno necessário para gerir a AAUA no momento.

A AAUA, apesar de ter dito um ano muito ativo, continua com fortes problemas financeiros e de gestão interna, alguns deles resolvidos durante este mandato, outros que só com a continuidade conseguem ser resolvidos para fazer da AAUA a instituição forte e respeitada que era há alguns anos atrás.

Já se vê uma aproximação dos alunos completamente diferente da que tínhamos nos anos menos ativos da associação e só assim é que faz sentido, uma academia direcionada para os seus alunos e para os futuros alunos”.

Esses problemas financeiros rondam que valor e decorrem de que aspetos?

“Os problemas financeiros estão relacionados com incumprimentos contratuais e faltas de pagamentos. Em 2017 os valores transitados em dívida eram cerca de 126.000 mil euros”.

Como é que tem sido a experiência?

“Intensa… Foi um mandato muito ativo para a associação, com várias presenças e posições sociais muito vincadas, tal como tinha de ser, dados os problemas estruturais que temos na UAc e na própria associação.

No entanto, não tenho qualquer dúvida de que se fez o que tinha de ser feito. Foram decisões algumas delas complicadas de tomar, mas que contou sempre com a minha direção e respetivos coordenadores quando assim foi necessário.

Como resultado, temos uma associação académica mais forte e que os alunos identificam como sendo a sua representação. Não se consegue esta identificação fazendo apenas festas… é preciso ouvir os alunos e promover um trabalho próximo deles, lutando sempre pela defesa dos seus direitos”.

Qual é a importância da AAUA?

“A AAUA é o órgão máximo de representação dos alunos da UAc, tendo de se assumir e, para isso, necessita de expor os verdadeiros problemas dos seus alunos. Um problema de um aluno da UAc tem de ser encarado como um problema da associação e tem de ser resolvido.

A importância e responsabilidade social da associação tem de ser forte no meio em que ela se insere, tal como os estudantes da UAc têm de ter importância social no meio em que se enquadram, o que muita vez não se verifica tanto nos concelhos em que estão inseridos como na própria Região”.

De que forma é que a AAUA apoia os estudantes, defende os seus direitos e luta pelos seus interesses?

“Tal como fizemos durante o corrente mandato, agora a terminar, a associação promove um trabalho próximo dos alunos, cria condições para que seja melhor estudar na UAc e luta socialmente para que seja possível criar essas condições.

Um problema de um aluno tem de ser obrigatoriamente um problema da AAUA e, como tal, a associação tem de lutar para que estes problemas deixem de ser problemas”.

 Quais são os teus deveres enquanto representante da AAUA?

“Enquanto presidente da direção, as minhas obrigações são sempre a gestão da associação. Acho que um presidente da associação tem de ser próximo dos alunos, ouvindo os seus problemas e as suas reivindicações e promover a sua solução.

Além disso, é indispensável a responsável gestão financeira e a parte mais complicada que é, efetivamente, tomar decisões, aceitando e dando a cara pelas suas consequências, o que, por vezes, não é fácil, mas é uma obrigação de quem assume este tipo de posições”.

Desde que assumiste a presidência, que iniciativas desenvolveste?

“Além dos já habituais eventos da associação, cada vez com maior importância e relevo no panorama cultural da Região, foi desenvolvido durante este ano uma Feira de Emprego na UAc em parceria com a MOVE ONG.

Tratou-se de uma semana aberta que envolveu cerca de 200 alunos dos ensinos básicos e secundários da ilha. Promovemos mais e melhores parcerias com empresas, no âmbito do Cartão Académico dos Açores, criando melhores condições de estudo para os estudantes da UAc

Promovemos uma entrega de livros a várias Instituições Particulares de Solidariedade Social da ilha, melhoramos a comunicação da associação através de um site e de uma presença mais forte nas redes sociais.

Trouxemos, novamente, os blusões de curso para os estudantes da UAc, entre outras atividades que promovemos, sendo a mais ambiciosa a alteração estatutária, que há muito se anseia. Pois bem, hoje a AAUA tem também uma estrutura estatutária mais profunda e forte!”.

Em que é que consistiu a alteração estatutária?

Os estatutos desde a fundação nunca foram atualizados essencialmente porque apesar de toda a gente falar que estavam desatualizados e irregulares, nunca se mobilizaram a sério nem procuraram uma forma efetiva de o fazer.

Nós este ano arranjamos forma legal de o fazer que mais tarde junto de um advogado foi indicado que nem era necessário esse argumento legal, uma vez que de acordo com a lei atual os estatutos tinham de ser alterados porque estavam blindados e, como tal, eram ilegais.

Mudou muita coisa. A direção passa de sete para 15 pessoas, as eleições passam de fevereiro para outubro, estão contemplados núcleos de estudantes e secções académicas que antes não eram incluídos e estão contempladas as competências e funcionamentos internos.

No que respeita à Universidade dos Açores  que aspetos devem ser melhorados?

“A oferta da letiva tem de ser revista. É um problema antigo e que se teima em não se trabalhar na sua resolução. A promoção da UAc tem de ser revista, não basta entregar panfletos às escolas e não ir ao encontro dos alunos ou trazer os alunos e dar a conhecer a UAc.

Precisamos de uma universidade mais aberta à cidade, um acesso mais facilitado às instalações com mais portas abertas, um horário mais alargado para os alunos poderem estudar ao fim de semana.

Uma maior abertura às atividades dos alunos, para que seja possível os alunos estudarem com mais vida na UAc.

Os alunos é que fazem a universidade, mas se a universidade não estiver aberta aos alunos… é uma questão de tempo até a mesma deixar de existir.

 Foram 430 os estudantes colocados na UAc na primeira fase de acesso ao ensino superior. Da segunda fase registam-se 178 vagas por preencher. O que tem a dizer acerca destes números?

“Espectável… A promoção da UAc ganhou apenas uma variável durante o último ano letivo: a semana aberta promovida pela associação académica, tudo o resto foi apenas o que sempre foi feito.

A oferta letiva está desatualizada, a universidade está fechada em si mesma e não se promove em escala numa Futurália, por exemplo. Numa altura em que é tão bom visitar os Açores, custa-me a crer que não seja bom estudar nos Açores”.

 Em Ponta Delgada, o alojamento para estudantes é escasso. Denunciaste esta situação?

“A AAUA fez questão de expor em vários meios esta situação, para nós é lamentável a falta de interesse que Ponta Delgada tem em acolher os estudantes e o Alojamento Local (AL) é um dos grandes culpados desta falta de interesse.

Não deixa de ser lamentável que a taxação, quer seja no âmbito regional ou autárquico, ainda não tenha sofrido qualquer alteração, quando já vamos para três anos de crescimento turístico.

Ponta Delgada começa a ser só e apenas para os turistas, sendo que os habitantes não conseguem pagar as rendas que o mercado pede, muito em culpa do AL”.

 A AAUA expôs diversas situações de incumprimento do regime jurídico das instituições de ensino superior e do decreto de lei nº23/2006.  Essas situações mantêm-se?

“A situação não só se mantém, como a resposta pela UAc foi muito pouca.

Um ponto que se alterou de forma positiva, pelo menos aparente, foi o facto de a AAUA, voltar a ter espaço no pavilhão desportivo para realizar as suas atividades desportivas”.

 As eleições para a AAUA já estão a decorrer, certo?

“O período eleitoral começou no dia 16 de outubro, sendo a data prevista para as eleições a doze de novembro. Só depois disso, a associação pode dizer o que tem reservado para o futuro.

Em primeiro lugar, a AAUA ou os alunos sócios efetivos da associação terão de decidir o que querem para o futuro da mesma. Até lá muitas serão as novidades e com certeza, muitos serão os projetos propostos”.

 

Novos rumos, novas oportunidades

É natural da ilha de São Miguel, mais propriamente da freguesia de Furnas. Romeu Bairos começou por adquirir uma ligação à música por influência da avó materna e da mãe.

“A minha avó e a minha mãe sempre foram ligadas ao fado, ao folclore e à música popular portuguesa em geral e eu sempre cantei com elas em casa. O gosto pelo Jazz começou devido a uma coleção de cd’s da Readers Digest”, garantiu Romeu Bairos à MegaJovem.

A sua primeira atuação remonta ao ano de 1998, na Gala Caravela D’Ouro, que ocorreu no concelho da Povoação. “A música era a sinfonia dos animais e fiquei em primeiro lugar com o meu irmão”, relembrou o jovem.

Com seis anos, ingressou no Conservatório Regional de Ponta Delgada, onde se manteve até aos 17 anos, facto acerca do qual reforçou que “a formação é importante em qualquer área”.

Incapaz de quantificar as inúmeras atuações realizadas, o músico descreveu a sensação de estar em palco como “estar em casa”. Por vezes, as suas atuações a solo têm por base originais, como ‘Terreiro do espaço’, ‘Quantas asas tem os ventos do teu nome’, ‘Meu amigo anda sozinho’ e ‘Zé’.

Na qualidade de vocalista integra, desde 2013, a banda ‘BLIF à regional’ que é composta por Tiago Franco, na guitarra, João Freitas, na bateria, e pelo ‘Terrível’ no baixo. Na altura, “os outros membros tinham a banda ‘Rock n’covers’, procuravam outro vocalista e abordaram-me no Facebook”, explicou. Ultimamente, confessou o jovem, a banda tem atuado com menos frequência porque “a malta tem outros projetos”.

Dois anos depois, já em 2015, o jovem participou no programa ‘The Voice Portugal’, experiência da qual gostou e que lhe transmitiu um maior conhecimento acerca do funcionamento da programação televisiva.

Atualmente, é músico a tempo inteiro, o que, a seu ver, “é tão difícil como outro trabalho qualquer”. Os Açores, segundo Romeu Bairos, não são propícios à afirmação de músicos, razão pela qual deixou a ilha, há quatro anos, na busca de oportunidades em Lisboa. “Há mais concertos e mais pessoas para poder iniciar projetos. A experiência tem sido boa até agora”, adiantou, referindo-se a Lisboa.

Está para breve o lançamento do seu primeiro EP/mini-disco que foi gravado recentemente. Os pormenores serão revelados futuramente, mas considerou que “adora estar em estúdio”, sendo que as suas expectativas futuras são “fazer sempre música, gravá-la, editá-la e tocar pelo mundo inteiro”.

Future Stranger

Entrevista a Future Stranger

O artista Future Stranger tem um novo EP, um trabalho que envolve três temas, designadamente ‘Surrender’, ‘Velvet’ e ‘Soulsearching’. 

‘Younghearts’ é o teu novo EP que já está disponível em formato digital. A que se deveu a escolha do nome?

“Foi um processo engraçado porque tudo começou com a capa de um álbum que me inspirou e decidi materializar essa ideia. Antes sequer das músicas estarem em produção, estava a capa feita e o nome decidido, o que me ajudou a visualizar, por assim dizer, o EP”.

Como descreves o processo criativo deste novo trabalho?

“Foi um processo caótico por estar a ser bombardeado com ideias e ter de organizar tudo da forma que gostava mais e, ao mesmo tempo, estava a tentar produzir três temas que fossem distintos e interessantes. O grande ‘problema’ foi ter de fazer o trabalho todo sozinho. Tendo em conta que o conceito de tempo existe e é sempre limitado por vários fatores externos completamente fora do nosso controlo, torna as coisas complicadas. Dito isto, gostei imenso de trabalhar neste EP”.

Quanto tempo demorou a composição e produção do EP?

“Cerca de dois meses, on and off“.

 Que influências musicais contém este EP?

“Oiço os meus amigos a comparar o meu estilo a Depeche Mode, apesar de eu não ter a audácia de me comparar aos grandes.

Acho que tenho muito trabalho a fazer até chegar a esses níveis, mas por outro lado adoro as comparações. Existem meia dúzia de álbuns que me influenciaram imenso como o Random Access Memories dos Daft Punk (aí os Daft Punk!), alguns trabalhos dos Roosevelt, uma banda relativamente nova, mas com um estilo que gosto imenso.

Eu acabo por retirar pedaços daqui e de além e incorporo na minha música. Acho que ter um espectro diverso de preferências ajuda a expandir a mente do artista. A versatilidade é muito importante”.

Porquê a escolha de ‘Velvet’ para single de destaque?

“Achei que fosse um tema cheio de energia e calor, muito apropriado para um final de verão. Digo isto pois a letra reflete isso mesmo, um final de verão repleto de experiências, de corações jovens”.

Que mensagem pretendes transmitir nos três temas que compõem o EP?

“As mensagens são provavelmente o output do meu subconsciente, filtrado e articulado na forma de música. Acho que cada um acaba por interpretar o que ouve de forma a complementar o estado de espírito no momento ou baseado nas suas próprias experiências”.

O que distingue este teu recente trabalho dos restantes?

“Quis lançar um EP pois procurava desafiar-me a mim mesmo a nível criativo e técnico. Quis fazer coisas que nunca antes tinha feito, brincar com sabores e texturas que nunca antes tinha considerado”.

Como tem sido o feedback do público face a ‘Younghearts’?

“O feedback tem sido muito bom, muitos consideram o EP um grande passo em frente para mim e é bom ouvir isso pois foi esse mesmo o objetivo”.

 O que podemos esperar deste novo mini-disco?

“O calor do verão, corações jovens que amam perdidamente. Isto tudo com um filtro vintage em cima”.

 Quais são os teus próximos passos?

“Quero continuar a explorar coisas novas, procurar enriquecer a minha assinatura e tornar-me melhor naquilo que faço”.

https://itunes.apple.com/pt/album/younghearts-single/1434736542?l=en

Carolina Moreira, a designer açoriana

Créditos de imagem: Tiago Pereira.

Tem 27 anos, é licenciada em Ciências da Nutrição e formou-se em Design de Moda na Lisbon School of Design, em 2018. Apaixonada por moda minimalista, aliada à Natureza e ao bem-estar. Carolina Moreira lançou, recentemente, a marca de vestuário sustentável ‘LUS’. 

 

No âmbito do design quem é que te inspira?

“Inspira-me quem segue os mesmos ideais que eu e marcas e/ou designers que marquem a diferença no mercado. Um exemplo é a Ryan Roche, uma marca que tem um design extremamente simples e minimalista que eu aprecio muito. Outro exemplo é a VOZ, uma marca com um conceito e um propósito muito especiais”.

Como é que surgiu o teu gosto pelo design?

“Sempre gostei de artes e tudo o que está relacionado. Nunca explorei. Em 2015, quando comecei a desenvolver o meu antigo projeto de moda, senti uma grande necessidade de aprender mais.

Entretanto, comecei a trabalhar na área da Nutrição e a coisa ficou adormecida. Em 2017, foi quando decidi arriscar e levar adiante o meu sonho e gosto pelo design”.

A teu ver, qual é a importância do design?

“Para mim, a importância do design está, em grande peso, na comunicação. É através do design que se consegue transmitir uma ideia, um conceito, um sentir. Para mim, o design é um expressar de emoções, as quais ganham vida através da arte desenvolvida. É pura comunicação!”.

Qual a escola que frequentaste no ensino secundário e qual a área de estudos que escolheste? Porquê essa área?

“Frequentei duas escolas: Escola Secundária das Laranjeiras e Escola Antero de Quental. A área escolhida foi a de Ciências e Tecnologias pois, não sabendo ainda o que gostaria de exercer no futuro, pensava que era a área que abrangia mais opções profissionais. Foi a opção que me pareceu mais segura”.

Após o secundário enveredaste pelas Ciências da Nutrição e, posteriormente, integraste a Lisbon School of Design. Como descreves a experiência?

“Após o secundário, licenciei-me em Ciências da Nutrição e exerci a profissão durante dois anos. Só depois é que decidi seguir um sonho antigo de lançar a minha marca e, para isso, foi necessário formar-me em Design de Moda, uma vez que não tinha qualquer experiência na área.

Escolhi a Lisbon School of Design porque, na altura em que estava a pesquisar as escolas, senti que seria o local certo para me formar. Gostei dos testemunhos, das instalações e do conteúdo programático que o curso oferecia.  Foi uma experiência encantadora, a qual vivi de sorriso de orelha a orelha desde o primeiro dia. Fui muito feliz ao longo do curso, aprendi imenso”.

Terminaste o curso este ano e já apresentaste a marca de vestuário LUS. Um grande marco, certo?

“Já fui para o curso com o objetivo de lançar a LUS, por isso, fui sempre trabalhando nos dois em paralelo, juntando o útil ao agradável. Estou muito feliz por ter conseguido alcançar os meus objetivos”.

O que te inspirou no desenvolvimento da marca e da coleção?

“A Natureza, sempre. O conceito da minha marca surge após eu ter ganho consciência das consequências negativas da indústria da moda no meio ambiente. A

segunda indústria mais poluente do mundo, a seguir ao petróleo, é a indústria da moda. Sendo eu uma pessoa extremamente ligada à natureza, decidi, dentro do meu sonho, criar uma marca que respeitasse os meus ideais e que respondesse às necessidades urgentes do planeta. A mudança começa em nós, não podemos simplesmente ficar à espera que ela aconteça.

A coleção de apresentação, Délicat AW18, foi inspirada no famoso kimono japonês e na flor tulipa, cujos elementos foram transportados para as peças, respeitando o estilo minimalista que caracteriza a marca. A paleta de cores utilizada foi inspirada nos tons da natureza, sendo que foram aplicados essencialmente tons neutros”.

A que se deveu a escolha do nome da marca?

“A escolha do nome foi um desafio muito grande, uma vez que eu sou uma pessoa extremamente exigente e pretendia um nome com muitos requisitos.

Um deles era que fosse um nome pequeno, fácil de pronunciar, nas mais variadas línguas. Também tinha de transmitir a mensagem do propósito da marca. Então, comecei por pensar nas várias características que definem o meu estilo enquanto designer: leveza, autenticidade, simplicidade/minimalismo.

Daí surge LUS. Além disso, LUS, oralmente parece luz. E é! Luz é divino, é amor e partilha. Não podia ser outro nome!”.

Quanto tempo foi necessário para lançares a LUS? Fala-me um pouco sobre todo o processo de preparação da LUS.

“Eu demorei cerca de um ano para lançar a LUS. O processo começou na definição do conceito, do propósito da marca e, a partir daí, tudo o resto foi surgindo.

É um processo longo pois existem muitas etapas pelo meio. Numa fase inicial, optei por escolher os tecidos e materiais que queria usar na coleção de apresentação e, daí, começou todo o processo criativo.

Depois da coleção desenhada, mandei produzir. Entretanto, surgiu a fase em que era necessário dar nome e imagem à marca e, depois de já o ter escolhido, contratei uma grande amiga designer, a Alexandra Sousa, para me desenvolver o logótipo.

Em São Miguel, organizei a sessão fotográfica para o editorial de moda da coleção, na qual o fotógrafo Tiago Pereira e a modelo Alexandra Gouveia fizeram um excelente trabalho!

Desenvolvi as páginas das redes sociais, Facebook e Instagram, e tudo começou a acontecer. O lançamento da coleção de apresentação da LUS foi realizado num showroom, em Ponta Delgada, para que o público pudesse ter um primeiro contacto com as peças e com a marca.

Trabalhei muito ao longo deste ano e estou muito feliz com os resultados”.

O conceito base da marca assenta naslow fashion por contraponto à fast fashion. Explica-me a diferença entre esses dois conceitos e de que forma é que a slow fashion se apresenta como uma mais-valia.

“A fast fashion consiste num sistema de produção de moda atual que prioriza a produção em massa de pouca qualidade, a globalização, o apelo visual, a novidade e a dependência. Além disso, oculta os impactos ambientais causados na produção e o custo em mão-de-obra e materiais baratos.

É um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados de forma extremamente rápida, o qual contribui para uma incalculável acumulação de resíduo têxtil em aterros sanitários, diariamente, a nível mundial.

A slow fashion, pelo contrário, valoriza a durabilidade e qualidade do vestuário, sendo que o lema é: antes a menos e de melhor qualidade, que dure mais tempo, do que a mais e descartável. Valoriza, ainda, o que é local, o comércio justo, praticando preços reais que incorporam custos sociais e ecológicos e mantém a sua produção entre pequena e média escalas, de forma a evitar o desperdício e a massificação. É um sistema transparente, entre quem produz e quem consome e um dos principais objetivos é que haja um consumo mais responsável e menos impulsivo, mais consciente e amigo do ambiente.

A slow fashion surge como uma alternativa socioambiental mais sustentável no mundo da moda e, posto tudo isto, é, sem dúvida uma mais valia para todos nós optarmos por adotá-la”.

 Que características diferenciam a coleção ‘Délicat Fall 2018’?

“O design único e a qualidade do tipo de tecidos e materiais utilizados”.

 Que materiais são utilizados no fabrico das peças?

“Os materiais que a LUS utilizará no fabrico das suas peças serão sempre naturais e biológicos, amigos do ambiente e isentos de químicos prejudiciais à saúde ambiental e humana.

Na coleção Délicat, por exemplo, foram utilizados materiais como o algodão, linho e seda de bamboo”.

 Quem fabrica as peças?

“Eu desenvolvo toda a parte do design das coleções, escolha dos materiais e tudo o que está envolvido na gestão da marca.

A confeção das peças é feita por uma grande amiga, ex colega de curso, com muitos anos de experiência e um dom gigantesco. Confiei-lhe cada uma das minhas peças e não quereria que tivessem sido feitas por mais ninguém.

A Gabriela Murga é uma excelente profissional, apaixonada pelo que faz, e coloca em cada peça todo o seu coração e atenção. Eu desenho e ela torna as peças reais, tal e qual como as idealizo. Seria impossível fazer tudo sozinha.

O tempo de produção depende muito do tamanho da coleção e de outros fatores, mas, para a produção de uma coleção pequena, duas a três semanas serão suficientes”.

A coleção ‘Délicat Fall 2018’ destina-se a senhoras, mas também ponderas integrar peças para homem. Podes adiantar alguns pormenores sobre essas peças?

“Nas próximas coleções pretendo ter peças tanto para homem como para senhora, respeitando as mesmas linhas e estilo minimalista que definem a marca”.

Qual é o teu próximo passo?

“O próximo passo é continuar a lutar para que a LUS se torne cada vez mais conhecida e apoiada e, assim, dar continuidade a este projeto tão especial”.

Quais são as tuas expectativas?

“Confesso que prefiro não ter grandes expectativas. É um projeto que tem um propósito muito bonito, ao qual entrego-me de coração e alma e é nisso que eu confio. O resto há de vir”.

FAT of the LAND

Entrevista Luís Xavier, vocalista e guitarrista da banda ‘FAT of the LAND’

 

Como é que surge o teu gosto pela música?

“A música surge bem cedo, quando na Ribeira quente se forma o grupo de folclore. Havia a necessidade de se formarem músicos para o grupo.

Fui aprender e ingressei no rancho, daí até uma banda de covers foi um abrir e fechar de olho.

Com os anos a passar, começas a criar as tuas coisas, que só tu é que gostas ou pensas que assim é ate mais alguém ouvir”.

‘FAT of the LAND’, a que se deveu a escolha dessa designação?

“Surgiu na fase embrionária da banda, em que um dos elementos sugeriu este nome.

É baseado numa expressão muito utilizada no século XVI, no Egipto, em que se vivia da gordura da terra. Gostei do nome e do seu fundamento porque aqui também já foi assim e na minha infância, a nossa subsistência vinha da terra e do mar…”

Surgiram em 2012 por tua iniciativa. Fala-me um pouco sobre a junção do grupo e da evolução do mesmo.

“Em 2011 preparei pouco mais de meia dúzia de temas, mostrei-os a uns amigos e desafiei o pessoal a criar uma banda só de originais.

E assim foi. Começamos em maio de 2012, gravamos algumas músicas, sem ter bem a noção do que se fazia – hoje percebo isso – fomos criando mais até formar um repertório para poder encarar um palco que surgiu em agosto do mesmo ano.

Desde o início muita coisa mudou, saídas e entradas de alguns elementos, o que por vezes influenciava o som e caminho da banda.

Hoje temos um som próprio e que nos carateriza, fruto da aprendizagem destes já seis anos de música”.

Recordas-te da vossa primeira atuação? Como descreves o momento?

“Sim, muito bem!

Muito nervoso. As Noites de Verão no Campo de São Francisco juntavam muitas pessoas e nós eramos desconhecidos por completo. Aparecer num palco apenas com originais não é fácil…. O concerto correu bem e, como era o primeiro, cada um de nós tinha a família toda presente, podemos dizer que foi uma receção familiar”.

Qual a tua atuação preferida? Porquê?

“Bem, é uma pergunta de difícil resposta, mas não me esqueço de um concerto em 2013 no bar TukáTulá, ainda na fase de descoberta da nossa essência, mas o público que nos recebeu ali foi incrível.

Tenho de eleger como a preferida a nossa passagem este ano pela Festa do Chicharro. Tocar num palco com as melhores condições técnicas e à nossa frente um recinto cheio, modéstia à parte conseguimos chamar a atenção, imagina esta adrenalina… no fim, demos tudo e estávamos com um bom cansaço”.

Quantas atuações já realizaram, aproximadamente, e onde?

“Em média tocamos quatro a cinco vezes por ano, não é o desejado, mas é o possível.

Contudo, podemos dizer que passamos no Festival da Povoação, Festa do Chicharro, Gala do Jornal Audiência, Ateneu Criativo, bar Paloe e vários concertos por Ribeira Grande, Ponta Delgada e passagens ao vivo pela RTP Açores”.

O vosso estilo situa-se no pop, rock/folk. Porquê esses estilos musicais?

“Nós tocamos o que nos vai surgindo na alma. Por vezes, sai um tema mais ‘agressivo’, outras um mais ligado à nossa condição de ilhéus, daí acharmos que o nosso estilo anda situado nessas áreas.

Contudo, não sabemos o que pode vir a seguir, apenas a certeza de que será em bom Português”.

Dedicam-se em exclusivo à criação de música original com base nas vivências açorianas. Que aspetos do quotidiano regional vos inspiram?

“São várias, desde os primórdios do povoamento até às mais pequenas e simples memórias que temos das nossas vidas. Há um tema, ‘Gente da terra e do mar’, que gravamos em 2014, esta canção é um resumo da nossa inspiração nas nossas raízes pois somos gente da terra e do mar”.

Como é que funciona o vosso processo criativo?

“Normalmente, eu crio em violão e escrevo as letras, depois em grupo concluímos os arranjos, onde todos têm liberdade criativa no seu instrumento, trocamos opiniões democraticamente”.

Até ao presente, quantas músicas originais apresentaram?

“No mínimo uns vinte”.

Pretende vir a gravar algum EP?

“Vamos gravando os nossos temas na nossa sala de ensaios. Para além de os compor e tocar ainda somos nós a gravá-los e produzi-los. É a parte difícil e que tivemos que aprender a fazer.

Recentemente, fui contatado por uma editora, fiquei admirado com esta situação, mas temos os pés bem assentes na terra e o nosso caminho será melhorar a qualidade sonora das nossas gravações e tranquilamente ir apresentando nas plataformas digitais”.

Que plataformas digitais?

https://www.facebook.com/FAToftheland2016/

https://www.youtube.com/channel/UCZd46cX59is1ww9QF6vaoGw

 Qual tem sido a reação do público?

“A passagem pelos grandes festivais foi um grande impulso. Desde o ano passado que temos notado que o nosso trabalho, tem chegado a mais pessoas e isso é bom.

Eu, pessoalmente, tenho recebido grande incentivo para com o projeto e mesmo na página do Facebook da banda os clicks aumentam”.

A teu ver, os Açores são uma Região propícia à afirmação musical? Porquê?

“Os Açores são o paraíso, mas para a música ainda não o são devido à nossa limitação geográfica. Contudo, ajuda se o público se for ‘aberto’ a coisas novas e música original-

Para viver da música cá num formato como o nosso é e será sempre impossível…”.

De momento estão a desenvolver algum projeto?

“Sim, estamos a terminar a gravação de um tema, que será acompanhado de um vídeo também feito por nós.

O tema chama se, ‘a bruma’ e fala de uma pessoa imaginária que chega a São Miguel e vai revelando as suas emoções e o que a ilha tem de natural para oferecer…. O vídeo será simples e nele serão usadas imagens já filmadas e que não foram para este fim, mas que encaixam na perfeição”.

  Que planos reservas para o futuro da banda?

“No o futuro continuaremos apenas a tentar melhorar as gravações, criar novos temas e esperar que surjam novas oportunidades de poder mostrar isso ao vivo”.

BRUMA Project

Entrevista a Sara Miguel, vocalista dos ‘BRUMA Project
Um grupo com sete membros das mais variadas influências artísticas. São os ‘BRUMA Project‘. Preparam-se para lançar o primeiro disco e viajar pelas ilhas numa tour de grande dinamismo musical.

São sete membros e estão juntos há três anos. Como se conheceram e decidiram formar o ‘BRUMA Project’?

“A génese deste grupo é muito sui generis, diferente do que acontece mais frequentemente. O BRUMA Project nasceu de uma vontade minha de revisitar o património musical açoriano, usando uma nova fórmula. Queria pegar nos temas tradicionais e nos temas de autor e misturá-los com outras linguagens e outras influências estilísticas, trazendo-os para um patamar mais próximo de uma grande faixa de público que não o conhece ou ouve frequentemente.

Para isso, decidi juntar músicos que fui conhecendo em vários locais, geográfica e musicalmente. Muitos nunca se tinham visto ou tocando juntos e trouxe-os à Terceira especificamente para conceber e gravar o disco.

Na verdade, os músicos foram-se conhecendo pessoalmente ao mesmo tempo que se iam conhecendo musicalmente e, ao mesmo tempo, nascia a música dos BRUMA.

O que distingue este grupo dos demais? Que lugar tem nele a improvisação?

“Este grupo distingue-se por vários motivos. Por ser um grupo que junta músicos de proveniências musicais muito variadas e com experiências artísticas muito diferentes. Por estar geograficamente disperso. com músicos do continente e de várias ilhas açorianas e se ir juntar apenas nos momentos de concerto ou gravação. Por ser composto de músicos fortemente ligados à tradição da música improvisada, o que faz com que a música seja muito dinâmica, muito surpreendente até para nós próprios, muito orgânica e muito criativa.

Há momentos de solos improvisados em cada tema e nota-se uma comunicação e proximidade constantes entre os músicos e nas escolhas que fazem ao tocar”.

A que se deveu a aposta no jazz, na música tradicional e internacional?

“A minha formação académica foi feita no jazz e achei que era uma ‘casa’ que podia trazer ao grupo muitas possibilidades, sobretudo porque os músicos ligados ao estilo são normalmente muito criativos e abertos a procurar possibilidades, sonoridades e fusão de linguagens.

Achei que explorar as potencialidades das melodias e dos poemas das canções açorianas com liberdade para experimentar harmonicamente e a nível da forma ia necessariamente levar-nos a um lugar novo e muito interessante de descobrir”.

‘Bruma’ remete-nos para os Açores. Tentam promover as ilhas através da música?

“Na minha experiência, nunca é fácil escolher um nome para um projeto porque temos de o definir em poucas palavras e é algo que se torna definitivo. Neste caso, acabou por surgir esta ideia da bruma como algo característico da imagem que associamos ao arquipélago, mas que também traduz esta qualidade mutável e de fusão da nossa música, que não é facilmente catalogável, ficando quase entre um mundo e o outro.

O meu grande objetivo é criar um produto musical que represente as ilhas, mas também ilustre o que as mesmas podem beber do mundo artisticamente, transportando-se depois para esse mundo através de performances um pouco por todo o lado”.

Preparam-se para lançar o primeiro disco. Que temáticas abordam?

O disco junta 11 temas, quer tradicionais, quer de autores açorianos como Zeca Medeiros, Luís Alberto Bettencourt, Aníbal Raposo e Bruno Walter Ferreira.

O mais difícil foi escolher os temas para gravar porque a música açoriana é um universo tão grande e com obras tão incríveis que é um trabalho praticamente impossível selecionar apenas alguns.

Mas houve duas coletâneas que nos inspiraram bastante, a ‘7 Anos de Música’ e a ’25 Anos de Música Original nos Açores”. Sem dúvida, conduziram a algumas das escolhas, por vezes, até pelo exercício criativo de pegar num tema ou numa versão e fazer algo oposto.

Acabámos por nos libertar da pressão de ser representativos e fomos simplesmente trabalhando nos arranjos e escolhendo os resultados que nos pareciam mais ‘felizes’. Houve temas que adorávamos, mas que no grupo não resultaram e, por isso, ficaram de lado.

Esperamos ter oportunidade de gravar outro álbum mais à frente com as mesmas premissas e em que possamos explorar mais temas e mais autores”.

Que mensagem pretendem transmitir com single?

“O single que estamos a lançar agora é o tema tradicional ‘O Sol’, cuja gravação de referência foi cantada pelo José da Lata, um terceirense.

É um dos temas em que fomos por um caminho totalmente oposto. A versão de José da Lata e todas as versões que conheço são tocadas em tempos lentos e com ambientes mais nostálgicos.

Curiosamente, na nossa exploração do tema fomos por um caminho mais up-tempo, muito groovy e com mais luz, que era o que o tema nos sugeria de alguma forma.

É um dos temas mais fortes do álbum, na minha opinião, uma canção que traz um calor na pele e uma inquietação nos pés, um tapete mágico que nos leva a viajar. É isso que gostaríamos que as pessoas sentissem ao ouvir”.

O projeto está de novo a fervilhar com a gravação do segundo vídeo-clip. O que podemos esperar da gravação?

“O videoclip para ‘O Sol’ foi filmado no Farol das Contendas, pelo Edmundo Díaz, com o apoio da capitania, dos faroleiros e a ajuda de uma pequena equipa de ‘amigos/assistentes multifunções’.

Surgiu-me, logo no início, a ideia de usar o farol como uma representação da luz do sol e depois o Edmundo conceptualizou o videoclip e foi reunindo elementos ligados à estrutura do farol, à luz, à sombra, ao mar, à navegação, à bruma, à noite e ao dia.

Será um videoclip muito diferente, pessoal, que serve a música não tanto pela história, mas pelas sensações e ambientes que as imagens podem provocar ao espectador”.

Com o lançamento do disco vem a tour açoriana. Como te sentes perante essa nova etapa?

“Honestamente, sinto-me muito feliz e realizada por termos chegado até aqui! Foi um período longo desde o início do planeamento no final de 2015 até ao lançamento em 2018.

É difícil por estar a fazer tudo sem o apoio de uma editora ou de uma equipa de produção. Tive de esperar mais tempo do que gostaria para reunir todos os elementos necessários à edição de autor e à realização da tour, mas acabou por ser um bom processo de aprendizagem e o resultado final vai saber ainda melhor por ser fruto do meu esforço e de uma crença no projeto que eu alimentei desde o início. Obviamente, tenho muito a agradecer ao Roberto Rosa, o meu companheiro em muitas partes da viagem, e a todas as entidades públicas e privadas que apoiaram e apoiarão as diferentes fases do projeto e sem as quais não seria possível finalizar o disco e realizar a tour.

Os músicos estão também muito entusiasmados por enfim poderem tocar o disco ao vivo pois ainda não tivemos essa estreia em palco todos juntos! Vamos começar a tour na Terceira com o concerto de lançamento do disco no Centro Cultural e de Congressos, em Angra do Heroísmo, no dia dois de novembro.

Depois seguiremos para São Miguel para tocar no dia três no Coliseu Micaelense, numa coprodução com o Lava Jazz. No dia nove estaremos nas Velas, em São Jorge, no Auditório Municipal.

No dia dez tocaremos no Auditório Municipal da Madalena e no dia 11 encerraremos a tour na Horta, no Teatro Faialense.

Terei a sorte e o privilégio de ser acompanhada em palco pelo Roberto Rosa, pelo Luís Senra, pelo Mike Ross, pelo Gonçalo Moreira, pelo Mário Costa e pelo Zeca Sousa e teremos também convidados especiais em cada concerto”.

Que expectativas futuras reserva para o ‘BRUMA Project’?

“Espero que este disco e esta tour sejam um trampolim para levar o projeto a várias salas e festivais no continente português e a outros países.

Transportar a nossa visão da música e da cultura açorianas o mais longe possível sempre foi o meu objetivo e é nesse sentido que vou trabalhar a seguir, provando que há produtos artísticos de muito valor a nascer do arquipélago”.

 

DJ Tójó

É DJ e a maioria conhece-o por ‘Tójó’. Atuou, pela primeira vez, na Escola Secundária da Ribeira Grande e, desde aí, tem vindo a evoluir. Drum and Bass, Trap Music e Hip hop são os seus géneros musicais de eleição.

 

Porquê o apelido ‘Tójó’?

“Por mais incrível que pareça, Tójó foi apenas daquelas brincadeiras de adolescentes que se tornou viral.

Há quem me conheça por Tójó e nem saiba o meu primeiro nome. Entretanto, assim me fui apresentado, criei historias com esse nome e quis manter e criar mais memórias através dele enquanto DJ”.

Como é que surgiu o teu gosto pela música eletrónica?

“O gosto pela simples música já vem desde criança. Para qualquer sítio que ia, a música acompanhava-me, desde o leitor de cassetes, ao discman e aos mp3’s.

A curiosidade de como se criavam os sons que mais gostava de ouvir foi surgindo até vir a ambição de aprender, criar e mostrar do que era capaz”.

Onde atuaste pela primeira vez? Como foi essa experiência?

“Na Escola Secundária da Ribeira Grande. Foi a minha primeira atuação. Bastante pequena até, mas nunca me senti tão realizado. Finalmente estava a mostrar o que era capaz de fazer com a música e apenas uma mesa de mistura.

Foi a melhor adrenalina e melhores ‘nervos’ da minha vida. Hoje em dia, ainda é assim em cada atuação”.

Há alguma atuação que tenha sido especial para ti? Porquê?

“O Project X foi muito importante, praticamente lançou-me como artista e DJ que sou hoje. No entanto, através do Monte Verde Festival ganhei uma confiança em mim próprio e no meu trabalho que nunca tinha conseguido antes, projetando a minha carreira de uma forma muito mais vasta. Obrigado a ambos.

Não posso deixar de referir que todos os projetos/eventos anteriores e posteriores tiveram, de alguma forma, uma grande importância na minha vida como artista”.

De que forma evoluíste nessa área musical?

“Mente aberta é essencial. Não me posso cingir apenas ao que gosto, tento ouvir de tudo, de vários outros DJ’s e aprender, melhorar, criar através da variada cultura que a música nos fornece”.

Que artistas te influenciam?

“Essas influências têm vindo a mudar desde há alguns anos. Os meus géneros musicais também foram mudando e, com eles, fui tendo um olhar diferente sobre cada artista.

Mesmo assim, posso dizer que tenho DJ Craze e ESKEI83 como referências internacionais e Overule, DJ Ride, Strereossauro e muitos mais DJ’s nacionais, os quais admiro bastante e tenho-os como grandes referências, uma vez que acho importante realçarmos as nossas raízes”.

Quais os principais estilos musicais e porquê?

“Tenho como preferências o Drum and Bass, Trap Music e Hip hop em geral. Fui me identificando mais com esses géneros ao longo do tempo, criei um gosto enorme em trabalhá-los.

À medida que fui mostrando o meu trabalho, deparei-me com o facto de que não era o único que me identificava, o público tornou-se um companheiro em cada atuação.

Gosto sempre de acrescentar um pequeno improviso em cada atuação, algo mais fora da minha zona de conforto e mais divertido”.

O que é ser DJ e qual a sua importância?

“Não defino ser DJ como uma ocupação, é bem mais que isso. Posso afirmar que não dedico 100% da minha vida como artista porque ainda não apareceu a oportunidade ou a proposta certa”.

A teu ver, quais são as qualidades que um DJ deve possuir?

“Um DJ e qualquer outro artista que lida constantemente e diretamente com o público deve ser uma pessoa bastante recetiva, possuir uma vasta cultura musical, estar aberto a críticas, construtivas claro, manter uma boa imagem e postura. É essencial manter o profissionalismo, separar a vida pessoal da profissional é bastante importante”.

Achas que os DJ’s são devidamente valorizados na Região?

“Há DJ’s e DJ’s, pessoas e pessoas, artistas e artistas. Nesta questão não quero generalizar, prefiro apenas falar por mim.

Sou bastante valorizado no que diz respeito ao meu trabalho e agradeço a todos aqueles que dão valor a todo o esforço e dedicação que coloco em tudo o que faço e que apreciam o trabalho que apresento todas as vezes que atuo.

Agradeço as críticas que me tornam melhor a cada dia e, principalmente, todos os promotores que apostaram em mim, muitos deles, mais do que uma vez”.

Que dificuldades enfrenta um DJ?

“Acho que mais dificuldades do que as pessoas possam imaginar. Um cantor quando dá um concerto, as pessoas já sabem o que vão ouvir, já estão à espera de uma ou várias músicas.

No caso de um DJ é mais difícil ir ao acordo da expectativa do público. As atuações são mais variadas e, praticamente, nunca idênticas. Como já referi, é difícil agradar a todos.

No entanto, tenho como grande vantagem a grande aderência nos dias de hoje aos meus estilos musicais preferenciais”.

Qual o teu instrumento de trabalho mais a importante?

“O meu setup é constituído por dois giradiscos technics 1210, uma mesa de mistura DJM S9 da Pioneer e uma Maschine mikro mk2. Considero todos estes instrumentos igualmente importantes”.

Partilhas o teu trabalho em alguma plataforma?

“Facebook / TÓJÓ, Instagram @TOJODJ, Soundcloud TÓJÓ”.

Qual a tua próxima atuação?

“Para fechar o verão em grande, vou estar presente como sempre na Color Fun e, logo de seguida, no mesmo dia (22 de setembro) no Karma Privé”.

 

“Não sou cantora. Mas gosto de cantar”

É uma jovem cantora e estreou-se no I Festival da Canção ‘Sol Menor’, na Praia da Vitória. Em vídeo, Joana Pacheco faz as suas próprias versões de diversas músicas comerciais, num alcance de 200 mil visualizações.

 

“Não sou cantora. Mas gosto de cantar” é assim que te defines. Como surgiu o teu gosto pela música?

“O meu gosto pela música surge aquando da participação em Festivais da Canção infantis, intitulados ‘Sol Menor’ que decorriam cá, na Praia da Vitória.

Participei, pela primeira vez, com 9 anos e foi a minha estreia a cantar a solo. Acho que esse festival foi marcante na vida de todos os concorrentes pela oportunidade que tivemos de aprender com a fantástica banda que nos acompanhava. Ter a oportunidade de pisar o palco do Auditório do Ramo Grande ao lado de músicos de excelência, ainda por cima, em tenra idade é inexplicável.

“Não sou cantora. Mas gosto de cantar” surge porque tenho noção de que para ser cantora é preciso muito mais do que cantar umas músicas aqui e acolá. Ser cantora é descobrir muito mais em nós e ser capaz de dar muito mais aos outros. É aprender primeiro para depois poder trespassar. No entanto, desde aquele momento em que pisei um palco pela primeira vez, eu soube que queria fazer música o resto da minha vida.

Cantei pela primeira vez com 9 anos e, desde então, nunca parei. Cantar faz-me sentir coisas bonitas. Sinto-me completamente ‘eu’ quando canto. Além disso, a música curou-me um cancro que tive aos 18 anos. Não foi a quimioterapia, nem a radioterapia, mas sim a música e o amor que tenho por ela”.

Como foi participar no ‘Sol Maior’?

“No ‘Sol Maior’ obtive um segundo lugar e um primeiro, em anos consecutivos. O primeiro lugar, em específico, foi muito especial porque foi no ano em que lutei contra o cancro. Concorri com a música ‘Melhor de mim’, de Mariza, e foi muito emocionante.

Na verdade, o que ganhei nesse ano não foi um troféu. Foi a oportunidade de estar viva, depois de tantos obstáculos para cantar aquele tema e sentir mais do que nunca que de facto ‘é preciso perder para depois se ganhar e mesmo sem ver, acreditar’”.

Quais os teus estilos musicais preferidos e que artistas te influenciam?

“Os meus estilos musicais preferidos são Blues, Soul e Jazz. A música ligeira/comercial também faz parte de mim.

Faço vídeos a cantar as minhas versões de várias músicas comerciais e alguns já contam com mais de 200 mil visualizações. Um deles, a minha versão de ‘Trevo’, de Anavitória e Diogo Piçarra, já tem quase meio milhão de visualizações. Sou muito grata por partilhar o que mais gosto com as pessoas e receber comentários incríveis e cheios de amor.

Relativamente a artistas, admiro muitíssimo a Jessie J, não só por ser das cantoras mais evoluídas a nível técnico da atualidade, mas também por ser uma mulher sem medo de ser ela mesma independentemente das pressões e padrões que a sociedade impõe em nós, mulheres. Identifico-me muito com ela. ‘Quando for grande’, quero ser como ela”.

Frequentas o 7º grau de música, no Curso Secundário de Canto, na Tomás de Borba. Como tem sido a experiência?

“A experiência tem sido incrível porque tenho professores e colegas fantásticos.

Tenho a agradecer muito aos professores Antero Ávila e Anabela Albuquerque que têm o dom de ver os alunos para além de meros números. Devo muito a eles o incentivo e a motivação para procurar o meu caminho. Sem dúvida que são pessoas marcantes no meu percurso.

Estou a estudar no conservatório, portanto, música clássica. No entanto, pretendo estudar canto Jazz mais tarde, na Universidade”.

Qual é o teu instrumento de eleição?

“O meu instrumento de eleição é a voz. É um instrumento muito especial. Por ser humana, vem literalmente de dentro (da alma). Cada uma com a sua essência. Toco, ou tento tocar, saxofone soprano na Filarmónica União Praiense, da qual faço parte há perto de 10 anos, com muito orgulho.

Violão e piano são instrumentos que fui tocando sozinha e só costumo tocar por casa ou numa ocasião muito pontual. Não domino nenhum dos instrumentos. Tal como não domino a voz, mas ela é-me especial de uma forma que os restantes instrumentos não são”.

Qual a tua atuação preferida? Porquê?

“Não tenho uma tocata – gosto de lhes chamar assim – preferida. Todas elas são boas e fazem-me muito feliz.
No entanto, não posso deixar de frisar aqui duas experiências que tive e que me marcaram muito.

A primeira foi um estágio de Música Antiga que fiz em Ponta Delgada, em Março, e que muito me enriqueceu tanto a nível musical, como a nível pessoal.

A segunda foi um pedido de casamento, nas Sete Cidades, no qual tive a honra de participar acompanhada por um grande amigo na Guitarra, Luís Viveiros.

Há dias que marcam a alma e a vida da gente.

Tenho a sorte de a cantar ser acompanhada pelo meu irmão na guitarra. Isso torna as nossas tocatas muito especiais porque, além de meu irmão, o Rui é o meu melhor amigo e é um músico espetacular. Saiu-me a sorte grande”.

Recordas-te de algum momento engraçado aquando de um concerto teu?

“O mais engraçado que me aconteceu até hoje foi chegar um grupo de cinco meninas, muito envergonhadas, perto de mim a pedir para tirar uma fotografia comigo.

Isso teve piada porque nunca me tinha acontecido algo semelhante e então eu é que fiquei sem jeito e sem saber como lidar com o momento.

Foi muito cómico. Importante frisar que elas eram umas queridas!”.

Pretendes vir a ter algum original?

“Relativamente à música original, o que digo sempre é que não me sinto preparada para isso. Pelo menos não para já. Só vou lançar originais quando tiver a certeza que consigo fazer algo diferente e que ainda não foi feito. Algo que contribua de facto para a música.

Se for para fazer o que já está feito, não vale o esforço.

Enquanto isso, vou fazendo as minhas versões de músicas que já existem. É a cantar música dos outros e a mudá-la, que aprendemos, definimos e descobrimos o nosso verdadeiro estilo”.

Estudas no Conservatório Regional de Angra do Heroísmo. O que pretendes seguir?

“Pretendo seguir canto futuramente. No entanto, não quero dar continuidade aos estudos em música clássica, embora, o classicismo me dê ferramentas que posso usar em todos os estilos. Pretendo estudar Jazz.

Achas que é difícil um jovem músico afirmar-se nos Açores?

“Ser-se ilhéu tem algumas limitações porque é, de facto, difícil viver apenas de tocatas cá nos Açores. No entanto, é com trabalho e dedicação que tudo se faz. Tenho a certeza que é difícil, mas não impossível”.

De momento, estás a desenvolver algum projeto a nível musical?

“O meu principal projeto, de momento, é gravar vídeos a cantar a minha versão de várias músicas e publicar no Facebook (www.facebook.com/joanafilipapacheco).

Nesse projeto conto com a ajuda crucial do meu irmão, Rui Pacheco, que trata e grava todo o som dos meus vídeos.

A nível de vídeo propriamente dito, sou eu que faço e edito com todo o amadorismo do mundo e mais algum.
É um trabalho de equipa que até hoje tem corrido muito bem.

Demos início a esses vídeos sem qualquer tipo de expectativas e sem imaginar que um dia quase meio milhão de pessoas vissem um trabalho de origem tão caseira.

Temos sido convidados para tocar em muitas freguesias cá na Terceira por causa desses mesmos vídeos. A nossa gratidão é infinita”.

Quais são as tuas expectativas futuras relativamente à música?

“Aprender, em primeiro lugar.

Os estudos na Escola Superior de Música de Lisboa são uma prioridade na minha vida. Vou tentar entrar no ano letivo 2019/2020, mas independentemente de entrar ou não, a minha prioridade continuará a ser essa.

Só posso definir novos objetivos depois de aprender o que preciso para percorrer o resto do caminho. Acho que existe muito a ideia de que a música é um dom e que não pode ou deve ser trabalhada.

A verdade é que estudar música dá-nos ferramentas e visões diferentes para toda a vida. Além do canto, interesso-me muito por harmonia e tenho muita vontade de explorar esse campo tão fundamental do Jazz”.

 

 

 

“Lutar pelo regresso aos Açores”

Créditos de imagem: JAUPA .

A MegaJovem decidiu entrevistar a jovem Eduarda Mendes que integra a direção da Associação de Jovens Açorianos Unidos pelos Açores (JAUPA). A associação visa, sobretudo, promover e lutar por melhores condições para o regresso aos Açores.

 

Eduarda, qual a tua ligação à Associação de Jovens Açorianos Unidos pelos Açores?

“Eu faço parto da direção da associação, que se formou em outubro, sendo que eu entrei em janeiro. Ainda não temos muitos cargos distinguidos porque a nossa associação vai fazer agora um ano, pelo que vamos fazer novas eleições para reestruturar as direções e os cargos associativos”.

Por que se decidiu formar esta associação?

“A associação surgiu de uma necessidade. Nós organizamos o Encontro Nacional de Estudantes Açorianos, que se realiza no Continente e já conta com duas edições. Na primeira edição deste encontro precisávamos de contribuintes.

Na altura, o grupo associou-se a um outro grupo que existia em Coimbra, o grupo de Forcados Tremores Terra. Mas não podia ser sempre assim. A junção serviu no início como desenrasque, mas sentimos a necessidade de ter uma criação nossa porque queríamos que o encontro fosse algo regular e acabamos por perceber que existia uma necessidade de fazer outro tipo de atividades.

Os encontros surgiram por interesse de alguns jovens. No entanto, no primeiro encontro nacional, em Coimbra, houve uma questão que nos chocou um pouco. Nós perguntamos ao auditório com mais de 100 pessoas quantas queriam regressar à Região, apenas dez levantaram a mão. Nesse momento, sentimos a necessidade de que poderíamos fazer algo para tentar mudar esta mentalidade e o panorama e não poderia ser só com encontros. A associação surge, exatamente, aí nessa necessidade não só logística, mas também de dar mais aos jovens açorianos que estão lá fora”.

Quais são os ideais da associação?

“Sempre o lutar pelo regresso aos Açores, mas voltar com qualidade. Visto que somos a geração mais qualificada da História, achamos que para regressarmos temos que ter uma oferta justa.

Queremos voltar com a certeza de que teremos políticas justas para o nosso regresso, que teremos ofertas justas e, acima de tudo, qualidade.

O nosso papel é garantir que existe essa qualidade, a vontade de regressar e que as políticas feitas cá são justas para uma geração que é tão globalizada se sinta bem e que fique com vontade de rejuvenescer quando olha para os Açores”.

De que forma é que tentam atingir esses objetivos?

“Somos uma associação bastante recente. Nós começámos nos Encontros Nacionais de Estudantes Açorianos, apresentando aos jovens que participaram casos de sucesso, empreendedores, empresários, políticos da Região. Divulgamos isso lá fora, para que tivessem contacto com uma realidade positiva.

Não estamos a tornar isto ‘num mar de rosas’. Sabemos, perfeitamente, o quão controverso pode ser e também apresentamos as políticas existentes, o lado ‘mais negro’, por assim dizer. Pretendemos, acima de tudo, mostrar os dois lados e que estamos a fazer por melhorar.

Na nossa Região temos tido um crescimento enorme a nível de empreendedorismo, a nível tecnológico. O nosso é objetivo é mostrar isso e, ao mesmo tempo, criar um espaço em que os jovens que pretendem ou não voltar possam ter um contacto direto com estes casos, que possam questionar, criar eles próprios os contactos para quem sabe um dia regressarem e trabalharem com as pessoas com quem nos formamos estas parcerias”.

A cinco de setembro, a associação promove um debate acerca do futuro dos jovens da Região, em Angra do Heroísmo. O que podemos esperar?

“É um debate mais direcionado às políticas existentes. Uma das questões são os programas de inserção profissional, como, por exemplo, o Estagiar L que nos garante uns meses de trabalho. Nós temos que perceber que esses programas foram formados há mais de 20 anos e que, obviamente, foram uma excelente formação. No entanto, para tudo existe um prazo de validade, existe uma necessidade de adaptar aos dias que correm e às ofertas que existem.

Há 20 anos existia uma percentagem de licenciados que, hoje em dia, duplicou, triplicou e temos que saber adaptar este tipo de ofertas.

Os nossos objetivos conseguem-se a partir da discussão e através da parte prática, por isso, é que nós neste debate vamos formar uma moção para entregar às entidades competentes. Vamos fazer uma listagem de possíveis alterações para entregar à secretaria da Educação, Juventude, dependendo daquilo que os próprios jovens decidirem. Nós organizamos o debate, mas são eles que decidem o que deve ser mudado”.

 Como caracteriza o panorama atual dos jovens na Região?

“Nós somos a geração mais qualificada, mas numa situação de elevada precariedade. Não podemos dizer que não surgem ofertas, elas surgem, agora resta-nos questionar ‘serão elas justas?’.

Muitas vezes é isso que não acontece por culpa da falta de adaptação das próprias estruturas. Sinto, também, que é uma juventude que se conseguiu adaptar a outras vertentes. Temos o setor empreendedor cada vez maior, temos jovens que conseguem aplicar o seu saber na criação de outros saberes e desenvolver projetos.”

Qual o próximo passo da associação?

“Continuar a solidificar a própria associação. Nós agora estamos numa fase de angariar sócios para conseguirmos ter um melhor contacto direto para quem está interessado no nosso trabalho. Ser sócio não requer quaisquer custos”.

Quais são as tuas expectativas futuras relativamente a esta associação?

“Achamos que a associação tem muito para dar. Esperamos que as gerações que aí vêm estejam tão interessadas quanto nós a garantir o futuro cá.

O nosso objetivo é deixar às gerações futuras um espaço para que se possam desenvolver. No fundo, estamos a lutar pelo futuro de todos aqueles que querem voltar à Região”.

The Codfish Band

Entrevista a Miguel Ros Rio dos The Codfish Band

São quatro os membros que compõe The Codfish Band e que recorrem ao rock como elo de ligação do grupo. Natural de Cascais, a banda lançou, recentemente, o single ‘Kings and Queens’ feat. Elsa Frias numa abordagem à política, paixão e amizade.

 

Como se conheceram e decidiram formar banda?

“Já nos conhecíamos há cerca de 20 anos. O percurso dos ‘The Codfish Band’ inicia-se em finais de 2013, em Cascais, durante um jantar que era apenas, pensávamos nós, para rever pessoas que não se viam há duas décadas ou mais.

E assim nasceu uma das ‘mais promissoras’ bandas de rock em Portugal.

‘The Codfish Band’ é formada por Luigi Miguel, na voz e guitarra, Miguel Ros Rio na guitarra, Nuno Escabelado, no baixo, e Pedro Kystos, na bateria.

É assim que quatro músicos dotados de uma técnica nada perfeita, vastos conhecimentos de muita coisa, mas pouco de música, decidiram alterar o rumo ‘normal’ de uma banda’.

Porquê a aposta no rock?

“Tendo os quatro músicos gostos musicais muito distintos o rock é comum. É tipo cola, é o rock que mantêm a banda unida”.

Que artistas vos influenciam?

Ac/Dc, Buckcherry, U2, The Cult, Queens of the stone age, Alice in Chains, Soundgarden, Jeff Buckley, the killers, joy division, Jimi Hendrix, Herbie Hancock, Dave Mattews band, Radiohead, Stone Temple Pilots, Beatles, Faith No, Pantera, The Cult, Xutos, GNR, Rival Sons, Airbourne, Seasick Steve, entre outros”

Acha que o rock é um estilo musical devidamente valorizado em Cascais?

“As outras localidades que me perdoem, mas Cascais é, provavelmente, a localidade nacional, onde mais se valoriza o rock, o hard rock ou, como prefiro chamar, o classic rock.

É em Cascais que existe a única e mais antiga discoteca Portuguesa, onde só passa rock. Estou a falar da catedral do rock 2001.

E para quem tem memória, antes de Restelo ou estádios, as grandes bandas de rock, e não só, atuavam em Cascais, não em Lisboa, no já desaparecido Dramático de Cascais”.

Onde atuaram pela primeira vez? Como descrevem a experiência?

“Onde poderia ser se não em Cascais na fantástica casa ‘Stairway’ e foi fantástico, casa cheia, os amigos todos a apoiar, foi fantástico”.

A que se deveu a escolha do nome da banda?

“O nome caracteriza-se pela fusão de um símbolo da gastronomia portuguesa, com o clássico aperto de mão. É um cumprimento muito português já fora de uso, ‘toma lá um bacalhau’. Entre músicos, as guitarras são bacalhaus e ‘bacalhau’, além do dito peixe, dá para muita coisa…

Tivemos foi a preocupação de escolher um nome, que sendo em inglês, tivesse ligações com Portugal”.

Lançaram o álbum de estreia ‘DevilsTongue’ sem terem atuado. A que se deveu essa decisão?

“Simples, o álbum Devils Tongue é que nos obrigou a atuar porque a ideia inicial era única e exclusivamente lançar um álbum e ponto final.

O que pretendem transmitir com o vosso primeiro álbum?

“Basicamente, não pretendemos transmitir nada em concreto, só queríamos que as pessoas ouvissem e gostassem”.

Como foi a reação do público face ao ‘DevilsTongue’?

“A reação surpreendeu-nos, foi muito boa. Primeiro lugar no top da SuperFM, um constante destaque na 105.4Fm, muitas entrevistas e destaques nas mais variadas rádios e o feedback foi sempre muito positivo”.

Recentemente, apresentaram o novo single ‘Kings and Queens’ feat. Elsa Frias. Como foi trabalhar com a artista?

“Foi maravilhoso. É uma grande voz que merece uma outra exposição, mas vai lá chegar breve, breve”.

Quantos temas irá integrar o novo álbum e que temas irão abordar?

“Ainda não está fechado, mas será entre dez e 12 temas, onde abordamos, como no anterior, política, sexo, paixão, amizade, o dia a dia e o amor ao próximo”.

Qual o vosso próximo passo?

“Acabar este álbum e depois fazermo-nos á estrada em 2019”.

 

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