All posts in Entrevistas

“Estar em palco é ter o poder de transmitir uma mensagem”

Tudo começou com a avó paterna, familiarmente conhecida por ‘Sousa Pedro’, que, gostando especialmente de fado, passava grande parte do tempo a cantar e, assim, influenciar a neta, Mariana Pedro, na altura uma criança.

O gosto da jovem pela música foi sendo intensificado pelo contacto com o seu primo mais velho, Miguel Sousa Câmara, que integrou algumas bandas. “Ele tocava qualquer instrumento, para além de cantar que nem um rouxinol. Penso que tenha sido a minha maior influência na música”, admitiu.

Com pouco menos de 13 anos, Mariana recebeu uma mini viola como presente dos pais, mas confessou que a deixou, durante muito tempo, “a ganhar pó” por não saber tocar. Todavia, por necessidade, aprendeu a tocar com recurso à internet: “Surgiu como necessidade pessoal. Na companhia de Guias onde estava quase ninguém sabia tocar. Essa era uma ausência que me preocupava e acabei por tomar iniciativa de aprender”, explicou.

Inicialmente, a jovem tocava até de madrugada, ao ponto de “a minha mãe ou o meu pai me mandarem calar e ir dormir [risos]”.

A sua competência a nível instrumental também foi evoluindo com a participação na Associação de Guias de Portugal (AGP) e no Grupo de Jovens nos Açores, onde tinha a responsabilidade de animar missas e participar em encontros nacionais de juventude.

“Recordo-me de não ter ainda idade para me inscrever na Associação de Guias e ficar fascinada ao ver a minha prima com a farda a preparar-se para os acampamentos. Entrei com seis anos e permaneço até aos dias de hoje”, realçou. Atualmente, Mariana dirige a AGP na capital portuguesa e descreve a experiência de forma muito positiva.

 

“Ao longo destes anos, foram muitos os valores que adquiri e partilhei. Não tenho dúvidas que as Guias me tornaram numa cidadã mais responsável a atenta. O facto de trabalharmos em patrulhas com jovens raparigas faz-nos desenvolver o espírito crítico e de entreajuda”.

 

O Guidismo, clarificou Mariana, visa proporcionar a elementos do sexo feminino a oportunidade de desenvolverem o seu potencial como cidadãs universais responsáveis. Assim, desenvolvem-se provas individuais que ajudam na formação e progressão de cada guia.

Proporciona-se, no campo, “o contacto pleno com a natureza, desafiando-as a construir e a utilizar o que o meio ambiente nos dá para viver”, sendo que na cidade “damos às nossas guias um maior conhecimento da realidade das comunidades, proporcionado também a interação com outras pessoas”.

Na ausência de formação, a jovem salientou que foi com “muita vontade, persistência” e, acima de tudo, “observação” que conseguiu evoluir no contexto musical. “A evolução não existe sem observarmos, quer os bons, quer os menos bons”, frisou.

É “amante” de música portuguesa e, ao longo do tempo, foi apreciando o fado. “Procuro ter sempre muitas influências. A maior de todas é a nossa diva, Amália Rodrigues, a Mariza, Cesária Évora, Caetano Veloso, o nosso Luís Alberto Bettencourt, o meu querido amigo Emanuel Amaral ou algo completamente oposto, como Lady Gaga, Miriam Makeba ou Freddy Mercury. Para mim, é importante ouvir tudo e desenvolver espírito crítico sobre o que ouvimos”, disse.

Atuou, pela primeira vez, em Lisboa com a banda os ‘Diospiros’ que integrou em 2014, fruto de um convite para um Encontro Europeu de Jovens Dehonianos, do qual Mariana fazia parte. “A banda originou-se num encontro de jovens católicos de diversas regiões da Europa e assim permaneceu. O estilo era misto, sendo metade católico e incorporando covers em geral”, clarificou. A estreia em palco foi “fascinante”, dada a sensação de “poder desligar de tudo o resto e focar-me apenas em transmitir o que cantava”.

 

 “Estar em palco é ter o poder de transmitir uma mensagem e levo-o muito a sério. Divirto-me muito e já chorei. Passar a mensagem é bocadinho isto, é ser 100% genuíno no que estamos a fazer”.

 

A jovem açoriana já atuou em Lisboa, em cafés, no casino de Ponta Delgada, em hotéis e eventos como as Noites de Verão, a Passagem de Ano, a Festa Branca, casamentos, entre muitos outros. “Maioritariamente faço covers de músicas portuguesas, de Rui Veloso, Amália Rodrigues, António Zambujo, Mariza, Azeitonas e Miguel Araújo”, destacou.

Mariana nunca escreveu originais e admitiu que “não nasceu com esse dom”, apesar de ser algo que adoraria fazer. “Será sempre uma ambição. Um dia poderei explorar, experimentar e dedicar-me a isso”, revelou.

Para a jovem, a música “não deve ser uma experiência individual”, razão pela qual admite que, sempre que pode, atua com artistas. “Atualmente toco a solo nos Açores apenas porque estudo em Lisboa e é difícil comprometer-me com alguém para ensaios. Mais tarde, se regressar a São Miguel, gostava muito de tocar em banda”, clarificou.

 Em 2014, Mariana ingressou na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Design. “Acabei por me adaptar bem a Lisboa, apesar de achar que era uma cidade demasiado grande e confusa. Sou uma rapariga do campo”, admitiu.

Atualmente, a jovem frequenta o segundo ano do mestrado em Design de Comunicação na mesma instituição. “Interessa-me o design editorial, uma área que tem sofrido algumas alterações porque o foco deixou de ser o livro/jornal impresso e passou a ser o digital”, defendeu.

Futuramente, Mariana Pedro ambiciona regressar aos Açores, trabalhar na sua área, abrir a sua empresa de Design e dedicar mais tempo à música.

 

 

 

Os ‘Menta’

Começaram por se reunir em garagens e tocar covers, mas, assim que começaram a atuar ao vivo “não quiseram parar mais”. São os ‘Menta’, duo que surgiu em 2015, com Ricardo Catela, na voz e guitarra, e João Ângelo, no baixo.

 

De que forma surgiu o teu gosto pela música?

“Surgiu de uma forma muito ingénua, diria. Éramos ambos ainda muito novos e, quando percebemos o que a música nos fazia sentir, soubemos que queríamos estar de alguma forma dentro daquilo.

Quer fosse a partilhar canções com amigos, quer fosse a ver alguém a tocar, o gosto foi crescendo, até nos envolvermos efetivamente com um instrumento e começarmos a dar os primeiros acordes.

Nunca existe um objetivo quando começamos a aprender a tocar música e isso é fantástico! Estás no teu próprio ritmo e todos os dias aprendes coisas novas, até que, finalmente aprendes a tocar ‘aquela’ música e sentes-te no topo do mundo (risos)”.

Como é que o vosso percurso musical foi evoluindo?

“Começámos por formar cada um a sua banda, um grupo de amigos que aprenderam juntos a tocar cada um o seu instrumento e que se reuniam em garagens para tocar as suas músicas favoritas (covers).

Depois disso, chegou cedo o desejo de compor algumas canções originais.
Penso que falo por ambos quando assumo que, assim que começámos a tocar ao vivo, ganhámos o gosto e não quisemos mais parar!

Acredito que o facto de ambos termos vivenciado vários projetos a nível individual nos ajudou imenso a ganhar um certo ‘tato’ para o que pretendemos desenvolver agora”.

Da garagem para o palco… como te sentes a atuar ao vivo?

“Estar em palco é sempre a experiência pela qual mais ansiamos!

É o culminar de todo o nosso esforço e é essencialmente para isso que trabalhamos.

A música ganhou tamanha importância na nossa vida que, quando estamos a tocar os nossos temas ao vivo e vemos o público a interagir e a cantar as nossas músicas, é uma sensação única e imensa. Naquele momento o tempo para e… é incrível!”.

Surgiram como duo no verão de 2015. Como é que se conheceram?

Conhecemo-nos precisamente porque acompanhávamos as bandas um do outro. Somos conterrâneos e isso facilitou bastante a abordagem inicial, as trocas de ideias, os ensaios, etc.

A ideia de formar uma banda surgiu de forma muito imediata porque rapidamente percebemos que era um caminho que queríamos percorrer em conjunto.

Queríamos, para começar, materializar aquelas ideias e partilhá-las com os nossos amigos e conhecidos”.

Onde atuaram pela primeira vez?

“Na primeira atuação ainda não nos considerávamos efetivamente uma banda, ainda nem um nome tínhamos, mas, sim, um ‘projeto’ para o qual tínhamos alguns originais em mãos.

Na altura, chegámos a tocar umas versões muito cruas do tema ‘Amor com amor se paga’ e de um outro que fará parte do EP.

Foi na Pensão Amor, em Lisboa, num evento privado, um lançamento de um livro de uma amiga nossa para o qual fomos convidados.

Sendo a primeira vez e tendo a aceitação da nossa sonoridade sido muito boa, a experiência acabou por ser muito motivadora”.

Houve alguma atuação especial?

“São mesmo todas especiais porque todas vezes que subimos ao palco, tentamos interpretar as nossas músicas de forma intensa.

Naturalmente, há atuações com maior exposição e que nos abrem portas a um público maior, como as festas populares em geral, o Festival da Liberdade e o Concurso de bandas de Palmela.

Mas, para nós, todas as oportunidades de mostrarmos o nosso trabalho são marcantes”.

Os vossos primeiros arranjos originais tiveram por base estilos como o Punk, Rock, Pop e Jazz. Porquê essas influências?

“Foram as influências com as quais crescemos e pelas quais entrámos na música.

Foi o nosso percurso inicial, enquanto músicos individuais e fará sempre parte da nossa identidade musical.

Quando ambos começámos a tocar, o punk-rock estava em força e espelhava muito bem a etapa das nossas vidas, vidas de adolescentes (risos).

À medida que vamos aprendendo mais sobre música, a tendência é irmos migrando para algo mais erudito, que nos faça expandir horizontes e melhorar tecnicamente e aqui entra o jazz.

Penso que o mergulho no pop é uma consequência desta fusão e da inegável influência que tivemos ainda enquanto crianças, nos anos 90, do pop da altura”.

A 28 de setembro relançaram, em formato digital, o single de estreia ‘Um Dia Não São Dias’, onde o proibido está presente.

“O tema acaba por falar de algo explícito, uma relação quase proibida, que retrata a dualidade entre fazer o que se deve ou o que se deseja, deixando no ar se o personagem da canção foi avante porque ‘Um dia não são dias’ ou se fez o que era correto (risos). Deixamos ao critério de quem a ouve”.

Na mesma altura, deram a conhecer o vosso segundo single ‘Amor Com Amor Se Paga’. A que se deveu a escolha do tema para single?

Este tema foi escrito em 2015 e também reflete um período inicial da banda, apesar da produção do tema ter sido toda refeita em 2018.

A letra fala de relações, daquilo que damos e recebemos da outra pessoa, mais concretamente num pós-relação.

Tentámos transmitir a nossa forma de estar nessas situações, de um jeito em que a música permita dançar, mas que ao mesmo tempo a letra transmita algo a quem a ouve de uma forma mais clara.

É uma espécie de um virar de página, com algum lamento ali pelo meio, sem ter uma sonoridade ‘triste’. Portanto, é uma história que não tendo sido boa, acabou bem”.

Os temas ‘Um Dia Não São Dias’ e ‘Amor Com Amor Se Paga’ farão parte de um EP a lançar no próximo ano. O que nos podes adiantar em relação a esse trabalho?

“Ainda não temos definido o número de faixas que irá integrar, mas queremos que seja sobretudo um passo em frente. Se será grande ou pequeno só o futuro o dirá, aceitamos qualquer um deles.

Queremos pegar na linha condutora que estes dois singles já apresentaram, mas que seja capaz de se estender e de se expor totalmente às nossas influências e não nos cingirmos apenas ao pop. Queremos criar algo com texturas e que seja marcante”.

O que podemos esperar do vosso EP?

“Será certamente um EP com músicas feitas de sentimentos honestos, seja na criação de letras, seja na componente instrumental.

Acreditamos que existem diversas formas de comunicação, e o ser humano, desde o início dos tempos, que procura fazê-lo  das mais variadas formas , com as pinturas rupestres, por exemplo.

Nós queremos comunicar essencialmente através do nosso instrumental e é também por aqui que queremos expressar as nossas ideias. Será esse o desafio e o nosso foco”.

Que reação têm obtido por parte do público?

“Até agora temos tido muito boa receção. Todo o feedback é construtivo e nós fazemos questão de o ouvir e perceber para podermos crescer.

Mas, na maior parte das vezes, é-nos dito que as músicas conseguem contagiar facilmente e nós esperamos que seja verdade (risos)”.

Ambos dedicam-se à música a tempo inteiro?

“De momento não é possível e, na verdade, achamos que é positivo e importante termos outras ambições e desafios para além da música, por diversas razões.

É muito fácil alhearmo-nos do mundo real quando estamos imersos a 100% na indústria musical e todas as experiências e vivências são importantes para nos ajudar a enriquecer o nosso percurso e as nossas criações.

Mas, quem sabe, um dia não nos possamos também alhear do mundo real, seria bom sinal (risos)”.

Achas que Portugal é um país favorável à afirmação musical?

“Portugal tem muitos artistas de qualidade, aliás sempre teve, ainda que nem todos tenham tido a mesma oportunidade de exposição.

O que acontece é que por sermos um país pequeno, o “’empo de antena’ é reduzido e é distribuído por 15/20 artistas que estejam ‘na berra’.

Qualquer artista original que esteja fora deste lote, ser-lhe-á difícil fazer carreira musical ainda que no underground.

Se fizermos um paralelismo com os EUA, facilmente bandas mais pequenas conseguem fazer impacto local, sendo que o conceito de local lá, é um estado inteiro… Já dá para uma digressão anual, por exemplo.

Sabemos que em Portugal estamos num registo diferente…”.

Que expectativas reservas para o futuro da banda?

“Não querendo dar uma resposta política: tentamos guardar/gerir expectativas e apenas continuarmos a trabalhar no presente por aquilo que queremos.

O futuro será sempre uma recompensa do trabalho e dedicação de hoje.

Sabemos o que queremos: continuar a fazer música no futuro e que as pessoas se revejam nela”.

‘Mãos à obra’

É no escritório lá de casa que Patrícia Raposo passa a maior parte do seu tempo a realizar diversos trabalhos manuais. É perfecionista e ambiciosa por natureza.

Paredes brancas, uma secretária negra e pincéis espalhados por toda a parte. A decoração é minimalista, mas o trabalho que lá se desenvolve é complexo. Debruçada na secretária está Patrícia que de cabelo amarrado – como convém a um artista plástico – pinta um quadro.

 

“Desde sempre gostei de desenhar. Já o fazia antes de ir para a escola. O meu pai ensinou-me a fazer um cavalo e minha mãe galinhas e flores. Cheguei a participar em concursos de desenho nacionais da Nesquik. Eu e o meu irmão, normalmente, ganhávamos montes de coisas! A melhor foi um barco insuflável [risos]”, relembrou a jovem açoriana.

 

Natural do concelho da Ribeira Grande, nomeadamente da freguesia da Lomba da Maia, Patrícia foi criada no seio de uma família religiosa. “Na catequese e na missa passa a vida a fazer desenhos. Ainda tenho alguns que guardei para ver a evolução que tive ao longo dos anos. Atualmente, já não sigo a religião pelas circunstâncias que a vida me impôs e pelo pensamento crítico que desenvolvi ao crescer”, garantiu à MegaJovem.

Confessou que ‘nasceu a desenhar bem’, um “dom” que foi sendo aperfeiçoado com o tempo e dedicação pessoal. “Nunca tive aulas. Fui fazendo mais e mais. Comprando materiais mais caros quando comecei a trabalhar e que realmente melhoraram o desempenho no desenho”, frisou.

Na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) integrou a oficina de pintura, mas admitiu que “era mais um espaço” de lazer do que formativo. A internet também foi um meio importante à sua evolução. “Muitas vezes ia ao Youtube ver como se desenhava cabelos e olhos de forma realista. Felizmente, aprende-se muito com a internet”, afirmou.

Parte dos materiais, lamentou Patrícia, são encomendados do continente português, dada a sua inexistência nos Açores. Lápis de grafite, carvão e lápis de cor constituem-se como algumas das suas ferramentas de trabalho. As experiências pessoais, tanto positivas como negativas, as pessoas “fantásticas” que conheceu e determinadas personagens de séries constituem-se como a sua fonte de inspiração.

 

“Inspiro-me em personagens de séries que assisto, como Game of Thrones ou Vikings. Desenhei a Khaleesi e a Lagertha, personagens destas séries. A atriz que interpreta o papel de Lagertha nos Vikings, a Katheryn Winnick, com 2.4 milhões de seguidores, gostou do desenho que publiquei da personagem dela no Instagram. Foi um dia muito feliz para mim”.

 

Dois dos seus quadros a óleo constaram numa exposição coletiva na biblioteca da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Um em janeiro de 2017 e outro em janeiro de 2018. “A nível de desenhos pretendo fazer uma exposição até ao final do ano ou início do próximo ano”, adiantou.

O seu trabalho artístico não se resume ao desenho e à pintura, englobando, também, capas de telemóvel, t-shirts e diversos objetos personalizados. “Comecei com as t-shirts porque uns colegas da minha unidade de investigação, do Laboratório de Óptica Estrutural na FEUP, gostaram muito de um dos desenhos que criei no dia dos namorados. Disseram-me que dava uma excelente t-shirt e decidi investir”, disse.

Posteriormente, remodelou o seu quarto e começou a reciclar frascos de produtos de cozinha, comprando apenas acessórios para decoração. “As capas de telemóvel seguiram a mesma linha de raciocínio. Um dia peguei na minha capa que estava velha e dei-lhe outra vida. As pessoas gostaram e começaram a pedir”, revelou.

Chegou a apostar no design de moda, desenhando vestidos que levava à costureira. “Ela costumava dizer que aquilo não dava para fazer porque era muito complicado [risos]. Então, fi-los e cosi-os à mão pois não tinha máquina de costura. Isto nos verões de 2008 a 2010”, explicitou.

Os seus trabalhos são divulgados em redes sociais como o Facebook https://facebook.com/PatriciaRaposoArt, onde tem uma página sua que funciona como loja online, no Instagram https://www.instagram.com/pat.raposo/ e o Youtube https://www.youtube.com/channel/UCD5qAXadBNxvDxizpC1BzxQ/featured?view_as=subscriber.

“Já vendi desenhos por 20 euros há alguns anos e não o volto a fazer porque não paga nem o material. Prefiro ficar com as coisas para mim. A comunidade da minha página está a crescer devagarinho”, enfatizou.

São os desenhos que adquirem uma especial atenção por parte dos clientes. “As pessoas acham-nos muito bonitos. Dizem que parecem fotografias e que capto muito bem o olhar que, para mim, é a porta da alma. Gosto de entrar ao máximo detalhe”, destacou.

Regra geral as encomendas são de desenhos de casais, de netos e filhos para oferta.

 

“Fiz um desenho de um casal para uma das minhas melhores amigas, a Raquel Massa, oferecer ao namorado no aniversário da relação. Foi o primeiro desenho que fiz na onda mais realista. Comecei-o em setembro de 2017 e só o terminei em dezembro do mesmo ano. Teve uma reação muito favorável”.

 

Empenhada desde tenra idade, Patrícia confessou que sempre se destacou em relação aos colegas. “Não menosprezando ninguém, mas, por exemplo, fui a primeira a aprender a ler até que a minha professora, Suzete Rodrigues, ofereceu-me um livro da escola que comecei a ler sozinha”, explicou. Resolvia os exercícios rapidamente e pedia aos professores se, com o tempo livre, podia ir para a igreja desenhar figuras de santos.

Na Escola Básica e Integrada da Maia integrou o clube de Matemática, onde se destacou como campeã por três anos consecutivos. “Nos dos primeiros anos fui aos regionais, ficando em terceiro lugar no primeiro ano e em segundo lugar no ano seguinte”, recordou. No final do ensino básico a jovem recebeu um prémio de 250 euros por ser uma das melhores alunas da escola.

O dilema surgiu na Escola Secundária da Ribeira Grande, com a indecisão entre o curso de Ciências e Tecnologias e o de Artes. “Na altura pensei que ir para Artes e ter Matemática B era demasiado fácil para mim. Foi um erro, olhando agora para trás, porque o meu grande amor são as artes e o design de moda”, replicou.

No final do 12.º, por incentivo da professora Manuela Teixeira, optou por ir para Medicina. “Engenharia vai ser muito fácil para ti. Medicina vai ser um desafio, disse-me a professora. Fui a melhor nota da escola no exame de Matemática A, com 18,6 valores”, relembrou.

Integrou, durante 11 dias, o curso de Medicina que lhe proporcionou insatisfação, dado exigir uma grande memorização dos conteúdos. Entretanto, “abriu a segunda fase de candidaturas e concorri para Engenharia Civil com média de 17,8 valores”, ficando colocada na Universidade dos Açores (UAc).

Patrícia Raposo – jovem com t-shirt rosa – na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto com os colegas do Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial – julho de 2018

Após os preparatórios na UAc, Patrícia frequentou o Instituto Superior Técnico, em Lisboa, tendo posteriormente aderido à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). “A FEUP foi a melhor escolha por ser uma instituição de ensino com elevado nível de qualidade e exigência”, confessou.

Mestre em Engenharia Civil/Estruturas, a jovem admitiu que as obras, principalmente na área de estruturas, fascinam-lhe, dado permitirem “erguer o que um arquiteto ou engenheiro planeia na sua mente, como Torre Eiffel de Gustave Eiffel ou as grandes estruturas do Dubai que foram construídas num deserto”.

São diversas as áreas de conhecimento acerca das quais Patrícia fornece explicações ao nível do ensino secundário e superior, desde matemática, a física, química e Autocard 2D e 3D de uma panóplia de cursos. “Iniciei as explicações por necessidade financeira e pelo gosto pelo ensino. Já dei explicações a alunos do 10.º ano, a alunos de Gestão e Informática Redes e Multimédia. Neste momento, alunos de Gestão estão a pedir-me explicações de Estatística”, explicou.

Atualmente, a jovem é trabalhadora independente e presta serviços de Engenharia Civil num gabinete de Projeto de Engenharia, em Ponta Delgada. Todavia, o “seu objetivo de vida” é conseguir subsistir apenas de arte “de todos os tipos, desde desenhos, pintura, decoração e roupa”.

 

Hugo Torres

Entrevista a Hugo Torres

Hugo Torres lançou o seu primeiro disco de originais em 2013 e, recentemente lançou o single e vídeo ‘Lugar Perfeito’ que integrará o álbum ‘Cores’. 

 

Em 2013 lançaste o primeiro disco de originais. Manuel de Oliveira, Yami Aloelela e Marito Marques foram alguns dos músicos que fizeram parte do álbum ‘Trilhos’. Como foi a experiência de colaborar com artistas diversos?

“Foi, sem dúvida, uma enorme aprendizagem, são excelentes músicos.

Senti de imediato que as minhas músicas ganharam uma nova vida, uma nova cor, outra dimensão.

Era isso que eu procurava para o meu disco e com eles consegui o que realmente procurava”.

Do primeiro disco saiu o single ‘Mãos’ que integrou a banda sonora da telenovela ‘Doida Por Ti’, da TVI. Como reagiste?

“Fiquei muito feliz, porque sabia de imediato que a minha música seria ouvida por muita gente. As telenovelas têm essa força”.

Apresentaste, recentemente o single e vídeo ‘Lugar Perfeito’. O que é que defines como sendo esse lugar?

“O ‘lugar perfeito’, é onde sentimos paz e felicidade.

O meu lugar perfeito é junto dos que mais amo, são eles que me mostram o lugar perfeito todos os dias. Encontro-o nas coisas simples da vida. A verdadeira felicidade é o amor”.

Referiste que “O lugar perfeito mora em nós e nem nos apercebemos!”.

“Procuramos o lugar perfeito e, por vezes, mora em nós e só quando o perdemos é que percebemos o quanto éramos felizes sem saber! Procurámos sempre mais, mais, mais…

Às vezes, menos é mais”.

Esse tema fará parte do segundo álbum ‘Cores’ que se encontra em fase de gravação. O que podemos esperar do novo álbum?

“Cores, da vida…Este próximo álbum ‘cores’ contará histórias de vida. Das tristezas e alegrias resultam as cores, umas claras, outras escuras, umas garridas, outras mais neutras.

O estilo andará num pop contemporâneo, mas com algumas fusões de vários estilos, resultado das vivências musicais que tive ao longo destes quatro anos que não gravei”.

O que diferencia este álbum do primeiro?

“Mais sentimento, mais abrangência musical e sonoridade mais simples”.

Yami Aloelela assina a produção do álbum. Porquê a escolha desse artista em específico?

“Para além de ser um excelente músico e com bom gosto na produção, é um amigo e nestas coisas tão importantes, como fazer um disco, temos que estar ao lado de bons amigos em quem confiamos. Por outro lado, sentimo-nos mais à vontade no aspeto criativo”.

Qual o próximo passo e o que esperas futuramente?

Fazer música a minha vida toda…Os caminhos podem mudar, podem sofrer desvios se necessário, mas música é e será a minha vida com muito sucesso ou não!”.

“Nas próximas legislativas acredito que o PS possa vencer”

Entrevista a Paulo Freitas.

Licenciou-se em Estudos Europeus e Política Internacional na Universidade dos Açores. Foi presidente da direção do Núcleo de Estudantes de Estudos Euro-Atlânticos e vice-presidente da assembleia geral da Associação Académica da Universidade dos Açores.

Atualmente, está a concluir o mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, com especialização em assuntos europeus pela Universidade Nova de Lisboa.

Licenciaste-te em Estudos Europeus e Política Internacional na Universidade dos Açores. Porquê essa área?

Foi uma decisão que tomei no 11ºano. Houve duas razões fundamentais para o efeito. Os frequentes debates realizados nas aulas de História, algo que nunca mais esqueço. Tenho muito a agradecer à docente Maria Graça Leite.

O meu pai também teve influência nesta decisão. Ele sempre gostou da atividade política e assistia com frequência a espaços de comentário político e debates. Com o aumento do meu interesse por essa área, passei a assistir com ele. Passados anos, posso dizer que sou um felizardo. Foi a decisão certa para mim.

Neste momento, estou a findar o mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, com especialização em assuntos europeus pela Universidade Nova de Lisboa, o que reitera a minha paixão por esta área académica.

A teu ver, qual é a importância da política internacional?

“Antes de mais, política internacional é uma área das ciências políticas que procura compreender a aquisição, manutenção e perda de poder.

Compreender a relação entre os diferentes agentes internacionais, acho que é o fator mais relevante para que esta seja uma disciplina académica fundamental na área das Relações Internacionais.

Quando falo no termo agentes internacionais, não o limito a Estados. Com o passar dos séculos, novos agentes foram surgindo, tais como organizações não-governamentais, organizações supranacionais e o poder errático”.

Desempenhaste o cargo de presidente da direção do Núcleo de Estudantes de Estudos Euro-Atlânticos. Que iniciativas desenvolveste?

Fui presidente da direção do Núcleo de Estudos Europeus e Política Internacional, agora designado por Núcleo de Estudantes de Estudos Euro-Atlânticos, por dois anos consecutivos.

Os principais objetivos do núcleo são o de colmatar a pesada componente teórica da licenciatura, com a realização de visitas de campo, conferências entre outras atividades similares.

Representar e auxiliar os estudantes da licenciatura e ainda promover iniciativas culturais e de intervenção cívica de forma a envolver toda a sociedade civil.

Foram enésimas as atividades que a minha direção realizou em prol dos estudantes da licenciatura. Listo algumas:

Pioneiros na criação do NEPI Solidário. (Distribuição de cabazes de natal, brinquedos e livros no Hospital Divino Espirito Santo, particulares e casas de recolhimento);

Pioneiros na realização de conferências fora de território insular; (Lisboa)

Pioneiros na criação do desfile académico da licenciatura;

– Pioneiros na agraciação de sócios honorários do núcleo;

– Realização de jantares de curso;

– Membros da organização e participantes em diversas conferências;

– Criação de uma banca de apontamentos disponível para consulta;

– Promoção da licenciatura nas escolas secundárias da ilha de São Miguel;

– Visitas de campo (Vice-presidência do Governo Regional dos Açores e Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores- Delegação da Ilha de São Miguel).

Foste vice-presidente da assembleia geral da Associação Académica da Universidade dos Açores. Fala-me um pouco acerca dessa experiência.

A Associação Académica da Universidade dos Açores teve um período conturbado, onde era necessária a constituição de uma comissão de gestão para assegurar os trabalhos da mesma.

Como presidente da direção do NEPI, fui convidado a assumir o cargo de vice-presidente interino da assembleia geral da Associação Académica da Universidade dos Açores até à tomada de posse dos novos corpos gerentes.

Foi um período curto, mas talvez por respeito pelo trabalho realizado pela minha direção, consideraram que eu era a pessoa mais adequada para exercer estas funções”.

Fundaste o blog ‘Pensar o Mundo’ que visa analisar as grandes questões internacionais, através de artigos de opinião. O que te motivou à criação do mesmo?

“A minha jornada em artigos de opinião iniciou-se no Diário dos Açores.

Várias pessoas conversavam comigo sobre os meus artigos. No verão de 2017, fui a um restaurante, na baixa da cidade de Ponta Delgada. Depois de efetuar o pedido e, para minha surpresa, o dono do restaurante veio ter comigo e disse que gostava muito de ler o que escrevia.

Então pensei, ‘e porque não fazer diferente?’. Não tinha conhecimento da existência de um blog açoriano do género e vi nisto uma oportunidade.

Foi então que conversei com o professor José Noronha Rodrigues, o professor João Bosco Mota Amaral, o professor Pedro Faria e Castro e os meus colegas, Henrique Fonseca, Geraldo Pestana e Diogo Ferreira apresentando a minha ideia.

Assim, nasceu o Pensar o Mundo. Depois da sua criação, outras pessoas contribuíram para o blog, através do Espaço Leitor, o que demonstra o interesse dos cidadãos em partilhar os seus pensamentos sobre a política internacional.

Neste momento, contamos com mais um membro efetivo, o Paulo Nascimento Cabral, chefe de gabinete da eurodeputada Sofia Ribeiro (2014-2019), acumulando a responsabilidade pela Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural e a Delegação para as relações UE – Estados Unidos, bem como de todos os assuntos relacionados com os Açores e as Regiões Ultraperiféricas”.

Achas que a União Europeia (UE) se constitui como uma mais-valia para os Estados-membros? Porquê?

“Sim. A manutenção da paz no continente europeu é a mais-valia da criação da União Europeia. A Europa necessitava. Os cidadãos europeus também.

O momento mais tenso na Europa, pós-criação da União Europeia, aconteceu numa região onde nenhum dos envolvidos era Estado-membro da organização supranacional. Ninguém pode contrariar este facto. Quem o faz, fá-lo por animosidade ao projeto, mas não deixa de estar errado. A Europa nunca viveu tanto tempo num clima de paz, entre os seus Estados. Como europeu, espero que assim continue.

Aliado a este objetivo de construção de paz, está a reconstrução de uma potência. Com o fim do euromundismo, os Estados europeus perceberam que só unindo esforços é que a Europa podia apresentar-se como uma terceira potência, através da União Europeia.

O episódio da ameaça soviética a Paris e a Londres, em 1956, é um exemplo da necessidade de unir esforços entre os diversos países europeus. Há que ressalvar a importância dos Benelux nesta tarefa”.

Portugal aderiu em 1986. Achas que essa adesão foi benéfica? Porquê?

Sim, sem dúvida. Portugal era um país pouco modernizado.

O país viveu «livremente só» demasiado tempo. A revolução dos cravos, apesar de ser um marco histórico importante para o país, levantou muitas indagações sobre o futuro do mesmo. Que rumo Portugal iria tomar? Houve a influência de vários atores exógenos o que, na minha perspetiva, influenciou o rumo dos acontecimentos.

Temos que compreender que se vivia numa era bipolar, onde o poder era dividido entre as duas grandes potências, os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Portugal estava entregue ao Movimento das Forças Armadas, com ligações ao Partido Comunista Português. O ano de 1975 foi decisivo para fechar o impasse sobre o futuro do país e definir uma orientação política – A europeia.

Para além disso, Portugal teve auxílios financeiros de pré-adesão, por exemplo, nas duas Regiões Autónomas, algo que comprova o interesse europeu em auxiliar na modernização do país.

Basta visitar a Universidade dos Açores ou o metro de Lisboa para compreender a importância da adesão. Não é demais salientar que Portugal é atualmente o segundo país da UE que recebe mais fundos comunitários”.

Qual é a tua opinião acerca da coligação parlamentar que, atualmente, apoia o Governo da República?

“Considero que a Gerigonça é um estudo de caso muito interessante na área da Ciência Política. Juntar BE e CDU como suporte a um governo socialista é inédito e para muitos pareceu algo que não fosse dar certo.

Ter de um lado Catarina Martins e Jerónimo de Sousa e por outro um ministro das finanças, presidente do eurogrupo, não é tarefa fácil. Na minha perspetiva, António Costa sabe aproveitar os momentos, enquanto o principal partido da oposição prefere as lutas internas e não cria uma «oposição ativa».

António Costa deve ter lido o Príncipe de Maquiável, já que aplicou com mestria as suas lições. Fez esquecer um passado recente e engradeceu a sua imagem como líder. A prova de que o governo de António Costa tem sido um sucesso político, são as eleições autárquicas.

Se as coisas continuarem como estão, nas próximas legislativas, acredito que o PS possa vencer, apesar da imprevisibilidade política não permitir resultados antecipados.

Apesar de Portugal ter saído do procedimento por défice excessivo, o que na minha perspetiva representa uma grande vitória dos portugueses, há muito trabalho para fazer, nomeadamente na reforma florestal e na área da saúde”.

Em maio de 2019 realizam-se as eleições ao Parlamento Europeu (PE). Na tua opinião, como será a nova composição do PE, tendo em conta a ascensão dos eurocéticos?

A nova composição do Parlamento Europeu já foi aprovada em Estrasburgo. É importante ressalvar que Portugal vai manter os 21 deputados ao PE.

Em relação à ascensão dos eurocéticos, dentro do Parlamento Europeu, esta é uma possível realidade e temos de estar preparados para isto. A União Europeia é um projeto sui generis e, por isso, mesmo tem de estar aberta a novas ideias, mesmo que isto signifique uma reforma profunda.

Desta feita, considero que o problema não será o maior ou menor número de eurocéticos, no parlamento, mas aquilo que eles vão procurar fazer. Trazer ideias novas com o intento de melhorar ou reestruturar o projeto comunitário ou apregoar discursos falaciosos e fáceis. Não importa quantos eurocéticos. O mais relevante é saber que tipo de eurocéticos”.

A ascensão dos partidos de extrema-direita é uma realidade. O que consideras estar na base dessa ascensão?

Considero que estes partidos de extrema-direita tocam em temas muito sensíveis à comunidade.

São conotados como antissistema e em corolário disso são contra o politicamente correto. Aproveitam momentos de crise e sobretudo, assumem um discurso fácil, diferente e que para eles é a solução para o problema.

Na Europa, a crise migratória e a de refugiados foram dois dos argumentos mais utilizados por estes partidos, na mesma medida em que eram também dois grandes anseios dos cidadãos.

Os ataques terroristas em diversas cidades europeias impulsionaram este sentimento anti-imigração e antirrefugiados, tornando a tarefa da extrema-direita mais fácil. A falta de uma resposta imediata da União Europeia perante estes problemas pode ser também uma justificação para o aumento de votos nestes partidos”.

Consideras que a UE está ameaçada pela ascensão dos partidos mencionados que veiculam um discurso nacionalista, a par, por exemplo, da defesa do protecionismo económico?

 “Sim, está. Basta saber um pouco de história para compreender que a ascensão destes partidos, em diversos países da União Europeia, não é um bom presságio para o futuro da Europa.

A construção da União Europeia, com todos os seus defeitos, foi o ponto de viragem na história do continente. Espero que o passado sirva de lição”.

Donald Trump anunciou uma redução das ajudas às Honduras, ao Guatemala e a El Salvador, tendo acusado os três países da América Central de não serem capazes de parar os milhares de migrantes que caminham em direção aos Estados Unidos. Como é que encaras esta situação?

A atitude política adotada por Donald Trump não me espantou. A redução de auxílios financeiros a estes países da América Central parece-me que não irá acontecer.

Não obstante, pela sua importância na região, considero que a postura dos Estados Unidos da América, mais uma vez, falhou.

Não sendo garantida a ordem pelas autoridades nacionais, o governo da Casa Branca, devia procurar ser um apoio na construção de uma solução para o problema e não agudizar o mesmo”.

O mayor de Londres, Sadiq Khan, é apologista da realização de um referendo que dê aos britânicos a opção de permanecer na UE e, recentemente, foram milhares de as pessoas que se manifestaram contra o Brexit.

Como achas que irá decorrer o acordo e que solução seria a mais indicada?

“Pessoalmente, considero que as pessoas não tinham a noção da importância do seu voto no dia 23 de junho de 2016.

O Brexit marca o ponto de viragem no projeto comunitário. É a primeira vez que um Estado-membro vai sair da UE. Não acredito em bremain. O grande problema do acordo é a Irlanda e as fronteiras físicas.

Pensou-se que a mais recente cimeira dos 27 levasse a um acordo definitivo, mas este foi adiado. O período de transição vai ser fundamental neste sentido. Sou otimista e acredito que o impasse face à questão da Irlanda será ultrapassado.

Considero que ambas as partes procuram salvaguardar os interesses dos cidadãos europeus e com isto, a melhor solução será aquela que menos prejudicar os europeus.

Que futuro prevês para a UE? Estamos a caminhar para a consolidação dos seus valores ou para uma degradação dos mesmos?

Os valores europeus eram para os pais fundadores da União Europeia o alicerce de todo o projeto. O respeito pela democracia, pelo Estado de Direito, pelos direitos humanos são valores universais que a Europa esqueceu durante um longo período da sua história.

É normal a importância que lhes foi atribuída. A sua importância é consubstanciada nos critérios de Copenhaga, essenciais para a adesão de um novo Estado-membro. O que está a acontecer hoje em dia, em diversos países, como na Polónia ou na Hungria, é justificado com a ineficácia do mecanismo sancionatório previsto no Tratado de Lisboa em caso de desrespeito pelos valores europeus.

Apesar de falar-se mais dos Estados do que das instituições comunitárias, há exemplos recentes que demonstram a ausência de resposta das instituições europeias face a uma situação desrespeito pelos direitos humanos, como é exemplo o caso da Catalunha. Calar é consentir.

Desta feita, considero que os valores universais, que adotamos como sendo europeus, não estão a ser aplicados como deviam ser. Todos são culpados nesta situação, Estados-membros e instituições comunitárias. Enquanto prevalecer os interesses políticos, os valores europeus vão continuar a ser uma utopia”.

“Numa altura em que é tão bom visitar os Açores, custa-me a crer que não seja bom estudar nos Açores”.

Entrevista a Marcos Bicho, atual presidente da Associação Académica da Universidade dos Açores (AAUA) desde dezembro de 2017. Antes da liderança, integrou a associação, aquando do mandato de Luís Pimentel e Rui Paiva, na qualidade de coordenador do setor cultural.

 

Por que motivos optaste por desempenhar esse cargo?

“Esta foi uma posição que tive de assumir, dado o meu histórico na instituição e o conhecimento interno necessário para gerir a AAUA no momento.

A AAUA, apesar de ter dito um ano muito ativo, continua com fortes problemas financeiros e de gestão interna, alguns deles resolvidos durante este mandato, outros que só com a continuidade conseguem ser resolvidos para fazer da AAUA a instituição forte e respeitada que era há alguns anos atrás.

Já se vê uma aproximação dos alunos completamente diferente da que tínhamos nos anos menos ativos da associação e só assim é que faz sentido, uma academia direcionada para os seus alunos e para os futuros alunos”.

Esses problemas financeiros rondam que valor e decorrem de que aspetos?

“Os problemas financeiros estão relacionados com incumprimentos contratuais e faltas de pagamentos. Em 2017 os valores transitados em dívida eram cerca de 126.000 mil euros”.

Como é que tem sido a experiência?

“Intensa… Foi um mandato muito ativo para a associação, com várias presenças e posições sociais muito vincadas, tal como tinha de ser, dados os problemas estruturais que temos na UAc e na própria associação.

No entanto, não tenho qualquer dúvida de que se fez o que tinha de ser feito. Foram decisões algumas delas complicadas de tomar, mas que contou sempre com a minha direção e respetivos coordenadores quando assim foi necessário.

Como resultado, temos uma associação académica mais forte e que os alunos identificam como sendo a sua representação. Não se consegue esta identificação fazendo apenas festas… é preciso ouvir os alunos e promover um trabalho próximo deles, lutando sempre pela defesa dos seus direitos”.

Qual é a importância da AAUA?

“A AAUA é o órgão máximo de representação dos alunos da UAc, tendo de se assumir e, para isso, necessita de expor os verdadeiros problemas dos seus alunos. Um problema de um aluno da UAc tem de ser encarado como um problema da associação e tem de ser resolvido.

A importância e responsabilidade social da associação tem de ser forte no meio em que ela se insere, tal como os estudantes da UAc têm de ter importância social no meio em que se enquadram, o que muita vez não se verifica tanto nos concelhos em que estão inseridos como na própria Região”.

De que forma é que a AAUA apoia os estudantes, defende os seus direitos e luta pelos seus interesses?

“Tal como fizemos durante o corrente mandato, agora a terminar, a associação promove um trabalho próximo dos alunos, cria condições para que seja melhor estudar na UAc e luta socialmente para que seja possível criar essas condições.

Um problema de um aluno tem de ser obrigatoriamente um problema da AAUA e, como tal, a associação tem de lutar para que estes problemas deixem de ser problemas”.

 Quais são os teus deveres enquanto representante da AAUA?

“Enquanto presidente da direção, as minhas obrigações são sempre a gestão da associação. Acho que um presidente da associação tem de ser próximo dos alunos, ouvindo os seus problemas e as suas reivindicações e promover a sua solução.

Além disso, é indispensável a responsável gestão financeira e a parte mais complicada que é, efetivamente, tomar decisões, aceitando e dando a cara pelas suas consequências, o que, por vezes, não é fácil, mas é uma obrigação de quem assume este tipo de posições”.

Desde que assumiste a presidência, que iniciativas desenvolveste?

“Além dos já habituais eventos da associação, cada vez com maior importância e relevo no panorama cultural da Região, foi desenvolvido durante este ano uma Feira de Emprego na UAc em parceria com a MOVE ONG.

Tratou-se de uma semana aberta que envolveu cerca de 200 alunos dos ensinos básicos e secundários da ilha. Promovemos mais e melhores parcerias com empresas, no âmbito do Cartão Académico dos Açores, criando melhores condições de estudo para os estudantes da UAc

Promovemos uma entrega de livros a várias Instituições Particulares de Solidariedade Social da ilha, melhoramos a comunicação da associação através de um site e de uma presença mais forte nas redes sociais.

Trouxemos, novamente, os blusões de curso para os estudantes da UAc, entre outras atividades que promovemos, sendo a mais ambiciosa a alteração estatutária, que há muito se anseia. Pois bem, hoje a AAUA tem também uma estrutura estatutária mais profunda e forte!”.

Em que é que consistiu a alteração estatutária?

Os estatutos desde a fundação nunca foram atualizados essencialmente porque apesar de toda a gente falar que estavam desatualizados e irregulares, nunca se mobilizaram a sério nem procuraram uma forma efetiva de o fazer.

Nós este ano arranjamos forma legal de o fazer que mais tarde junto de um advogado foi indicado que nem era necessário esse argumento legal, uma vez que de acordo com a lei atual os estatutos tinham de ser alterados porque estavam blindados e, como tal, eram ilegais.

Mudou muita coisa. A direção passa de sete para 15 pessoas, as eleições passam de fevereiro para outubro, estão contemplados núcleos de estudantes e secções académicas que antes não eram incluídos e estão contempladas as competências e funcionamentos internos.

No que respeita à Universidade dos Açores  que aspetos devem ser melhorados?

“A oferta da letiva tem de ser revista. É um problema antigo e que se teima em não se trabalhar na sua resolução. A promoção da UAc tem de ser revista, não basta entregar panfletos às escolas e não ir ao encontro dos alunos ou trazer os alunos e dar a conhecer a UAc.

Precisamos de uma universidade mais aberta à cidade, um acesso mais facilitado às instalações com mais portas abertas, um horário mais alargado para os alunos poderem estudar ao fim de semana.

Uma maior abertura às atividades dos alunos, para que seja possível os alunos estudarem com mais vida na UAc.

Os alunos é que fazem a universidade, mas se a universidade não estiver aberta aos alunos… é uma questão de tempo até a mesma deixar de existir.

 Foram 430 os estudantes colocados na UAc na primeira fase de acesso ao ensino superior. Da segunda fase registam-se 178 vagas por preencher. O que tem a dizer acerca destes números?

“Espectável… A promoção da UAc ganhou apenas uma variável durante o último ano letivo: a semana aberta promovida pela associação académica, tudo o resto foi apenas o que sempre foi feito.

A oferta letiva está desatualizada, a universidade está fechada em si mesma e não se promove em escala numa Futurália, por exemplo. Numa altura em que é tão bom visitar os Açores, custa-me a crer que não seja bom estudar nos Açores”.

 Em Ponta Delgada, o alojamento para estudantes é escasso. Denunciaste esta situação?

“A AAUA fez questão de expor em vários meios esta situação, para nós é lamentável a falta de interesse que Ponta Delgada tem em acolher os estudantes e o Alojamento Local (AL) é um dos grandes culpados desta falta de interesse.

Não deixa de ser lamentável que a taxação, quer seja no âmbito regional ou autárquico, ainda não tenha sofrido qualquer alteração, quando já vamos para três anos de crescimento turístico.

Ponta Delgada começa a ser só e apenas para os turistas, sendo que os habitantes não conseguem pagar as rendas que o mercado pede, muito em culpa do AL”.

 A AAUA expôs diversas situações de incumprimento do regime jurídico das instituições de ensino superior e do decreto de lei nº23/2006.  Essas situações mantêm-se?

“A situação não só se mantém, como a resposta pela UAc foi muito pouca.

Um ponto que se alterou de forma positiva, pelo menos aparente, foi o facto de a AAUA, voltar a ter espaço no pavilhão desportivo para realizar as suas atividades desportivas”.

 As eleições para a AAUA já estão a decorrer, certo?

“O período eleitoral começou no dia 16 de outubro, sendo a data prevista para as eleições a doze de novembro. Só depois disso, a associação pode dizer o que tem reservado para o futuro.

Em primeiro lugar, a AAUA ou os alunos sócios efetivos da associação terão de decidir o que querem para o futuro da mesma. Até lá muitas serão as novidades e com certeza, muitos serão os projetos propostos”.

 

Novos rumos, novas oportunidades

É natural da ilha de São Miguel, mais propriamente da freguesia de Furnas. Romeu Bairos começou por adquirir uma ligação à música por influência da avó materna e da mãe.

“A minha avó e a minha mãe sempre foram ligadas ao fado, ao folclore e à música popular portuguesa em geral e eu sempre cantei com elas em casa. O gosto pelo Jazz começou devido a uma coleção de cd’s da Readers Digest”, garantiu Romeu Bairos à MegaJovem.

A sua primeira atuação remonta ao ano de 1998, na Gala Caravela D’Ouro, que ocorreu no concelho da Povoação. “A música era a sinfonia dos animais e fiquei em primeiro lugar com o meu irmão”, relembrou o jovem.

Com seis anos, ingressou no Conservatório Regional de Ponta Delgada, onde se manteve até aos 17 anos, facto acerca do qual reforçou que “a formação é importante em qualquer área”.

Incapaz de quantificar as inúmeras atuações realizadas, o músico descreveu a sensação de estar em palco como “estar em casa”. Por vezes, as suas atuações a solo têm por base originais, como ‘Terreiro do espaço’, ‘Quantas asas tem os ventos do teu nome’, ‘Meu amigo anda sozinho’ e ‘Zé’.

Na qualidade de vocalista integra, desde 2013, a banda ‘BLIF à regional’ que é composta por Tiago Franco, na guitarra, João Freitas, na bateria, e pelo ‘Terrível’ no baixo. Na altura, “os outros membros tinham a banda ‘Rock n’covers’, procuravam outro vocalista e abordaram-me no Facebook”, explicou. Ultimamente, confessou o jovem, a banda tem atuado com menos frequência porque “a malta tem outros projetos”.

Dois anos depois, já em 2015, o jovem participou no programa ‘The Voice Portugal’, experiência da qual gostou e que lhe transmitiu um maior conhecimento acerca do funcionamento da programação televisiva.

Atualmente, é músico a tempo inteiro, o que, a seu ver, “é tão difícil como outro trabalho qualquer”. Os Açores, segundo Romeu Bairos, não são propícios à afirmação de músicos, razão pela qual deixou a ilha, há quatro anos, na busca de oportunidades em Lisboa. “Há mais concertos e mais pessoas para poder iniciar projetos. A experiência tem sido boa até agora”, adiantou, referindo-se a Lisboa.

Está para breve o lançamento do seu primeiro EP/mini-disco que foi gravado recentemente. Os pormenores serão revelados futuramente, mas considerou que “adora estar em estúdio”, sendo que as suas expectativas futuras são “fazer sempre música, gravá-la, editá-la e tocar pelo mundo inteiro”.

Future Stranger

Entrevista a Future Stranger

O artista Future Stranger tem um novo EP, um trabalho que envolve três temas, designadamente ‘Surrender’, ‘Velvet’ e ‘Soulsearching’. 

‘Younghearts’ é o teu novo EP que já está disponível em formato digital. A que se deveu a escolha do nome?

“Foi um processo engraçado porque tudo começou com a capa de um álbum que me inspirou e decidi materializar essa ideia. Antes sequer das músicas estarem em produção, estava a capa feita e o nome decidido, o que me ajudou a visualizar, por assim dizer, o EP”.

Como descreves o processo criativo deste novo trabalho?

“Foi um processo caótico por estar a ser bombardeado com ideias e ter de organizar tudo da forma que gostava mais e, ao mesmo tempo, estava a tentar produzir três temas que fossem distintos e interessantes. O grande ‘problema’ foi ter de fazer o trabalho todo sozinho. Tendo em conta que o conceito de tempo existe e é sempre limitado por vários fatores externos completamente fora do nosso controlo, torna as coisas complicadas. Dito isto, gostei imenso de trabalhar neste EP”.

Quanto tempo demorou a composição e produção do EP?

“Cerca de dois meses, on and off“.

 Que influências musicais contém este EP?

“Oiço os meus amigos a comparar o meu estilo a Depeche Mode, apesar de eu não ter a audácia de me comparar aos grandes.

Acho que tenho muito trabalho a fazer até chegar a esses níveis, mas por outro lado adoro as comparações. Existem meia dúzia de álbuns que me influenciaram imenso como o Random Access Memories dos Daft Punk (aí os Daft Punk!), alguns trabalhos dos Roosevelt, uma banda relativamente nova, mas com um estilo que gosto imenso.

Eu acabo por retirar pedaços daqui e de além e incorporo na minha música. Acho que ter um espectro diverso de preferências ajuda a expandir a mente do artista. A versatilidade é muito importante”.

Porquê a escolha de ‘Velvet’ para single de destaque?

“Achei que fosse um tema cheio de energia e calor, muito apropriado para um final de verão. Digo isto pois a letra reflete isso mesmo, um final de verão repleto de experiências, de corações jovens”.

Que mensagem pretendes transmitir nos três temas que compõem o EP?

“As mensagens são provavelmente o output do meu subconsciente, filtrado e articulado na forma de música. Acho que cada um acaba por interpretar o que ouve de forma a complementar o estado de espírito no momento ou baseado nas suas próprias experiências”.

O que distingue este teu recente trabalho dos restantes?

“Quis lançar um EP pois procurava desafiar-me a mim mesmo a nível criativo e técnico. Quis fazer coisas que nunca antes tinha feito, brincar com sabores e texturas que nunca antes tinha considerado”.

Como tem sido o feedback do público face a ‘Younghearts’?

“O feedback tem sido muito bom, muitos consideram o EP um grande passo em frente para mim e é bom ouvir isso pois foi esse mesmo o objetivo”.

 O que podemos esperar deste novo mini-disco?

“O calor do verão, corações jovens que amam perdidamente. Isto tudo com um filtro vintage em cima”.

 Quais são os teus próximos passos?

“Quero continuar a explorar coisas novas, procurar enriquecer a minha assinatura e tornar-me melhor naquilo que faço”.

https://itunes.apple.com/pt/album/younghearts-single/1434736542?l=en

Carolina Moreira, a designer açoriana

Créditos de imagem: Tiago Pereira.

Tem 27 anos, é licenciada em Ciências da Nutrição e formou-se em Design de Moda na Lisbon School of Design, em 2018. Apaixonada por moda minimalista, aliada à Natureza e ao bem-estar. Carolina Moreira lançou, recentemente, a marca de vestuário sustentável ‘LUS’. 

 

No âmbito do design quem é que te inspira?

“Inspira-me quem segue os mesmos ideais que eu e marcas e/ou designers que marquem a diferença no mercado. Um exemplo é a Ryan Roche, uma marca que tem um design extremamente simples e minimalista que eu aprecio muito. Outro exemplo é a VOZ, uma marca com um conceito e um propósito muito especiais”.

Como é que surgiu o teu gosto pelo design?

“Sempre gostei de artes e tudo o que está relacionado. Nunca explorei. Em 2015, quando comecei a desenvolver o meu antigo projeto de moda, senti uma grande necessidade de aprender mais.

Entretanto, comecei a trabalhar na área da Nutrição e a coisa ficou adormecida. Em 2017, foi quando decidi arriscar e levar adiante o meu sonho e gosto pelo design”.

A teu ver, qual é a importância do design?

“Para mim, a importância do design está, em grande peso, na comunicação. É através do design que se consegue transmitir uma ideia, um conceito, um sentir. Para mim, o design é um expressar de emoções, as quais ganham vida através da arte desenvolvida. É pura comunicação!”.

Qual a escola que frequentaste no ensino secundário e qual a área de estudos que escolheste? Porquê essa área?

“Frequentei duas escolas: Escola Secundária das Laranjeiras e Escola Antero de Quental. A área escolhida foi a de Ciências e Tecnologias pois, não sabendo ainda o que gostaria de exercer no futuro, pensava que era a área que abrangia mais opções profissionais. Foi a opção que me pareceu mais segura”.

Após o secundário enveredaste pelas Ciências da Nutrição e, posteriormente, integraste a Lisbon School of Design. Como descreves a experiência?

“Após o secundário, licenciei-me em Ciências da Nutrição e exerci a profissão durante dois anos. Só depois é que decidi seguir um sonho antigo de lançar a minha marca e, para isso, foi necessário formar-me em Design de Moda, uma vez que não tinha qualquer experiência na área.

Escolhi a Lisbon School of Design porque, na altura em que estava a pesquisar as escolas, senti que seria o local certo para me formar. Gostei dos testemunhos, das instalações e do conteúdo programático que o curso oferecia.  Foi uma experiência encantadora, a qual vivi de sorriso de orelha a orelha desde o primeiro dia. Fui muito feliz ao longo do curso, aprendi imenso”.

Terminaste o curso este ano e já apresentaste a marca de vestuário LUS. Um grande marco, certo?

“Já fui para o curso com o objetivo de lançar a LUS, por isso, fui sempre trabalhando nos dois em paralelo, juntando o útil ao agradável. Estou muito feliz por ter conseguido alcançar os meus objetivos”.

O que te inspirou no desenvolvimento da marca e da coleção?

“A Natureza, sempre. O conceito da minha marca surge após eu ter ganho consciência das consequências negativas da indústria da moda no meio ambiente. A

segunda indústria mais poluente do mundo, a seguir ao petróleo, é a indústria da moda. Sendo eu uma pessoa extremamente ligada à natureza, decidi, dentro do meu sonho, criar uma marca que respeitasse os meus ideais e que respondesse às necessidades urgentes do planeta. A mudança começa em nós, não podemos simplesmente ficar à espera que ela aconteça.

A coleção de apresentação, Délicat AW18, foi inspirada no famoso kimono japonês e na flor tulipa, cujos elementos foram transportados para as peças, respeitando o estilo minimalista que caracteriza a marca. A paleta de cores utilizada foi inspirada nos tons da natureza, sendo que foram aplicados essencialmente tons neutros”.

A que se deveu a escolha do nome da marca?

“A escolha do nome foi um desafio muito grande, uma vez que eu sou uma pessoa extremamente exigente e pretendia um nome com muitos requisitos.

Um deles era que fosse um nome pequeno, fácil de pronunciar, nas mais variadas línguas. Também tinha de transmitir a mensagem do propósito da marca. Então, comecei por pensar nas várias características que definem o meu estilo enquanto designer: leveza, autenticidade, simplicidade/minimalismo.

Daí surge LUS. Além disso, LUS, oralmente parece luz. E é! Luz é divino, é amor e partilha. Não podia ser outro nome!”.

Quanto tempo foi necessário para lançares a LUS? Fala-me um pouco sobre todo o processo de preparação da LUS.

“Eu demorei cerca de um ano para lançar a LUS. O processo começou na definição do conceito, do propósito da marca e, a partir daí, tudo o resto foi surgindo.

É um processo longo pois existem muitas etapas pelo meio. Numa fase inicial, optei por escolher os tecidos e materiais que queria usar na coleção de apresentação e, daí, começou todo o processo criativo.

Depois da coleção desenhada, mandei produzir. Entretanto, surgiu a fase em que era necessário dar nome e imagem à marca e, depois de já o ter escolhido, contratei uma grande amiga designer, a Alexandra Sousa, para me desenvolver o logótipo.

Em São Miguel, organizei a sessão fotográfica para o editorial de moda da coleção, na qual o fotógrafo Tiago Pereira e a modelo Alexandra Gouveia fizeram um excelente trabalho!

Desenvolvi as páginas das redes sociais, Facebook e Instagram, e tudo começou a acontecer. O lançamento da coleção de apresentação da LUS foi realizado num showroom, em Ponta Delgada, para que o público pudesse ter um primeiro contacto com as peças e com a marca.

Trabalhei muito ao longo deste ano e estou muito feliz com os resultados”.

O conceito base da marca assenta naslow fashion por contraponto à fast fashion. Explica-me a diferença entre esses dois conceitos e de que forma é que a slow fashion se apresenta como uma mais-valia.

“A fast fashion consiste num sistema de produção de moda atual que prioriza a produção em massa de pouca qualidade, a globalização, o apelo visual, a novidade e a dependência. Além disso, oculta os impactos ambientais causados na produção e o custo em mão-de-obra e materiais baratos.

É um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados de forma extremamente rápida, o qual contribui para uma incalculável acumulação de resíduo têxtil em aterros sanitários, diariamente, a nível mundial.

A slow fashion, pelo contrário, valoriza a durabilidade e qualidade do vestuário, sendo que o lema é: antes a menos e de melhor qualidade, que dure mais tempo, do que a mais e descartável. Valoriza, ainda, o que é local, o comércio justo, praticando preços reais que incorporam custos sociais e ecológicos e mantém a sua produção entre pequena e média escalas, de forma a evitar o desperdício e a massificação. É um sistema transparente, entre quem produz e quem consome e um dos principais objetivos é que haja um consumo mais responsável e menos impulsivo, mais consciente e amigo do ambiente.

A slow fashion surge como uma alternativa socioambiental mais sustentável no mundo da moda e, posto tudo isto, é, sem dúvida uma mais valia para todos nós optarmos por adotá-la”.

 Que características diferenciam a coleção ‘Délicat Fall 2018’?

“O design único e a qualidade do tipo de tecidos e materiais utilizados”.

 Que materiais são utilizados no fabrico das peças?

“Os materiais que a LUS utilizará no fabrico das suas peças serão sempre naturais e biológicos, amigos do ambiente e isentos de químicos prejudiciais à saúde ambiental e humana.

Na coleção Délicat, por exemplo, foram utilizados materiais como o algodão, linho e seda de bamboo”.

 Quem fabrica as peças?

“Eu desenvolvo toda a parte do design das coleções, escolha dos materiais e tudo o que está envolvido na gestão da marca.

A confeção das peças é feita por uma grande amiga, ex colega de curso, com muitos anos de experiência e um dom gigantesco. Confiei-lhe cada uma das minhas peças e não quereria que tivessem sido feitas por mais ninguém.

A Gabriela Murga é uma excelente profissional, apaixonada pelo que faz, e coloca em cada peça todo o seu coração e atenção. Eu desenho e ela torna as peças reais, tal e qual como as idealizo. Seria impossível fazer tudo sozinha.

O tempo de produção depende muito do tamanho da coleção e de outros fatores, mas, para a produção de uma coleção pequena, duas a três semanas serão suficientes”.

A coleção ‘Délicat Fall 2018’ destina-se a senhoras, mas também ponderas integrar peças para homem. Podes adiantar alguns pormenores sobre essas peças?

“Nas próximas coleções pretendo ter peças tanto para homem como para senhora, respeitando as mesmas linhas e estilo minimalista que definem a marca”.

Qual é o teu próximo passo?

“O próximo passo é continuar a lutar para que a LUS se torne cada vez mais conhecida e apoiada e, assim, dar continuidade a este projeto tão especial”.

Quais são as tuas expectativas?

“Confesso que prefiro não ter grandes expectativas. É um projeto que tem um propósito muito bonito, ao qual entrego-me de coração e alma e é nisso que eu confio. O resto há de vir”.

FAT of the LAND

Entrevista Luís Xavier, vocalista e guitarrista da banda ‘FAT of the LAND’

 

Como é que surge o teu gosto pela música?

“A música surge bem cedo, quando na Ribeira quente se forma o grupo de folclore. Havia a necessidade de se formarem músicos para o grupo.

Fui aprender e ingressei no rancho, daí até uma banda de covers foi um abrir e fechar de olho.

Com os anos a passar, começas a criar as tuas coisas, que só tu é que gostas ou pensas que assim é ate mais alguém ouvir”.

‘FAT of the LAND’, a que se deveu a escolha dessa designação?

“Surgiu na fase embrionária da banda, em que um dos elementos sugeriu este nome.

É baseado numa expressão muito utilizada no século XVI, no Egipto, em que se vivia da gordura da terra. Gostei do nome e do seu fundamento porque aqui também já foi assim e na minha infância, a nossa subsistência vinha da terra e do mar…”

Surgiram em 2012 por tua iniciativa. Fala-me um pouco sobre a junção do grupo e da evolução do mesmo.

“Em 2011 preparei pouco mais de meia dúzia de temas, mostrei-os a uns amigos e desafiei o pessoal a criar uma banda só de originais.

E assim foi. Começamos em maio de 2012, gravamos algumas músicas, sem ter bem a noção do que se fazia – hoje percebo isso – fomos criando mais até formar um repertório para poder encarar um palco que surgiu em agosto do mesmo ano.

Desde o início muita coisa mudou, saídas e entradas de alguns elementos, o que por vezes influenciava o som e caminho da banda.

Hoje temos um som próprio e que nos carateriza, fruto da aprendizagem destes já seis anos de música”.

Recordas-te da vossa primeira atuação? Como descreves o momento?

“Sim, muito bem!

Muito nervoso. As Noites de Verão no Campo de São Francisco juntavam muitas pessoas e nós eramos desconhecidos por completo. Aparecer num palco apenas com originais não é fácil…. O concerto correu bem e, como era o primeiro, cada um de nós tinha a família toda presente, podemos dizer que foi uma receção familiar”.

Qual a tua atuação preferida? Porquê?

“Bem, é uma pergunta de difícil resposta, mas não me esqueço de um concerto em 2013 no bar TukáTulá, ainda na fase de descoberta da nossa essência, mas o público que nos recebeu ali foi incrível.

Tenho de eleger como a preferida a nossa passagem este ano pela Festa do Chicharro. Tocar num palco com as melhores condições técnicas e à nossa frente um recinto cheio, modéstia à parte conseguimos chamar a atenção, imagina esta adrenalina… no fim, demos tudo e estávamos com um bom cansaço”.

Quantas atuações já realizaram, aproximadamente, e onde?

“Em média tocamos quatro a cinco vezes por ano, não é o desejado, mas é o possível.

Contudo, podemos dizer que passamos no Festival da Povoação, Festa do Chicharro, Gala do Jornal Audiência, Ateneu Criativo, bar Paloe e vários concertos por Ribeira Grande, Ponta Delgada e passagens ao vivo pela RTP Açores”.

O vosso estilo situa-se no pop, rock/folk. Porquê esses estilos musicais?

“Nós tocamos o que nos vai surgindo na alma. Por vezes, sai um tema mais ‘agressivo’, outras um mais ligado à nossa condição de ilhéus, daí acharmos que o nosso estilo anda situado nessas áreas.

Contudo, não sabemos o que pode vir a seguir, apenas a certeza de que será em bom Português”.

Dedicam-se em exclusivo à criação de música original com base nas vivências açorianas. Que aspetos do quotidiano regional vos inspiram?

“São várias, desde os primórdios do povoamento até às mais pequenas e simples memórias que temos das nossas vidas. Há um tema, ‘Gente da terra e do mar’, que gravamos em 2014, esta canção é um resumo da nossa inspiração nas nossas raízes pois somos gente da terra e do mar”.

Como é que funciona o vosso processo criativo?

“Normalmente, eu crio em violão e escrevo as letras, depois em grupo concluímos os arranjos, onde todos têm liberdade criativa no seu instrumento, trocamos opiniões democraticamente”.

Até ao presente, quantas músicas originais apresentaram?

“No mínimo uns vinte”.

Pretende vir a gravar algum EP?

“Vamos gravando os nossos temas na nossa sala de ensaios. Para além de os compor e tocar ainda somos nós a gravá-los e produzi-los. É a parte difícil e que tivemos que aprender a fazer.

Recentemente, fui contatado por uma editora, fiquei admirado com esta situação, mas temos os pés bem assentes na terra e o nosso caminho será melhorar a qualidade sonora das nossas gravações e tranquilamente ir apresentando nas plataformas digitais”.

Que plataformas digitais?

https://www.facebook.com/FAToftheland2016/

https://www.youtube.com/channel/UCZd46cX59is1ww9QF6vaoGw

 Qual tem sido a reação do público?

“A passagem pelos grandes festivais foi um grande impulso. Desde o ano passado que temos notado que o nosso trabalho, tem chegado a mais pessoas e isso é bom.

Eu, pessoalmente, tenho recebido grande incentivo para com o projeto e mesmo na página do Facebook da banda os clicks aumentam”.

A teu ver, os Açores são uma Região propícia à afirmação musical? Porquê?

“Os Açores são o paraíso, mas para a música ainda não o são devido à nossa limitação geográfica. Contudo, ajuda se o público se for ‘aberto’ a coisas novas e música original-

Para viver da música cá num formato como o nosso é e será sempre impossível…”.

De momento estão a desenvolver algum projeto?

“Sim, estamos a terminar a gravação de um tema, que será acompanhado de um vídeo também feito por nós.

O tema chama se, ‘a bruma’ e fala de uma pessoa imaginária que chega a São Miguel e vai revelando as suas emoções e o que a ilha tem de natural para oferecer…. O vídeo será simples e nele serão usadas imagens já filmadas e que não foram para este fim, mas que encaixam na perfeição”.

  Que planos reservas para o futuro da banda?

“No futuro continuaremos apenas a tentar melhorar as gravações, criar novos temas e esperar que surjam novas oportunidades de poder mostrar isso ao vivo”.

×
Mega Jovem