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Rust

Créditos de imagem: Google Imagens.

De algum tempo para cá os jogos virtuais adquiriram vários temas, ação, terror, simulação e afins. No entanto, de todas essas temáticas, há uma que tem um maior realce: o estilo de sobrevivência!

Basicamente, esse estilo tem anos, mas teve maior impacto quando começaram a aparecer jogos que tinham por base sobreviver a várias rondas de zombies. O tempo vai passando e mudam-se as vontades e gostos. Os zombies tornaram-se algo comum e ‘enjoativo’ e surgiram várias séries sobre o tema.. Entretanto, surgiu um jogo diferente, o
Rust, um jogo de sobrevivência de mundo aberto, onde o único objetivo é sobreviver o máximo de tempo possível numa ilha com outros jogadores (não vale de nada tentar socializar, aqui ou matas ou morres).

Começando do inicio, este jogo tem vários estilos de servidores, oficiais, comunitários e ‘modded’ (modificados ao estilo do administrador). Recomendo que um jogador novato, sem experiência, comece num servidor ‘modded’ porque a recolha de recursos costuma ser entre 2x a 1000x mais rápida.

No que respeita às regras oficiais, o jogo começa com o avatar a dormir num local, completamente nu (possível censurar nas opções) com apenas uma pedra e uma tocha. Sim, o que faço com isso? Simples, a pedra inicial não facilita em nada, serve apenas para recolha de madeira, minerais e com sorte matar algum outro jogador com ‘loot’ (inventário). Quando o avatar acorda, começa a aventura. Estamos num mundo aberto, sem roupa, sem comida e abrigo e o pior de tudo é termos somente uma pedra para nos defendermos de outros jogadores ou animais. Parece fácil sobreviver!

O melhor é começar a correr e procurar as árvores mais próximas, evitando chamar atenção de outros jogadores, visto o estado de vulnerabilidade. Uma árvore no chão é o suficiente para criar uma lança, que sempre causa mais dano do que uma simples pedra. Este inicio é muito complicado, mas depois de conseguirmos vários recursos, de preferência 2000 de madeira, é possível criar um plano para construção de abrigo, na ausência do qual todo o esforço é em vão.

Ok, no momento que conseguimos um abrigo fechado, podemos começar a armazenar todos os recursos para a finalidade de sobreviver. Neste ponto é possível que estejamos com umas vinte mortes acumuladas. O importante é captar recursos valiosos, momento em que a ação começa.
Vamos explorando a área, procurar monumentos com radiação (sim, estes têm recursos para armas) e procurar fraquezas em bases de outros jogadores para roubar os recursos deles, que sempre é mais pratico do que dar voltas e voltas ao mapa para construir apenas uma arma.

Até agora parece tudo muito fácil, mas Rust é um jogo de vida ou de morte, onde a comunidade é tóxica por natureza e entra logo no estado de gozo no momento que cais no chão sem vida. Mas, se for ao contrário, os outros jogadores vão dizer coisas que talvez nunca ouviste na tua vida. O melhor é rir que isto é o espirito do jogo.

Então eu morro e perco tudo? Não, por isso é que ter abrigos é fundamental para nunca começar o jogo do zero. É necessário ter recursos sempre à mão para recuperar o estado que se perdeu.
Então é impossível deitar abaixo jogadores muito experientes? Esses também caem, os servidores apagam, dão reset chamado ‘wipe’, normalmente de duas em duas semanas para impedir que um só jogador fique na posse do mapa e impeça outros de jogar.  Quando acontece este ‘wipe’, todos os jogadores começam do zero pela sua sobrevivência.

Existem milhares de jogadores neste jogo espalhados pelo mundo, cada um decide como irá jogar pela sua sobrevivência. Uns jogam em equipa, outros preferem uma carreira a solo, uns preferem criar um castelo e vigiar tudo da sua torre, outros apenas lutam com pedras pelas praias pelo gozo e outros ficam apenas a abater qualquer jogador que chegue próximo do seu abrigo. Ou seja, cada um faz o seu próprio estilo, é um mundo aberto em que podemos ser quem quisermos.

Com tudo isto, Rust é um jogo aberto à criatividade do jogador, assim como à inovação de estratégias para sobreviver numa ilha perdida no meio do oceano!

Desmistificando o “Football Manager”: A ténue linha entre o real e o virtual

Créditos de imagem: Google Imagens.

O Football Manager (FM) é um videojogo onde o jogador, assumindo o comando de um clube de futebol, procura levá-lo à glória. Incompreendido por alguns (comentários como: «mas tu não jogas, só vês jogar» são frequentes) e empolgante para outros, a verdade é que o FM consegue “agarrar” qualquer verdadeiro apaixonado pela modalidade. Assim, este conceituado simulador de futebol foi, a determinada altura da minha vida, um “vício” sem precedentes e responsável por algum descuido na escola, “arrufos” com as namoradas, noites mal dormidas, menos saídas noturnas e menos atividade física, o que viria a culminar no inevitável sedentarismo. Dediquei milhares de horas da minha vida a levar clubes como o Águia dos Arrifes, Capelense SC, CD Santa Clara, Operário da Lagoa, União Micaelense e Vale Formoso aos grandes palcos do futebol mundial. Ou até explorando campeonatos em países como a Angola, Arábia Saudita, Bermudas, Ilhas Fiji, Iraque e São Marino.

O momento de viragem deu-se assim que me apercebi de que o Football Manager não era apenas mais um jogo de computador. Estava perante a mais completa base de dados do mundo do futebol e, por isso, existia um número cada vez maior de clubes “reais” que recorriam essa base de dados para a observação de talentos (inclusive na Premier League). Tal só tem sido possível graças à colaboração de milhares de “olheiros digitais”, repartidos por nacionalidades, que têm como função a observação “in loco” dos futebolistas que atuam nos respetivos países, tentando aproximar os seus atributos “in-game” da realidade. Foi então que, nos últimos três anos, o “bichinho” para jogar foi desaparecendo e surgiu o desejo de fazer algo em prol da comunidade de “managers” – comecei a participar em estudos (Lower League Management, treinos e táticas), updates (adicionando ligas jogáveis ao jogo) e traduções de artigos nos mais diversos fóruns. No entanto, isso nunca foi suficiente porque ambicionava ter um papel mais ativo na comunidade.

Em dezembro de 2016, entrei para a Pesquisa Oficial Portuguesa e cumpri esse meu desejo. A Pesquisa Oficial Portuguesa é composta por cerca de 50 “olheiros digitais” e liderada por Bruno Gens Luís e Carlos Bessa. Trata-se de um “hobbie” que nos exige bastante sentido de responsabilidade, ao mesmo tempo que nos alimenta o sonho de seguir uma carreira de treinador de futebol ou, quiçá, de observador. Prova disso é que o nosso antigo coordenador – José Chieira, após anos de trabalho na Pesquisa Oficial Portuguesa, já conta com passagens por clubes como o Sporting CP e Panathinaikos e integra atualmente os quadros do Futebol Clube do Porto. Apesar de ser um trabalho que nos permite criar relações no mundo do futebol, é importante salientar que o nosso trabalho na base de dados portuguesa nada tem a ver com os clubes reais, nem é remunerado pela Sports Interactive (empresa que produz o jogo).

Numa altura em que se fala muito do vício em videojogos, posso dizer que já estou curado do “vício” do Football Manager. Foi a entrada na Pesquisa Oficial Portuguesa que me fez vivenciar o jogo de uma forma mais saudável e responsável.

 

Texto da autoria de Tiago Sousa, jovem de 26 anos. Natural de São Miguel, Tiago Sousa é membro da Pesquisa Oficial Portuguesa e frequenta o mestrado em Gestão de Turismo Internacional.

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