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“AVEIRO DOS ESTUDANTES”

Situada a cerca de uma hora de comboio do Porto: Aveiro, cidade também conhecida como a ‘Veneza Portuguesa’, conquistou-me desde o primeiro momento. Os cinco anos que lá passei foram, sem sombra de dúvida, os melhores de que tenho memória.

A minha aventura em terras aveirenses começou quando fui para lá estudar Tradução especializada em Inglês e Alemão. É verdade que é difícil estar longe de casa, mas os momentos bons (e que estive bem acompanhada) superaram aqueles em que me senti mais sozinha. E, também, é natural, por vezes, sentirmos saudades de casa. Mas, acima de tudo, é preciso ter sempre em mente que toda a experiência contribui para o nosso amadurecimento e aprendizagem pessoal. A partir do momento que estamos por nossa conta numa cidade diferente, o nosso sentido de responsabilidade tende a ficar mais “aguçado”, além de descobrirmos muito sobre nós mesmos.

A Universidade de Aveiro, com os seus espaços amplos e agradáveis, possibilita que se conheça muitas pessoas, oriundas de todo o país, Europa e, até mesmo, de todo o mundo. Estando dividida em departamentos, que estão muito próximos uns dos outros, possibilita, ainda, que se conheça pessoas de outros cursos (e quem sabe um grande amor?). Embora com altos e baixos, a minha experiência académica, no geral, foi bastante positiva. E quanto à praxe: devo dizer que não é nenhum ‘bicho de sete cabeças’ e que vale muito a pena experimentar – mas, claro, ninguém é obrigado. Devo dizer que me diverti bastante nas minhas, que decorreram ao longo do meu primeiro ano, e que terminaram no dia do desfile académico.

Aveiro é uma cidade de muitos encantos. Desde a ria e os seus moliceiros, que romantizam a cidade; a simpatia das pessoas; as salinas e praias de areia branca; passando pela gastronomia (Ovos Moles e Tripas de Aveiro que aconselho vivamente a experimentarem)… Posso dizer que me senti em casa.

Aveiro é uma cidade de estudantes, uma cidade jovem e cheia de vida, que me proporcionou uma experiência inesquecível e que, sem dúvidas, voltava a repetir!

Artigo de opinião da autoria de Bruna Salgueiro, jovem de 24 anos. Natural de São Miguel, Bruna é licenciada em Tradução pela Universidade Aveiro e pós-graduada em Línguas e Relações Empresariais. 

Dos telemóveis aos atos

Se há uns anos atrás era apropriado afirmar «Falar é fácil! Tens de passar das palavras aos atos», agora é mais adequado constatar «Escrever é fácil! Tens de passar das resmunguices digitais aos atos». Pois é. Com os anos a passar, a preguiça e a inação ganham novas formas. No entanto, nós, jovens, não nos podemos esquecer que somos aqueles que mais usam essas formas tecnológicas e, como tal, está nas nossas mãos atribuir-lhes os usos corretos.

Atualmente, o meio mais promissor para difundir opiniões – quer sejam elas rigorosas ou não – está à distância de um clique, de uma rede social. Ora, isto leva a que suceda todo um debate – não necessariamente lógico – em torno de um assunto. Existe notoriamente um uso incorreto destas plataformas para argumentar decentemente, muitas vezes. Agora, isto acontece com os adultos (por assim dizer). E os jovens? Seguem o mesmo caminho de opiniões infundadas e de notícias falsas?

Vejamos, com os jovens, nomeadamente sub 20 ou 25 anos, nota-se uma realidade diferente: os telemóveis («smartphones») passaram ao estatuto de objeto vital, sendo, portanto, legítimo passar o dia todo de cara enfiada nestes aparelhos, com o fim de «comunicar» e bisbilhotar (eu também sou jovem, sei muito bem que um dos objetivos é bisbilhotar!). Este comportamento desconstrói as relações interpessoais, é fácil de entender quando a oralidade é transformada em emojis. Pode parecer ridículo, no entanto, aos poucos perde-se a capacidade oral (até porque emitir vocalmente abreviaturas não parece ser tarefa fácil…).

Se existe uma quebra na capacidade oral, os cidadãos do hoje e do amanhã (todos os cidadãos, portanto) não vão conseguir ter a habilidade de se coordenar em busca de um objetivo comum. É necessário, desde já, encarar a realidade ao vivo e não só através de um ecrã. Até porque com o mundo digital tudo o que foi, anteriormente, mencionado poderá apanhar na teia leitores menos instruídos, fomentando a ignorância.

É necessário ter conhecimento e analisar a realidade de forma a podermos pensar por nós mesmos, termos espírito crítico e termos uma voz ativa e reflexiva.

Não afirmo que as plataformas digitais possuem consequências negativas e pronto. Afirmo, sim, que é necessário usá-las com moderação, respeito pelos outros e tolerância. Isto para não dizer que os meios digitais são importantes plataformas de difusão movimentos humanos em prol de uma cidadania ativa: falo de manifestações, petições, sugestões… Cabe-nos dar o uso correto a tudo isto.

Desmistificando o que foi dito e respondendo às perguntas que os leitores poderão estar a matutar: E onde é que os jovens entram nisto? É preciso começar cedo? Não podem ter outros interesses?

Os jovens, não me canso de repetir, são os agentes da mudança por terem uma predisposição natural à mudança, à experiência e ao progresso – atitude que se vai perdendo com o avançar da idade. Claro que muitos jovens não estão virados para fazer política propriamente dita. Têm toda a legitimidade. Não nos podemos esquecer é que vivemos em sociedade e, como tal, cada indivíduo é um cidadão («O Homem é por natureza um animal político» – Aristóteles), tem uma palavra (ou mais se preferir) a dizer. Tod@s nós somos diferentes, contudo tod@s nós devemos trabalhar para atingir um objetivo comum: a sociedade harmoniosa – uma organização igualitária, justa, fraterna, livre e racional.

Em suma: conviver e sonhar fora dos ecrãs é muito melhor e pode fazer a diferença.

Artigo de opinião da autoria de Pedro Amaral, estudante de 16 anos e aderente do Bloco de Esquerda.

Bullying

Créditos de imagem: Google Imagens.

Quem sofre de bullying, geralmente sofre calado. País e professores pensam que os jovens se encontram seguros e se sentem bem na escola.

Na verdade, na maioria das vezes há essa segurança, mas também há uma percentagem de jovens que sofre todos os dias na escola. Ou por serem frágeis ou por serem considerados ”marrões” (usando a gíria dos estudantes) ou por qualquer outro motivo. Estes alunos mantêm-se calados, sem contar o seu problema, por medo do bully (pessoa que pratica o bullying) ou porque já tentaram fazer queixa e infelizmente não são ouvidos.

Os auxiliares pensam que é coisa de miúdos e deixam passar. Os professores não têm normalmente a noção da realidade do assunto e os colegas desvalorizam. Esses jovens que sofrem de bullying vão crescendo, traumatizados, assumindo sempre para si a culpa da situação por se acharem demasiado feios, gordos ou estudiosos. Em suma, devido à sua baixa autoestima. Os casos de bullying vão sendo sempre abafados, esquecidos, deixados para trás porque ninguém gosta de remexer nestes assuntos.

O pior é que os bullies muitas vezes não percebem o que estão a fazer à vítima, para eles é uma coisa natural pois ninguém lhes explicou que o que estavam a fazer era errado.

Obviamente falo aqui do bullying psicológico, o pior de todos, o que nos deixa as cicatrizes mais profundas, não fisicamente, mas na alma, podendo chegar ao suicídio. A escola não faz nada. Muitas vezes sabe desses casos, mas deixa passar por pensar serem casuais e que não vão voltam a acontecer. Mas voltam sempre a acontecer e o pensamento de que foi uma situação casual continua.

Texto da autoria de Francisco Gomes, jovem de 17 anos.

Ordem, sim. Magia, não.

No próximo dia 20 de março comemora-se o Dia Mundial do Serviço Social. A propósito desta data quero aproveitar para refletir um pouco sobre um assunto que se tem vindo a discutir nos últimos tempos, mas que já se vem a prolongar há 20 anos: a criação de uma ordem dos/as assistentes sociais (OAS).

Antes de avançar com o foco deste texto, é importante definir o Serviço Social, que é “(…) uma profissão de intervenção e uma disciplina académica que promove o desenvolvimento e a mudança social, a coesão social, o empowerment e a promoção da pessoa (…)” (APSS, 2015). É sempre importante relembrar esta definição, pois ainda corre em algumas mentes que o Serviço Social é a profissão daqueles/as que gostam de “ajudar” quem mais precisa.

Agora sobre o foco do texto… a ideia de uma ordem dos/as assistentes sociais é algo que remonta para 1997, ano em que se começaram a dar os primeiros passos no sentido da sua criação. Passados 20 anos, ainda cá estamos a debater sobre o mesmo assunto e eu pergunto-me se fará sentido toda esta discussão, se fará mesmo sentido uma ordem.

Até há alguns dias a minha resposta seria positiva, sem quaisquer ressalvas. Contudo, e recentemente, afirmo que a minha visão se alterou um pouco.

Uma ordem profissional representa uma das formas de reconhecimento de uma profissão perante a sociedade onde esta se desenvolve. Não desvalorizando outras formas de tal acontecer, a verdade é que com as ordens ganha-se o reconhecimento devido das profissões, bem como algumas vantagens.

Uma destas vantagens será, sem dúvida, a regulação da atividade profissional dos/as assistentes sociais. Retomando a ideia de que ainda muitas pessoas desconhecem do que se trata o Serviço Social e, de forma menos correta, o tentam definir e explicar, também a nível do exercício da profissão existe muita incoerência. Na verdade, a lei prevê desde 1939 que apenas os/as titulares da formação em Serviço Social, mais tarde (em 1989) designada de licenciatura, poderão exercer a profissão de assistente social. Contudo, isto mantém-se apenas em teoria.

A realidade é que se encontram profissionais de outras áreas a “carregarem” o título de assistentes sociais, quando na verdade não têm formação para tal. Apesar desta ser uma profissão importante e relevante no nosso contexto, se as pessoas continuam a “desacreditar” o Serviço Social com a falta de conhecimento acerca da sua essência, a apropriação do exercício da profissão por outros profissionais só vem contribuir para que esta situação se perpetue. É neste sentido que considero que a ordem seria de maior valor, por, à semelhança do que já fazem outras ordens profissionais, delimitar e estabelecer parâmetros para o exercício da profissão, reforçando, desta forma, o que a lei prevê.

Outra vantagem que a ordem poderá trazer é a nível da formação e da investigação. O Serviço Social é uma profissão de intervenção, mas também, uma disciplina académica. Uma vez mais, a realidade é que os/as assistentes sociais “reconhecem-se” facilmente por ser-lhes tão caraterística esta componente interventiva. Não nos desfazendo desta, é importante que se aposte mais na componente de investigação que, por sua vez, contribuirá para a ampliação e aprofundamento do conhecimento específico em Serviço Social e, ainda, enriquecerá a prática e vice-versa. Neste sentido, a OAS, como entidade em prol da profissão, procurará o enriquecimento da mesma, apostando nesta vertente. Uma ordem profissional poderá (e deverá), também, preocupar-se com a formação dos seus profissionais, procurando, sempre dentro dos parâmetros legais, apostar na atualização das diferentes ofertas formativas existentes, bem como, na congruência entre estas.

São várias as vantagens acerca da criação de uma ordem dos/as assistentes sociais que se poderão enumerar. Contudo, e porque o texto já se torna longo, gostaria de chegar ao último ponto: o porquê da minha opinião se ter alterado um pouco.

O/a assistente social, assim como qualquer profissional, não poderá acreditar que “por magia” as coisas se resolverão. A verdade é que a tendência é nos deixarmos levar pela comodidade e pelo conformismo, tornando os nossos papéis e respetivas funções o menos ativos possíveis. Uma ordem profissional é fundamental para a consolidação de alguns aspetos em relação à profissão e aos seus profissionais, mas não será a solução “para todos os males”. Cada um, por si e em conjunto, deverá procurar a mudança para a evolução contrária à passividade e ao conformismo, infelizmente, presentes.

Afinal de contas, os/as assistentes sociais “querem” o desenvolvimento e a mudança, certo?

Texto da autoria de Paulo Xavier, jovem de 22 anos. Natural da ilha de São Miguel, Paulo formou-se em Serviço Social na Universidade dos Açores

Somos hipócritas.

Caros homens,

Este texto é, especialmente, para n(v)ós, mas, mulheres, sintam-se à vontade para o lerem também. Começo, então, por vos abordar com a seguinte afirmação “Vivemos no século XXI”, para a qual, provavelmente, surgirá a pergunta: “Sim e depois?”. Ora se vivemos no século XXI, como é possível existir tanta atitude e tanto comportamento retrógrado e preconceituoso em relação às mulheres? Sim, o assunto é mesmo este.

No passado dia 8 de março assinalou-se o dia da mulher. Um dia histórico que marca algo importante para todas as mulheres – a igualdade entre ambos os géneros, nos seus vários domínios. Comemora-se este dia pela conquista das mulheres, perante sociedades machistas, sexistas e conservadoras, dos seus direitos e do seu reconhecimento enquanto seres plenos e capazes que o são.

A verdade é que, nos dias de hoje, as mulheres são vistas e tratadas com mais respeito, maior igualdade e mais dignidade. Mas, apesar de tudo isto, eu pergunto-me: “Será isto realmente verdade?”.

A resposta, mesmo sendo óbvia, merece ser escrita. “Não”. As mulheres, apesar do muito que já conseguiram, são ainda alvo de muita desigualdade nos seus locais de trabalho, nas ruas por onde andam e nas suas casas. São muitas as circunstâncias nas quais as mulheres são alvo de discriminação e de preconceito vindo de mentes “paradas no tempo”, mas aqui pretendo focar-me num aspeto em concreto.

Então é assim. Nós, homens, somos muito hipócritas. Calma, não me atirem com as pedras já, eu explico. Digam-me, como é possível dizer-se haver tanta igualdade e tanto respeito pelas mulheres, quando as mesmas são injuriadas, difamadas e reprimidas, de uma forma recorrente, por nós? Não estão a perceber? Eu dou um exemplo (talvez polémico pela divergência de opiniões e de gostos). Está de volta um reality show muito conhecido por todos nós e com ele vêm os comentários retrógrados, machistas e sexistas de sempre ao passarem certas imagens nas televisões.

Se, por exemplo, alguma mulher neste programa se senta no colo de um rapaz ou de vários rapazes, se beija e abraça algum ou alguns rapazes, se faz uma dança (sensual ou não), se usa uma roupa mais curta e justa, é logo chamada de quê? De oferecida, de desavergonhada, de mulher pouco séria e por aí fora. E, atenção, estes são termos e comentários “não tão diretos” como os que são mesmo ditos. E quem fala deste reality show fala de qualquer outro concurso, programa, local, situação, momento no qual as mulheres são sempre apontadas como culpadas. Culpadas de serem seres livres, críticos, sensíveis, ousados, sexuais e muitos mais. São culpadas quando os homens não o são. Mas porquê? Qual a grande e misteriosa diferença para, ainda, se ver estas coisas acontecerem como se fossem normais?!

Se falamos de igualdade, falamos de igualdade para ambos e, se falamos de desigualdade, também o fazemos para ambos. Eu considero isto tudo uma grande hipocrisia, porque tanto falamos de igualdade e de respeito, quando, na verdade, nem somos capazes (sim, porque penso que isto já será mesmo uma questão de incapacidade) de perceber que certos comportamentos e certas palavras vão contra o que defendemos? Atenção que eu não me julgo nenhum deus, seja ele qual for, muito menos perfeito, mas acho que sou incapaz de fazer ou dizer tais coisas, até porque, se eu fosse uma mulher não me sentiria respeitada e tratada de forma igual. Não será hora de sermos mais empáticos e não somente simpáticos para com as mulheres? É que, no final das contas, os corpos e as mentes são delas e não n(v)ossos.

E, mulheres, esta parte é para vocês. Não dediquem o vosso tempo a tentarem-se derrubar umas às outras, por favor. Já não basta os homens fazerem-no, mesmo achando que não? É através da união, não só em marchas, em manifestos, nas redes sociais, mas, também, no dia a dia, que deverão combater todo este estigma, preconceito e desigualdade que, infelizmente, ainda existe.

Em jeito de desfecho, quero aproveitar para deixar claro que, caso não tenha sido percetível (vai se lá saber), eu sou homem e contra mim, também, falo. Afinal, repito: não sou deus, nem perfeito, mas sou capaz e quero respeito pelas mulheres!

Texto da autoria de Paulo Xavier, jovem de 22 anos. Natural da ilha de São Miguel, Paulo formou-se em Serviço Social na Universidade dos Açores

Voluntariado vale a pena?

Quando vemos as notícias, parece que o voluntariado deixou de ter o seu propósito.  ONG’s (Organizações não Governamentais), em que os seus presidentes usam o dinheiro das doações para benefício próprio, membros destas organizações a beneficiarem-se só por simplesmente estarem lá para terem o seu “prestígio social”, projetos em que a sua intenção não é ajudar os outros, mas sim burlarem, questionamos se o voluntariado vale a pena?

Mas o que é afinal o voluntariado? Existem vários tipos de resposta. Podem haver aqueles que dizem que é trabalhar de graça ou dar alguma coisa sem receber algo em troca ou beneficiar o outro. Todos estão certos, mas acima de tudo, o voluntariado está relacionado com altruísmo. Somos das poucas espécies em que existe esta solidariedade entre nós, talvez porque somos um ser social e por temos esta “obrigação” de haver entreajuda. Talvez porque nos apercebemos que estamos num mundo que não é perfeito e que queremos que o mundo do amanhã seja melhor que o de hoje e constatamos que nos sentimos gratificados em ajudar outros sem ter nada em troca, ao ver o sorriso do beneficiado.

Porém, mesmo após a definição de voluntariado, está a haver uma descida na taxa de voluntariado em Portugal. Pois claro, uma pessoa vê notícias negativas na televisão acerca do assunto, pelo que o voluntariado, as ONG´s e os seus membros ficam logo descredibilizados aos olhos da população, pois uma paga por todas. Mas, mesmo que haja esta desconfiança perante as ONG´s, podemos e quando falo em podemos, falo mesmo toda a gente, independentemente de todas as cores, origens, penteados, olhares, extravagâncias, religiões, estatura, idades e profissões.  PODEMOS fazer voluntariado na mesma, não precisamos de ir no verão para o estrangeiro, conseguimos fazer no nosso “bairro”: doar sangue, roupa, etc. Por mais incrível que pareça, a mais pequena ação de ajuda faz uma diferença enorme na vida do outro.

No entanto, não se deve desvalorizar as ONG´s, elas fazem uma grande diferença nas vidas das pessoas, talvez esse era o meu próximo ponto, o papel da comunicação social na sociedade. Infelizmente, estamos numa época, em que as pessoas leem cada vez menos, o que leva a uma diminuição da receita, o que faz com que cada vez mais haja uma aposta em notícias sensacionalistas. Acaba por ser mais “conveniente” para um jornal dizer que houve um roubo de um membro do que uma boa ação, o que leva a que haja um estereotipo negativo para o voluntariado.

Um bom voluntário é aquele que não se gaba por ter beneficiado alguém, mas talvez para combater esta descrença, seja melhor começar a promover ações que mudaram realmente o mundo. Por exemplo, o caso com maior sucesso é o da imunização contra a poliomielite. Em meados do século XX, a poliomielite paralisava, todos os anos, centenas de milhares de pessoas. Hoje a taxa de incidência do vírus desceu mais de 99%. Isto foi possível não apenas porque na década de 50 foi descoberta uma vacina, mas também porque mais de 10 milhões de voluntários de todo o mundo e de diversas organizações se mobilizaram nos esforços de vacinação de mais de dois mil milhões de crianças em 122 países.

O voluntariado não é fácil, ninguém disse que o era, é muito difícil, complexo, depende muitas vezes de razões externas e talvez o sistema económico não seja o melhor. Para haver a confiança das pessoas é necessário haver transparência, ter uma visão de longo prazo, há que saber utilizar melhor as doações feitas, é preciso combater os casos de fraude e promover os casos de sucesso. Não sou ninguém, dizendo o que os outros devem fazer, mas alguém consegue viver ou dizer aos seus netos que viveu numa época, marcada pela desflorestação no Brasil, pela pobreza em África, pela perda de direitos humanos em boa parte dos países, entre outras muitas coisas? Outra vez, não estou dizendo o que tu deves fazer, mas estou aqui dando a minha opinião, dizendo que o voluntariado é importante.

Só deixamos de fazer voluntariado, quando não for mais necessário, ou seja, quando não houver problemas para as gerações futuras. Quando o mundo atual viver em paz e com dignidade. Respondendo ao título, se o voluntariado vale a pena? Como Fernando Pessoa dizia:” Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

 

Texto da autoria de Diogo Pimentel, jovem de 19 anos. Natural de Ponta Delgada, Diogo estuda Economia na Universidade dos Açores. É, também, presidente da AIESEC, organização não governamental gerida por jovens que visa alcançar a paz e desenvolver as potencialidades do ser humano.

Psicomotricidade? Reabilitação Psicomotora? O que é? Testemunho de uma estudante

Créditos de imagem: Filipa Rebelo: tapete sensorial desenvolvido no âmbito da licenciatura de Reabilitação Psicomotora.

Sou a Filipa, tenho 20 anos e estou no terceiro e último ano da licenciatura em Reabilitação Psicomotora, na Faculdade de Motricidade Humana – Universidade de Lisboa.

Desde o secundário, esta foi a minha primeira opção por saber que poderia ajudar e fazer diferença na vida de alguém e, ao fim de três anos, estou certa que fiz a melhor escolha. É um curso interessante e curioso por ainda não ser conhecido em todo o lado. Fez-me explorar, aprofundar e querer espalhar isto da “Psicomotricidade”. A Psicomotricidade é uma ciência e terapia que tem como principal instrumento o corpo em movimento para o desenvolvimento de competências afetivas, cognitivas e emocionais, daí se justifica que Psicomotricidade advém da junção dos termos “psique” que significa mente/alma e “moto” que quer dizer mover frequentemente.

A população dos psicomotricistas (designação dos profissionais em Reabilitação Psicomotora) vai desde os 0 aos 100 anos, já que atua em diferentes vertentes, tais como terapêutica/reeducativa, educativa ou preventiva. Posto isto, a intervenção psicomotora tem como foco os processos de aprendizagem e de comportamento motor por meio das características do sujeito, como as suas adaptações a nível cognitivo, físico e socioemocional para que o resultado seja uma melhoria da qualidade de vida e promoção da saúde. Para a intervenção ser bem-sucedida, o psicomotricista terá de ver o seu cliente no seu meio e ter em conta não só fatores pessoais, como familiares, mas também da própria comunidade. Os psicomotricistas intervêm então, principalmente, com pessoas com deficiência ou incapacidade, demências, perturbações do desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e, ainda, pessoas com deficiência mental.

Mas e onde trabalham os psicomotricistas? Em qualquer lado onde a Psicomotricidade como área de intervenção seja bem-vinda, podendo ir desde hospitais, centros de saúde, serviços de psiquiatria e pediatria, instituições privadas de solidariedade social, lares e centros de acolhimento a crianças e jovens, centros de dia e lares para idosos, creches, jardins de infância, clínicas privadas, centros de atendimento a pessoas com toxicodependência e escolas.

A imagem apresenta um tapete sensorial que permite experimentar diversas texturas e sensações através do toque, como algodão, plástico, esponja, areia, folhas e madeira. Contém, ainda, números complementares que podem ser utilizados em simultâneo para estimulação da cognição.
O tapete sensorial foi desenvolvido no âmbito da licenciatura Reabilitação Psicomotora.

Texto da autoria de Filipa Chálim Rebelo, jovem de 20 anos. Natural da ilha de São Miguel, Filipa estuda Reabilitação Psicomotora na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa.

O que há para fazer pela comunidade LGBT em Ponta Delgada

Ponta Delgada tem muito a fazer em prol da comunidade LGBT, sigla que se refere a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros…Cada vez mais se ouve dizer que Ponta Delgada está cada vez mais aberta em termos de sexualidade e em termos de aceitação entre todas as orientações sexuais, mas infelizmente não é bem assim.

Ainda há muito preconceito, muito falatório e muita recusa pelas diferenças entre seres humanos. Ainda existe a mentalidade de que ver um casal heterossexual “na marmelada”, ou seja, em contactos considerados íntimos, é menos incomodativo comparado ao ver um casal homossexual acariciando-se, de braço dado ou de mão dada.

Na cidade de Ponta Delgada ainda há muita coisa a fazer para garantir a inserção de todas as camadas sociais. É preciso, em primeiro lugar, desmistificar a ideia estereotipada de que a comunidade LGBT se foca apenas em festas, paradas e afins e que um homossexual é alguém espalhafatoso, criador de enredos e confusões. Pelo contrário. Isto prende-se com a personalidade de cada um, não com a sua orientação sexual.

Em segundo lugar, é fundamental oferecer serviços e espaços que, ao contrário do que as pessoas pensam, não têm o propósito de nos segmentarmos da sociedade, mas sim de estimular a instauração do comércio e dos serviços em prol da comunidade LGBT e das restantes comunidades. É necessário estimular cada vez mais o turismo vocacionado para a comunidade LGBT e haver um equilíbrio para não gerar um défice do desenvolvimento sustentável turístico.

Em terceiro lugar, e não menos importante, é vital que os espaços públicos, de entretenimento noturno, por exemplo, saibam aceitar e acolher todas as camadas sociais sem descurar dos conteúdos legais.

Concluindo, é importante seguir estes passos para que se possa integrar com maior facilidade a comunidade LGBT na sociedade.

 

Texto da autoria de Pedro Morais, jovem de 22 anos. Natural de Lisboa, Pedro vive em Ponta Delgada, onde estuda Turismo e pertence à comunidade LGBT

“Há mar e mar, há ir e voltar” – a minha experiência

O meu nome é Neuza, vou fazer 20 anos e estou neste momento a frequentar o meu segundo ano no curso de Comunicação Empresarial no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP). Cresci e sempre vivi em São Miguel, até tomar a decisão de ir viver para o Porto e prosseguir os meus estudos académicos.

Sempre tive em mente que iria sair para continuar a estudar porque, infelizmente, a Universidade dos Açores não me oferecia aquilo que queria. Então, mentalizei a minha família e, principalmente, mentalizei-me de que seria a melhor coisa a ser feita.

Eu tinha um plano e tudo na minha cabeça, parecia não ter falhas. Obviamente acabei por me desiludir.

Por mais que tentemos, é impossível fazer tudo à nossa maneira e vamos falhar redondamente até aprendermos. Eu cresci imenso nestes quase dois anos e aprendi muita coisa e uma delas é que há situações que nos ultrapassam e não podemos fazer nada em relação a elas, então conforma-te com aquilo e segue em frente.

Ser estudante deslocado é sinónimo de coragem, de nostalgia e de orgulho pela terra que nos fez nascer.

O melhor de estudar fora é voltar é receber todo o amor que a ilha tem para dar, não existem palavras que expliquem o sentimento de voltar a casa.

Por isso, se queres sair e seguir o teu futuro “lá fora”, lembra-te de que nem tudo vai ser perfeito, que vais falhar e é normal, mas que também vais aprender muito. São os melhores anos da tua vida, aproveita!

Texto da autoria de Neuza Carvalho, jovem de 19 anos. Natural da ilha de São Miguel, Neuza estuda Comunicação Empresarial no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto.

 

Pré-conceito, preconceito, desrespeito

“A história deste adorno tem início com as primeiras comunidades e clãs das etnias ancestrais. Estava presente nas tribos de todo o planeta, nas castas indianas, entre os faraós egípcios e legionários romanos. A partir de 1970, eclodiu mais uma vez através dos ícones da moda londrina e dos criadores artísticos que frequentavam o circuito alternativo. O seu retorno atinge o pico nos anos 90.”

Esta é a introdução que, na maior parte dos casos, quem tem piercings em zonas do corpo ditas “estranhas” tem vontade de dar a quem aborda o assunto com tom de escárnio (tom esse que muito facilmente se revela como ignorância).

Tendo piercing no septo nasal desde os 16 anos, já foram muitas as situações que me “passaram pelas mãos”, mas, acima de tudo, fui reparando que existem quatros grupos de pessoas: os que gostam e se interessam pelo tema, os que não gostam, os neutros e os repetitivos.

Os interessados fuzilam-nos com questões como o motivo pelo qual foi feito, se foi autorizado ou às escondidas, a reação quando souberam, sendo que a curiosidade se prolonga a questões afetas ao nível de dor que causou.

Do lado oposto, surgem aqueles que não gostam e nada os fará mudar de ideias. Grupo este onde existe o preconceito e o retrocesso social. Ou seja, o que seria um simples adereço ou símbolo pode ser alvo de preconceito, prejudicar na procura de emprego, entre outras situações. Costuma-se dizer que são gerações mais antigas que não acompanham a moda que tem sido adotada entre os jovens. Não é verdade. Cada vez mais se nota que esses mesmos jovens é que são preconceituosos entre eles. De certa forma, parece que sentem uma frustração interior e pessoal por não serem ou fazerem aquilo que realmente querem e descarregam nos outros todas essas inseguranças e frustrações.

O nicho, cujos membros são, por mim, apelidados de neutros. São aquelas pessoas que não têm ou não querem ter voto na matéria porque simplesmente o assunto não é com elas. Boa atitude, gosto destes.

E, por fim, mas não menos importante (muito pelo contrário), os repetitivos. Este é o “grupo” de pessoas mais chato. São aqueles que mandam tentativas de piadas, redondamente falhadas, que já estás farto de ouvir, achando que são os primeiros a dizê-las. Piadas geniais como “já te disseram que pareces um boi?”, “dá mesmo vontade de puxar isso”, “tens ranho no nariz”. É um fartote de rir com eles. Mentira.

Em suma, sei que nunca existirá um único grupo. Porém, se cada um se preocupasse com o seu próprio piercing, não teria de olhar ou opinar sobre o do vizinho. Quem tem tempo para opinar sobre os outros é quem não tem uma vida suficientemente rica ou feliz, logo deveria trabalhar nisso ou tirar um curso de body piercer.

Texto da autoria de Bernardo Mendes, jovem de 21 anos. Natural da Ericeira, Bernardo estuda Publicidade e Maketing na Escola Superior de Comunicação Social. Atualmente, Bernardo dedica-se à fotografia.

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