Entrevista a Carolina Torres

Com apenas 22 anos, Carolina Torres irá representar os Açores naquela que é uma das melhores instituições de ensino superior a nível internacional, o Colégio da Europa. Natural de Rabo de Peixe, a jovem açoriana prepara as malas para ir para Bruges, Bélgica.

 

Porquê Estudos Europeus e Política Internacional?

“Curiosamente, o meu sonho era ingressar na licenciatura de Direito. Mas, durante o meu percurso no ensino secundário, eu escolhi a disciplina de Geografia C, cujo o programa era sobre a economia e política internacionais e apercebi-me que era boa nestas áreas. Então, vi que a Universidade dos Açores tinha a licenciatura em Estudos Europeus e Política Internacional e candidatei-me logo. Não podia ter feito melhor escolha. Não me arrependi nada e gostei imenso da licenciatura. Recomendo vivamente”.

Qual a relevância dessa área?

“É uma área extremamente importante e que influência, sem sombra de dúvida, a vida de cada um. Nós estudamos a teoria política, a teoria das relações internacionais e, muito importante, a história. Dá-nos todas as ferramentas para podermos analisar e ter uma visão crítica acerca da política.

Pode parecer estranho estudar política, visto que atualmente há uma conotação muito negativa, mas não nos podemos esquecer que é uma das atividades mais nobres pois o Estado existe para defender os interesses dos seus cidadãos”.

Acha que a área de política internacional é devidamente valorizada?

“Não. Infelizmente, só por ter a palavra política, traz logo uma conotação muito negativa e perguntam-nos, de imediato, se vamos ser corruptos. Mas é uma área extremamente interessante e que requer muita cultura geral e muito conhecimento e permite-nos compreender o que se passa na ordem internacional e o porquê os Chefes de Estado e do Governo agem de determinada maneira e por que é que está a existir tal guerra naquele lugar”.

 Como teve conhecimento do Colégio da Europa?

“Tive conhecimento do Colégio da Europa no meu primeiro ano da licenciatura, em 2014. O meu diretor de curso falou sobre esta instituição e alertou-nos que o Governo Regional dos Açores tinha uma bolsa completa para esta instituição.

Quando eu cheguei a casa, fui pesquisar sobre o Colégio da Europa e estive a ver a oferta letiva deles e foi como um ‘amor à primeira vista’, fiquei muito interessada nos cursos que eles ofereciam e, a partir daí, comecei a trabalhar para conseguir entrar no colégio da Europa”.

Trabalho em que sentido?

“De me empenhar o máximo nos meus estudos e adiquirir boas médias, já que um dos requisitos para frequentar o Colégio da Europa incide na média. Mas não se tratam apenas de valores, já que a assimilação de conhecimentos é outra componente importante”.

Carolina Torres no Parlamento Europeu

Quando teve a resposta oficial, como reagiu?

“Fiquei muito emocionada e surpreendida. Não estava à espera de uma resposta positiva. Apesar de ter trabalhado muito para conseguir entrar no Colégio da Europa, não acreditava que eu iria conseguir entrar, até porque não domino muito bem o francês. Mas, assim que recebi a resposta positiva do Colégio da Europa, foi uma alegria enorme, foi um sentimento de alívio porque todo o processo de admissão do Colégio da Europa é muito longo, passamos por várias etapas”.

Anteriormente, esteve na Bélgica através do protocolo que a eurodeputada Sofia Ribeiro estabeleceu com a Universidade dos Açores. Como foi a experiência em Bruxelas?

“Uma experiência muito boa. Tive a oportunidade de visitar várias instituições da União Europeia, nomeadamente o Comité Económico e Social, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia.

Na Comissão Europeia fomos recebidos pelo Comissário Europeu, Carlos Moedas. Tive também a oportunidade de visitar a sede da NATO e de visitar o próprio Colégio da Europa. Foi, sem sombra de dúvidas, uma experiência muito boa, que me permitiu conhecer a realidade das instituições europeias e perceber como é que elas realmente trabalham”.

Será a única açoriana numa das melhores instituições europeias. Como se sente em relação a isso?

“É um pouco assustador porque vou para um sítio com pessoas de todas as nacionalidades e com experiências de vida muito distintas, enquanto eu venho de uma Região Ultraperiférica. Mas, por outro lado, sinto muito orgulho em mim própria por representar os Açores e a própria Universidade dos Açores no Colégio da Europa e estou muito agradecida ao Governo Regional por me ter atribuído uma bolsa completa, sem a qual não seria possível sequer sonhar com o Colégio da Europa”.

Que cargo gostaria de vir a assumir na área em questão?

“Gostaria muito de trabalhar nas instituições europeias. Fascina-me muito esta organização de Estados supranacional pois graças à União Europeia, a Europa vive num período de paz nunca antes vivido e luta para defender os interesses dos seus cidadãos, embora muita gente não acredite no projeto de integração europeia.

Gostaria muito de poder vir a trabalhar para a União Europeia e poder lutar por este projeto que mudou muito a nossa vida”.

Quais são as suas expetativas relativamente ao Colégio da Europa?

“Acredito que esta experiência no Colégio da Europa vai ser muito enriquecedora tanto a nível profissional, como pessoal. Acredito que vá ser uma experiência que me vai mudar a vida. Vou ter aulas com os melhores professores da área e ter a oportunidade de conhecer grandes personalidades políticas da atualidade e ter uma noção da realidade do projeto de integração europeia”.