Créditos de imagem: Tiago Pereira.

Tem 27 anos, é licenciada em Ciências da Nutrição e formou-se em Design de Moda na Lisbon School of Design, em 2018. Apaixonada por moda minimalista, aliada à Natureza e ao bem-estar. Carolina Moreira lançou, recentemente, a marca de vestuário sustentável ‘LUS’. 

 

No âmbito do design quem é que te inspira?

“Inspira-me quem segue os mesmos ideais que eu e marcas e/ou designers que marquem a diferença no mercado. Um exemplo é a Ryan Roche, uma marca que tem um design extremamente simples e minimalista que eu aprecio muito. Outro exemplo é a VOZ, uma marca com um conceito e um propósito muito especiais”.

Como é que surgiu o teu gosto pelo design?

“Sempre gostei de artes e tudo o que está relacionado. Nunca explorei. Em 2015, quando comecei a desenvolver o meu antigo projeto de moda, senti uma grande necessidade de aprender mais.

Entretanto, comecei a trabalhar na área da Nutrição e a coisa ficou adormecida. Em 2017, foi quando decidi arriscar e levar adiante o meu sonho e gosto pelo design”.

A teu ver, qual é a importância do design?

“Para mim, a importância do design está, em grande peso, na comunicação. É através do design que se consegue transmitir uma ideia, um conceito, um sentir. Para mim, o design é um expressar de emoções, as quais ganham vida através da arte desenvolvida. É pura comunicação!”.

Qual a escola que frequentaste no ensino secundário e qual a área de estudos que escolheste? Porquê essa área?

“Frequentei duas escolas: Escola Secundária das Laranjeiras e Escola Antero de Quental. A área escolhida foi a de Ciências e Tecnologias pois, não sabendo ainda o que gostaria de exercer no futuro, pensava que era a área que abrangia mais opções profissionais. Foi a opção que me pareceu mais segura”.

Após o secundário enveredaste pelas Ciências da Nutrição e, posteriormente, integraste a Lisbon School of Design. Como descreves a experiência?

“Após o secundário, licenciei-me em Ciências da Nutrição e exerci a profissão durante dois anos. Só depois é que decidi seguir um sonho antigo de lançar a minha marca e, para isso, foi necessário formar-me em Design de Moda, uma vez que não tinha qualquer experiência na área.

Escolhi a Lisbon School of Design porque, na altura em que estava a pesquisar as escolas, senti que seria o local certo para me formar. Gostei dos testemunhos, das instalações e do conteúdo programático que o curso oferecia.  Foi uma experiência encantadora, a qual vivi de sorriso de orelha a orelha desde o primeiro dia. Fui muito feliz ao longo do curso, aprendi imenso”.

Terminaste o curso este ano e já apresentaste a marca de vestuário LUS. Um grande marco, certo?

“Já fui para o curso com o objetivo de lançar a LUS, por isso, fui sempre trabalhando nos dois em paralelo, juntando o útil ao agradável. Estou muito feliz por ter conseguido alcançar os meus objetivos”.

O que te inspirou no desenvolvimento da marca e da coleção?

“A Natureza, sempre. O conceito da minha marca surge após eu ter ganho consciência das consequências negativas da indústria da moda no meio ambiente. A

segunda indústria mais poluente do mundo, a seguir ao petróleo, é a indústria da moda. Sendo eu uma pessoa extremamente ligada à natureza, decidi, dentro do meu sonho, criar uma marca que respeitasse os meus ideais e que respondesse às necessidades urgentes do planeta. A mudança começa em nós, não podemos simplesmente ficar à espera que ela aconteça.

A coleção de apresentação, Délicat AW18, foi inspirada no famoso kimono japonês e na flor tulipa, cujos elementos foram transportados para as peças, respeitando o estilo minimalista que caracteriza a marca. A paleta de cores utilizada foi inspirada nos tons da natureza, sendo que foram aplicados essencialmente tons neutros”.

A que se deveu a escolha do nome da marca?

“A escolha do nome foi um desafio muito grande, uma vez que eu sou uma pessoa extremamente exigente e pretendia um nome com muitos requisitos.

Um deles era que fosse um nome pequeno, fácil de pronunciar, nas mais variadas línguas. Também tinha de transmitir a mensagem do propósito da marca. Então, comecei por pensar nas várias características que definem o meu estilo enquanto designer: leveza, autenticidade, simplicidade/minimalismo.

Daí surge LUS. Além disso, LUS, oralmente parece luz. E é! Luz é divino, é amor e partilha. Não podia ser outro nome!”.

Quanto tempo foi necessário para lançares a LUS? Fala-me um pouco sobre todo o processo de preparação da LUS.

“Eu demorei cerca de um ano para lançar a LUS. O processo começou na definição do conceito, do propósito da marca e, a partir daí, tudo o resto foi surgindo.

É um processo longo pois existem muitas etapas pelo meio. Numa fase inicial, optei por escolher os tecidos e materiais que queria usar na coleção de apresentação e, daí, começou todo o processo criativo.

Depois da coleção desenhada, mandei produzir. Entretanto, surgiu a fase em que era necessário dar nome e imagem à marca e, depois de já o ter escolhido, contratei uma grande amiga designer, a Alexandra Sousa, para me desenvolver o logótipo.

Em São Miguel, organizei a sessão fotográfica para o editorial de moda da coleção, na qual o fotógrafo Tiago Pereira e a modelo Alexandra Gouveia fizeram um excelente trabalho!

Desenvolvi as páginas das redes sociais, Facebook e Instagram, e tudo começou a acontecer. O lançamento da coleção de apresentação da LUS foi realizado num showroom, em Ponta Delgada, para que o público pudesse ter um primeiro contacto com as peças e com a marca.

Trabalhei muito ao longo deste ano e estou muito feliz com os resultados”.

O conceito base da marca assenta naslow fashion por contraponto à fast fashion. Explica-me a diferença entre esses dois conceitos e de que forma é que a slow fashion se apresenta como uma mais-valia.

“A fast fashion consiste num sistema de produção de moda atual que prioriza a produção em massa de pouca qualidade, a globalização, o apelo visual, a novidade e a dependência. Além disso, oculta os impactos ambientais causados na produção e o custo em mão-de-obra e materiais baratos.

É um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados de forma extremamente rápida, o qual contribui para uma incalculável acumulação de resíduo têxtil em aterros sanitários, diariamente, a nível mundial.

A slow fashion, pelo contrário, valoriza a durabilidade e qualidade do vestuário, sendo que o lema é: antes a menos e de melhor qualidade, que dure mais tempo, do que a mais e descartável. Valoriza, ainda, o que é local, o comércio justo, praticando preços reais que incorporam custos sociais e ecológicos e mantém a sua produção entre pequena e média escalas, de forma a evitar o desperdício e a massificação. É um sistema transparente, entre quem produz e quem consome e um dos principais objetivos é que haja um consumo mais responsável e menos impulsivo, mais consciente e amigo do ambiente.

A slow fashion surge como uma alternativa socioambiental mais sustentável no mundo da moda e, posto tudo isto, é, sem dúvida uma mais valia para todos nós optarmos por adotá-la”.

 Que características diferenciam a coleção ‘Délicat Fall 2018’?

“O design único e a qualidade do tipo de tecidos e materiais utilizados”.

 Que materiais são utilizados no fabrico das peças?

“Os materiais que a LUS utilizará no fabrico das suas peças serão sempre naturais e biológicos, amigos do ambiente e isentos de químicos prejudiciais à saúde ambiental e humana.

Na coleção Délicat, por exemplo, foram utilizados materiais como o algodão, linho e seda de bamboo”.

 Quem fabrica as peças?

“Eu desenvolvo toda a parte do design das coleções, escolha dos materiais e tudo o que está envolvido na gestão da marca.

A confeção das peças é feita por uma grande amiga, ex colega de curso, com muitos anos de experiência e um dom gigantesco. Confiei-lhe cada uma das minhas peças e não quereria que tivessem sido feitas por mais ninguém.

A Gabriela Murga é uma excelente profissional, apaixonada pelo que faz, e coloca em cada peça todo o seu coração e atenção. Eu desenho e ela torna as peças reais, tal e qual como as idealizo. Seria impossível fazer tudo sozinha.

O tempo de produção depende muito do tamanho da coleção e de outros fatores, mas, para a produção de uma coleção pequena, duas a três semanas serão suficientes”.

A coleção ‘Délicat Fall 2018’ destina-se a senhoras, mas também ponderas integrar peças para homem. Podes adiantar alguns pormenores sobre essas peças?

“Nas próximas coleções pretendo ter peças tanto para homem como para senhora, respeitando as mesmas linhas e estilo minimalista que definem a marca”.

Qual é o teu próximo passo?

“O próximo passo é continuar a lutar para que a LUS se torne cada vez mais conhecida e apoiada e, assim, dar continuidade a este projeto tão especial”.

Quais são as tuas expectativas?

“Confesso que prefiro não ter grandes expectativas. É um projeto que tem um propósito muito bonito, ao qual entrego-me de coração e alma e é nisso que eu confio. O resto há de vir”.