Créditos de imagem: Laure Geerts, Timothy Lima.

Entrevista a Flávio Cristóvam

Natural da ilha Terceira, Flávio Cristóvam é um artista independente que cresceu num ambiente musical e culturalmente rico. Recentemente, o jovem obteve uma menção honrosa e o primeiro lugar no International Songwriting Competition com o single ‘Faith & Wine’.

Tudo começou com o avô, fundador da Rádio Clube de Angra, que deixou uma extensa coleção de discos de artistas que acabaram por moldar o gosto musical do jovem.

 

“Recordo-me que nas festas que os meus pais faziam lá em casa, ouviam-se discos de vinil numa jukebox que ainda temos. Acabei por crescer a ouvir Pink Floyd, Supertramp, Dire Straits, Crosby, Stills and Nash, Elton John, enfim a lista poderia continuar durante dias”.

 

Flávio confessou que o seu primeiro contacto com a música revestiu-se de uma certa ‘maturidade’: “No fundo, ouvia coisas que não eram muito próprias da minha idade e que se vieram a revelar como uma bagagem muito importante quando comecei a compor”. O jovem é vocalista, compositor e letrista, ocupações que não lhe acarretam uma preocupação constante. “Não o sinto dessa forma (como uma grande responsabilidade). Quanto muito, uma responsabilidade para comigo mesmo em ser sempre verdadeiro”.

Flávio é um artista independente, uma opção que se apresenta como ‘agridoce’.

 

“É difícil no sentido em que o investimento pessoal e financeiro vem, exclusivamente, do próprio artista. Por vezes, nem o tempo, nem o dinheiro se esticam, mas também tem um lado muito bom… Sou dono do meu nariz e trilho o meu próprio caminho de acordo com aquilo que sinto que é correto para mim. Olhamos para o nosso trabalho e identificamo-nos com tudo o que fizemos”.

 

A guitarra é o seu instrumento de eleição, gosto que foi lhe transmitido em criança. “O meu pai tinha um amigo chamado Peres que tocava muito bem guitarra e que foi cultivando em mim o amor pela mesma. Quando tinha 11 anos, os meus pais ofereceram-me a minha primeira guitarra. O Peres ensinou-me uns acordes e depois nunca mais parei”.

Canta em inglês, algo que considera ser “natural”. “Cresci a ouvir música cantada em inglês, oiço música cantada em inglês e, como reflexo disso, faço música de um determinado género que tem a língua inglesa colada à sua identidade”.

Para o músico “a arte não tem nacionalidade”, implica apenas a presença de sentimento, aspeto que garante ser superior a tudo o resto, logo que seja puro e genuíno. “Já escrevi coisas em português que nunca publiquei. Talvez um dia o faça, mas quando e, se o fizer, será porque me foi natural e não por qualquer tipo de pressão em ser português”.

Aos 14/15 anos escreveu as suas primeiras canções e atuou pela primeira vez em 2008 no Akustic Bar. “Na altura foi muito giro. A sala era pequena e estava cheia de muitos amigos e família que pareceram curiosos”. Um ano mais tarde, acabou por vencer o AngraRock, experiência que adiantou ter sido “muito boa e vivida na altura certa”.

 

“Como cresci a assistir ao Angra Rock, ano após ano, era um pouco uma fantasia minha ganhar o concurso um dia. Na altura foi muito bom para continuar o meu percurso, uma espécie de sinal de que o meu trabalho estava a dar frutos”.

 

Ainda no ano de 2009, o artista descobriu que “a música seria a sua vida”, assumindo-se, desde então, como o seu foco de vida. “A música foi, desde então, o que motiva a acordar todos os dias e a razão para tudo o resto que faço profissionalmente”. Em 2010, já em ascensão, o músico foi eleito Vodafone One’s to Watch Portugal e venceu o LabJovem. Pisou palcos por todo o arquipélago dos Açores, passando por Portugal Continental e Boston.

Flávio revela ser difícil escolher uma atuação, mas destacou as Festas da Praia, em 2012, onde atuou com a banda que fundara, a ‘October Flight’. “Ter um recinto com mais de seis mil pessoas à nossa frente e ver, pela primeira vez, muita gente a cantar connosco músicas que escrevi sozinho no meu quarto, foi algo surreal”.

Dois anos mais tarde, com os October Flight, lançou o disco ‘The Closing Doors’ com a produção de Rui David e presença da Elkie Brooks.

 

O seu single ‘Walk in the Rain’, lançado em 2016, foi incluído na banda sonora do filme ‘A Canção de Lisboa’. Este ano, a 13 de abril, lançou o single ‘Faith & Wine’ que atingiu o número um do chart internacional de cantautores do Itunes e lhe permitiu ficar em primeiro lugar no Internacional Songwriting Competition (ISC).

 

“Talvez o maior marco da minha carreira. Foi a primeira vez que um português conseguiu um primeiro lugar no ISC e saber que o painel de jurados tinha nomes como Tom Waits, Lorde, Grant Lee Phillips, Bastille e tantos outros artistas que admiro tanto… saber que estas pessoas ouviram a minha música e escolheram-na é algo muito estranho, num bom sentido”.

O single mencionado foi escrito pelo jovem em colaboração com Timothy Flores e Tammy Weis e incide, “de uma forma um pouco irónica, na paciência e tolerância enquanto ingredientes essenciais para uma relação de sucesso com outra pessoa”.

Recentemente, o jovem esteve em Bruxelas a dar um concerto nos DADA Studios. Como expectativas futuras, o jovem espera “tocar para o máximo de gente possível, continuar a crescer enquanto músico, fazer e publicar mais música”.

A 8 de junho, Flávio Cristóvam irá apresentar o disco ‘Hopes & Dreams’ no Teatro Angrense. Em Portugal, o disco sairá a 28 de setembro pela sua label Fortitude Records e na Bélgica pela label Butterfly Music / Y-House.

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