A banda açoriana ‘The Code’ apresentou o seu primeiro trabalho de originais em março de 2017 que lhe garantiu muito sucesso. Recentemente, destacou-se no International Portuguese Music Awards nos E.U.A, onde recebeu dois prémios com o tema Fly Higher.

Entrevista a Marisa Oliveira, vocalista dos The Code.

Como se conheceram e formaram banda?

“Conhecemo-nos em 2004, através de um amigo em comum. Já havia banda, apesar de não ter nome. Estavam procurando uma vocalista para o projeto e, depois de terem feito uma espécie de casting e terem apreciado a minha voz, começámos a nossa história”.

A que se deveu a escolha do nome da banda?

“Na altura, julgo ter sido dado esse nome por tocarmos um rock mais ‘pesado’. ‘Negros’ para enfatizar o nosso lado mais rockeiro”.

 Por que se separaram no projeto ‘Anjos Negros’?

“Admito ter sido uma decisão minha. Uma escolha pessoal. Há sempre um tempo certo para tudo na vida. Não me sentia preparada e, consequentemente, afastei-me do projeto. Felizmente, os restantes membros continuaram”.

Que artistas vos influenciam a nível musical?

“São muitos, já para não falar que cada um de nós é influenciado por estilos e artistas diferentes. Podemos falar em Coldplay, U2, Amy Winehouse, Linkin’ Park, Jamiroquai, Alter Bridge, Pink Floyd, vJo9ss Stone etc.”

Atuaram ao vivo, pela primeira vez, em dezembro 2015. Como decorreu a experiência?

“Estávamos todos um pouco nervosos. Foi o meu primeiro concerto ao vivo desde os Anjos Negros (2004). Tocámos em acústico, apenas com voz,       guitarra e piano, mas correu pelo melhor. Fomos bastante apoiados pela família e amigos que lá se encontravam para nos ouvir e dar força. Felizmente, ainda hoje é assim”.

‘Estrada’ foi o vosso primeiro trabalho de originais em formato digital. Como foi a experiência?

“Neste EP constam os nossos dois singles criados em 2012 (Hope Song e What’s Wrong With You). A eles juntámos o tema ‘É o Amor’ que, rapidamente, alcançou o público português. Tivemos o privilégio de conseguir o apoio da Farol Música que, prontamente, se disponibilizou a promover o nosso trabalho junto das plataformas digitais, rádios nacionais e, até mesmo, televisão nacional”.

Porquê a escolha do tema ‘É o Amor’ para single do EP?

“’É o Amor’ foi criado do nada, a caminho do trabalho. Quando vimos o trabalho concluído, sentimos que seria um grande tema e que poderia ser sentido e aceite por muitas pessoas. Pela primeira vez, cantava em português. A letra forte, mas doce poderia ser sentida por qualquer ouvinte e, portanto, acredito ter sido uma ótima escolha. Graças a este tema, alcançámos marcos muito importantes”.

O primeiro EP apresenta músicas em duas línguas. Optaram pelo inglês para alcançar um público mais vasto?

“Costumamos criar músicas sem essa preocupação. Inicialmente, começámos por cantar em inglês talvez por ser uma língua, relativamente, mais fácil de me expressar. O português é uma língua linda, forte e delicada. É uma responsabilidade cantar e escrever em português. Receio que a letra esteja lamechas, que seja mal compreendida. Há que ter mais cuidados do que o escrever em inglês”.

O que pretendem transmitir com a vossa música?

“Uma mensagem de positivismo, esperança e perseverança. Sempre!”.

Qual a vossa atuação preferida, porquê?

“Todas são e foram especiais. No entanto, há sempre aquela que nos marca mais que outra. Penso que as que mais nos marcaram foram as atuações no     Festival das Marés, Chicharro e EUA”.

 Recordam-se de algum episódio engraçado que aconteceu durante a alguma das vossas atuações?

“Agora só me vem à cabeça o momento em que me esqueci da letra de uma música nossa e inventei uma linguagem só minha… Depois disto comecei a cantar a letra correta, mas sempre que me lembrava do que tinha feito há segundos atrás, quase não aguentava o riso”.

 Como tem sido o feedback do público?

“Fantástico. Sem o apoio do nosso público, a certeza daquilo que fazemos seria condicionada. Somos super acarinhados por qualquer público que assiste ao nosso trabalho. Isso é impagável”.

 Estiveram presentes International Portuguese Music Awards, nos E.U.A, onde venceram dois prémios com o tema Fly Higher. Como foi a experiência?

“Surpreendentemente, arrecadámos dois troféus com este tema: Best Rock Performance (Melhor Música Rock) e Song of The Year (Música do Ano). Foi uma experiência inesquecível e que ficará para sempre gravada na história dos The Code”.

É difícil ser-se reconhecido nos Açores no âmbito musical?

“Não só nos Açores. Em Portugal, em geral. O mundo das Artes talvez ainda não tenha o reconhecimento merecido por parte das entidades que, potencialmente, possam apoiar os artistas. Humildemente, afirmo que muito do nosso produto final, aquele que chega até vós, é fruto da nossa dedicação, do nosso bolso, do nosso trabalho… Todos nós, artistas, merecemos apoio, confiança e respeito”.

 De momento estão a desenvolver algum projeto?

“Nunca estamos parados. Chegámos há pouco dos Estados Unidos e já voltámos aos ensaios. Temos a Tour 2018 aí a chegar e, obviamente, queremos ser sempre melhores que antes. Estamos a trabalhar em temas novos, gravações, a pensar nos próximos vídeos…”.

Quais são as vossas expectativas para o futuro?

“Queremos que a nossa mensagem chegue a mais pessoas. Queremos que as pessoas encontrem palavras de esperança na nossa Música.   Queremos unir as pessoas… De resto, é um dia de cada vez. O que           tiver de acontecer, vai acontecer. Estamos a trabalhar para isso”.

 Qual a vossa próxima atuação?

“Atuaremos dia 9 de junho num festival em Providence, Massachusetts. Será o nosso concerto de abertura da Tour 2018. Estamos a trabalhar bastante para que seja perfeito”.