Pedro Vicente é um psicomotricista que se dedicou à música. Em 2017 lançou o seu primeiro álbum intitulado ‘Espera’ e, recentemente, o single ‘Volto a Estar Sozinho’.

É psicomotricista. Há alguma relação entre a sua profissão e a música que produz?

“Enquanto Psicomotricista, o primeiro passo antes de iniciar qualquer intervenção é a criação da relação terapêutica. No entanto, para uma completa adaptação às características da pessoa com quem vou intervir, é fundamental deixar cair uma série de barreiras, (pré)conceitos e limitações e tornar-me perfeitamente disponível para absorver, evoluir e aprender. É esse estado de ‘tábua rasa’ e de ‘espírito aberto’ que privilegia o aparecimento de novas perspetivas e novas ideias que, no meu caso, têm resultado frequentemente em novas canções”.

 Qual a importância da música para a área da psicomotricidade?

“Para qualquer profissional a paixão pela profissão pode fazer a diferença na entrega e na qualidade de trabalho. Na minha profissão, tenho o privilégio de poder usar duas ferramentas que são também duas grandes paixões, a música e o desporto”.

Para si, a música assume-se como um mecanismo terapêutico. Como é que isso funciona?

“A música tem sido um extraordinário aliado terapêutico a dois grandes níveis: Numa primeira fase, assume-se como um facilitador na criação da relação terapêutica.  Durante a intervenção, as suas características únicas ao nível da ativação neuronal e emocional constituem-na um elemento potenciador das diferentes aprendizagens”.

 Em pequeno estudou piano. Porquê esse instrumento?

“Paixão à primeira vista? Conselho sábio dos pais? Talvez um pouco dos dois”.

 Que outros instrumentos aprendeu a tocar?

“Mais tarde no Grupo de Serenatas da Fmh aprendi a tocar guitarra e contrabaixo”.

 Em outubro de 2017 apresentou o seu primeiro álbum ‘Espera’. Como foi experiência?

“Ainda está a ser! Foi o ponto de partida para uma série de novas experiências, contactos, oportunidades…o sinónimo perfeito de estar vivo…experimentar, mudar, descobrir”.

A que se deveu a escolha do nome do álbum?

“Apesar de inesperado, o processo não foi imediato. Houve um tempo de ‘espera’ entre o aparecimento das primeiras canções e a gravação do álbum que serviu para a maturação de várias ideias e também das minhas características enquanto ‘performer’. ‘Espera’ também se repete algumas vezes ao longo das canções, quase como um alerta para a necessidade de, neste mundo de respostas cada vez mais imediatas, se aprender a esperar, parar e dedicar tempo a ouvir, sentir, amar”.

 Por que optou por escolher o tema ‘Mais Um Segundo’ para single?

“A escolha não foi fácil e acabei por recorrer à opinião das pessoas que já conheciam as minhas canções. De qualquer forma, é um tema que traduz bem o modo, simultaneamente apaixonado e descontraído, que tenho de estar na música”.

 O que pretende transmitir com o seu primeiro álbum?

“Contar histórias que possam ser assumidas como suas por quem as ouve”.

 O que o inspira?

“Tudo. A natureza, as relações, as emoções, a própria música”.

 Qual tem sido o feedback do público em relação ao seu trabalho?

“Não podia pedir melhor! Tenho recebido muito apoio e tido o privilégio de tocar sempre em salas cheias de caras sorridentes e coros afinados”.

‘Volto a Estar Sozinho’ é o seu novo single. O que o inspirou para este novo trabalho?

“’Volto a Estar Sozinho’ é um tema que por si só pode descrever uma história de vida. O que o inspira é a extraordinária capacidade que música tem para transcrever emoções. O balanço entre os bons momentos (de conforto, de amor, de proximidade) e os menos bons (de solidão, de dúvida, de tristeza) é marcado por uma intencional sucessão entre acordes maiores e menores, respetivamente”.

Há algum tema seu que tenha adquirido destaque por parte do público?

“As preferências do público dividem-se por uma grande variedade de temas que falam de formas diferentes a diferentes corações. Por enquanto, o tema mais ‘orelhudo’ tem sido o ‘Mais um Segundo’, aquele que as pessoas mais rapidamente começam a cantar durante e após os concertos”.

Quais são as suas expectativas no âmbito musical?

“Para já, continuar a apresentar ao vivo os temas do primeiro álbum e os outros temas originais que pretendo em breve levar para estúdio para gravação de um segundo e quiçá terceiro álbum. Para o futuro, nem o céu é o limite”.

 Já tem concertos agendados?

“A 6 junho estarei no Tokyo (Lisboa – Cais do Sodré) às 23h00. Dias 27 de maio e 23 de junho estarei em dois concertos de solidariedade, a partilhar o palco com grandes nomes da música Portuguesa. Até lá podem acompanhar as atualizações de agenda nas minhas páginas nas redes sociais (Pedro Vicente Music)”.