Natural de São Miguel, Romeu Bettencourt é um jovem designer que se tem destacado pela criação de joias aerodinâmicas.

O gosto pela joalharia surge ao frequentar o Curso Tecnológico de Ourivesaria, na Escola Secundária Artística Soares dos Reis, no Porto.

 

“Quando fiz a candidatura para a escola, tinha de fazer uma seleção através dos cursos que tinham e então decidi experimentar. No início não sabia bem no que me tinha metido. Atirei-me à experiência, mas facilmente ganhei o gosto. Nada acontece por acaso e nunca pensei gostar tanto.” – salientou o jovem.

 

Romeu confessa que a experiência no Porto foi positiva. “É uma escola muito boa e de grandes referências nacionais. Acolhedora e onde fiz grandes amigos. Foi uma formação bastante intensa, mais prática do que teórica, o que nos preparava para integrar no mercado de trabalho”.

Em 2006, através do programa Leonardo da Vinci, partiu para a Escócia, onde estudou na North Glasgow College. “Uma cidade, uma escola e uma língua diferente. Na altura eram técnicas mais evoluídas que depois fortaleceram-me bastante quando voltei para Portugal. Foi uma experiência bastante enriquecedora e que me deixa com um pouco de saudades”.

Um ano mais tarde, Romeu optou por integrar a licenciatura de Joalharia na Escola Superior de Artes e Design, em Matosinhos. “Primeiro queria ir para a universidade e depois porque soube que havia a licenciatura em Joalharia em Portugal. Como tinha criado um intenso gosto, achava que seria a opção mais acertada”.

‘Slice’ assim se intitula a primeira coleção do jovem designer, numa junção entre o clássico e o contemporâneo. Regra geral, Romeu tenta incorporar quatro peças nas suas coleções, designadamente anéis, colares, brincos e pulseiras, o que nem sempre é possível.

 

“Muitas vezes não consigo integrar uma pulseira ou um anel na coleção, simplesmente porque a forma pode não ser tão ergonómica. Nem sempre é fácil conseguir uma ou outra peça devido à complexidade do projeto”.

 

Romeu foi um dos 60 finalistas da Shmuck 2011, uma exposição anual que engloba diversos artistas e designers de joias de todo o mundo, selecionados por um júri. O jovem concorreu com o seu projeto final de licenciatura. “Uma seleção é sempre uma surpresa, até porque não sabia quais eram os critérios de escolha. Deu-me orgulho de ter sido dos poucos portugueses selecionados e, ainda, por ter sido o único aluno selecionado desde que existe a licenciatura em Portugal”.

São os brincos que lhe conferem um gosto superior no processo criativo. “São desafiantes por ter de se aplicar um limite ao peso, mas a nível construtivo permitem dar asas à criação”.

Quando atingiu parte dos seus objetivos, o jovem sentiu-se preparado para lançar a sua marca de joalharia em 2015, numa aposta em peças aerodinâmicas. “Essa aposta tem a ver com o gosto que tenho pela arquitetura moderna, pela engenharia mecânica e pela aviação”.

O processo criativo de Romeu inicia-se com um esboço de formas. “Depois, dependendo da complexidade do projeto, vejo se consigo fazer diretamente as peças à mão ou se é necessário fazer um protótipo, recorrendo à impressão em 3D”.

O negócio superou as expectativas do joalheiro.

 

“Tem sido melhor do que estava à espera. Sempre senti o risco de fazer joias aerodinâmicas, até porque o mercado português sempre esteve muito voltado para joias tradicionais, mas a recetividade e a procura tem sido bastante boa”.

 

Um ano após o lançamento da sua marca, Romeu ganhou o prémio ‘Designer de Revelação em Joalharia’ sem candidatura prévia. O prémio foi atribuído por um grupo de jurados convidados pela Portojóia através de uma seleção de trabalhos de diversos designers portugueses.

Romeu admite não existir uma peça em específico que se destaque por parte dos clientes, mas, sim, o seu trabalho em geral. “Tenho clientes que gostam do meu trabalho e, por isso, vêm ter comigo porque querem que desenvolva uma peça única”.

De momento, o jovem dedica-se ao lançamento de três coleções e espera aumentar o número de pontos de venda em Portugal e no estrangeiro.