Os A.M.A. são um duo. Ele fascinado por pianos, teclados e por tudo o que seja digital, ela por cantar. O casal Zé Tó Lemos e Joana Andrade embarcou numa aventura musical com base no Synthpop. 

 

Os ‘A.M.A.’ são um duo. Quando é que se conheceram e decidiram juntar-se numa aventura musical?

“Foi num ensaio, o nosso primeiro encontro, há 12 anos atrás. A minha banda estava à procura de uma vocalista e a Joana foi fazer um casting. Desde então, a nossa aventura nunca mais teve fim”.

 

A que se deveu a escolha do nome do duo?

“O nosso nome só podia ser este! Somos um casal, apaixonados um pelo outro, assim como pela música e tudo o que fazemos. Amor, ‘Amar’ e cada vez ‘Mais Agora’ é a nossa forma de estar e de viver. Decidimos usar o acrónimo (A.M.A) porque adoramos o nome.

Por vezes, somos confrontados com facto de ser um nome muito próximo de D.A.M.A.

Não levamos a mal…não os conhecemos pessoalmente, mas gostamos do trabalho deles que também é muito bem feito.

Esperamos que eles também não levem a mal…nunca pensamos que nos identificassem por causa deles, nem queremos que isso aconteça. Mas para nós, faz todo sentido que o nosso nome seja como é”.

 

Como está a decorrer a experiência?

“Fantástica. Já andamos desde 2008 à procura do nosso som. Agora que o encontramos, só podíamos estar a adorar tudo o que de bom tem acontecido”.

 

Por que decidiram optar pela vertente digital para lançarem temas?

“Sabemos que o formato digital é o mais usado hoje em dia. Mas, a seu tempo, teremos todo o gosto em ter um CD físico nas lojas”.

 

Quais os vossos estilos musicais preferidos?

Synthpop, Jazz e Soul, sem sombra de dúvida”.

 

Porquê a aposta na música eletrónica, Pop e R&B?

“Foi um longo percurso até encontrar o nosso caminho. Não pensamos no estilo, procuramos algo que nos identificasse e surgiu rasgos desses estilos musicais. Mas penso que o Synthpop é o que mais nos define”.

 

Zé Tó Lemos, como surgiu o seu gosto pelo piano e pela música em geral?

“Foi o meu primeiro instrumento oferecido pelo meu pai, um teclado da Yamaha. Desde então, tudo que tiver teclas é a minha praia. Com o passar do tempo e com uma grande ligação pessoal e emotiva à marca, acabei por ser endorser da prestigiada marca Yamaha. É com muito orgulho que falo disto. Sou um apaixonado por pianos, teclados e tudo que seja digital”.

Joana Andrade, como surgiu o seu gosto pela música?

“Sempre gostei de música e de cantar.

Desde pequena que os palcos me fascinam. Cantava na sala de casa para um público imaginário, depois passei pelo coro da igreja, ainda pequena. Com 13 anos, comecei a cantar em público em vários tipos de eventos. Foi uma paixão que cresceu comigo e que se foi tornando cada vez mais prioritária”.

 

São naturais de Santa Maria da Feira?

“Zé Tó Lemos é natural do Porto e está a “viver em Santa Maria da Feira, cidade em que me orgulho de viver, por todo o ativo desenvolvimento cultural”, afirma o músico.

Já Joana Andrade exclamou “Eu sou ‘fogaceira’ de gema!”.

 

Qual foi a primeira atuação dos ‘A.M.A.’? Onde decorreu a atuação e como descrevem a experiência?

“Foi incrível! Fizemos um concerto privado no estádio do dragão, onde a recetividade foi muito boa”.

 

Até ao presente, quantas atuações já realizaram, aproximadamente? Já atuaram fora de Portugal?

“Fora de Portugal nunca, mas era algo que adorávamos fazer. Lançamos os A.M.A para a estrada em janeiro deste ano e fizemos apenas três concertos. Recordamos, com muito carinho e um misto de emoções, um concerto da Joana. Foi no festival da Juventude, onde falhou o gerador logo na primeira música (risos). Ficamos parados duas horas, enquanto a organização resolvia o problema, e quando voltamos ao palco, tínhamos aproximadamente duas mil pessoas a aguardar a reentrada das bandas. Fomos a primeira a subir ao palco e foi incrível. Sentimos as pessoas em total êxtase e foi dos melhores concertos que demos”.

 

Como é que o público tem vindo a reagir face ao vosso trabalho?

“Muito bem. Temos escolhido bem os palcos onde passamos. Ter a sensibilidade de perceber os ambientes onde a nossa música se ‘encaixa’ é importante. As críticas têm-nos chegado da forma mais simpática possível, sendo através das redes sociais, rádios e mesmo nos poucos concertos que já fizemos! É gratificante perceber que as pessoas gostam de nos ouvir!”.

 

Como é estar em palco?

“Impossível descrever. É sentir um sonho no presente. O respeito pelo palco faz sentir sempre um nervoso miudinho…mas saudável. Adoramos”.

 

As letras das músicas incidem, sobretudo, em histórias de amor. Porquê?

“A essência do nosso trabalho é mesmo o amor.  Queremos transmitir a quem nos ouve que é importante não desistir de amar, ainda que por vezes tudo se torne mais difícil! Amar de todas as formas. Insistir. Não desistir. No fundo, contam um pouco de nós e, com certeza, um pouco de todos aqueles que nos ouvem”.

 

Paralelamente ao amor, quais são as vossas fontes de inspiração?

“Histórias de vida. Vamos anotando algumas experiências que passam por nós e por aqueles que nos rodeiam!”.

 

Se pudessem escolher uma música vossa, qual seria? Porquê?

“’Faltou-nos um Beijo’, pela estética musical, e AMA, pela letra que foi feita a pensar na nossa relação pessoal”.

 

Como é que funciona vosso processo criativo?

“Por norma, criamos e desenvolvemos ideias de músicas com o piano com base no nosso estúdio. Dedicamos e estipulamos tempo para a composição. As letras são, na grande maioria, escritas depois de termos um ‘rascunho’ da música. Muitas outras vezes, surgem-nos ideias que gravamos no telefone e depois vamos aperfeiçoando”.

 

Enquanto duo, torna-se difícil equilibrar opiniões?

“Não. Somos muito cúmplices é isso faz com que tudo flua de forma muito natural! Nada é complicado porque qualquer opinião contrária é tida como fator a ponderar para melhorar sempre mais!”.

 

São músicos a tempo inteiro?

“Sim. Eu [Zé Tó Lemos] sempre me dediquei à música a tempo inteiro. A Joana interrompeu temporariamente outro projeto de uma área distinta na vida dela e, neste momento, também se dedica apenas à música”.

Acham que Portugal é um país favorável à afirmação de músicos? Porquê?

Não. Achamos que, finalmente, se ouve mais música portuguesa, mas somos um povo que continua a consumir e a valorizar muita música estrangeira e isso não ajuda. Alguma dela injetada que quase nos obriga a gostar com a quantidade de vezes que passa nas rádios nacionais, embora pudéssemos desligar o rádio, o que acaba por não acontecer e elas vão entrando, vão entrando, vão entrando… e, com o tempo, acabam por entranhar, por vezes até, musicas horríveis comparadas com a boa música que por cá se faz.

Vou dar um exemplo dos nossos vizinhos Espanhóis que têm um mercado muito forte. Eles só consomem o que é latino. Até no cinema é quase tudo dobrado. Um bom exemplo aqui ao lado de casa. Em relação a novos artistas, continua a ser muito difícil de vencer pois acabamos por não ter espaço nas rádios nacionais.

Outro dos aspetos que também não se encontram a favor de novos projetos é a importância de ter uma agência, também essas, se encontram lotadas de artistas sem capacidade logística para mais…”.

 

De momento estão a desenvolver algum projeto?

“Estamos a preparar novos temas, o próximo vamos lançar em breve e podemos adiantar desde já, que será uma música muita fresca que antecipa o verão com o nome de ‘O Melhor Lugar’”.

 

Qual a vossa próxima atuação?

“Para já dia 3 novembro no Cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira. Neste concerto iremos apresentar o palco com banda. Mas estamos convencidos que antes disso ainda podem surgir mais datas, pelo menos em formato diminuto. Esperamos no próximo ano ter agência e mais datas para vos informar numa próxima entrevista”.