A Associação de Juventude da Ribeira Grande (AJRG) surgiu em janeiro de 2006. É uma Instituição Particular de Solidariedade Social que está ao serviço dos jovens daquele concelho. Jonas Carreiro é quem lidera a estrutura, cujos os projetos são desenvolvidos através da boa vontade e dedicação da direção e dos associados

 

Em que consiste AJRG e quais são os seus objetivos?

“A AJRG nasce com o propósito de promover iniciativas junto de famílias em situação de exclusão social – apoiar os jovens e as crianças em risco; intervir na educação e formação social e no apoio à empregabilidade de grupos sociais desfavorecidos; promover atividades intergeracionais e, ainda, projetos nas áreas do desporto, ambiente e cultura. Sendo uma associação de âmbito concelhio é, neste momento, objetivo dinamizar iniciativas de nascente a poente, promovendo uma participação ativa e responsável dos jovens ribeiragrandenses, valorizando-os tal e qual como são”.

 

De que forma se alcançam cada um dos objetivos da AJRG?

“Para 2018 definimos três pilares de atuação: a inclusão social juvenil, a prevenção, a sensibilização ambiental e a promoção da cultura. Com base nestes pilares foi elaborado o plano de atividades que engloba um conjunto de ações que visam a consciencialização e responsabilização de viver em sociedade. O contato direto e permanente com os jovens é fundamental. Procuramos ter uma postura informal, de proximidade e ir ao encontro daquilo que os jovens procuram”.

 

Qual o trabalho desenvolvido pela AJRG?

“Sem quadro de pessoal permanente ou efetivo na AJRG é muito complicado a realização de atividades de maior abrangência social. Tudo o que estamos a desenvolver é através da boa vontade e dedicação da direção e dos associados. Além disso, estamos a proceder a vários ajustes nos procedimentos internos que têm consumido imenso tempo à direção. E, ainda assim, neste momento estamos constantemente a promover, em parceria com outras instituições, porque só assim é que faz sentido, trilhos pedestres, encontros intergeracionais, participações em momentos comemorativos pelo concelho, entre muitas outras atividades”.

 

Qual a importância da AJRG?

“A AJRG, sendo uma Associação de Juventude inscrita na Rede Regional de Associações de Juventude da Direção Regional da Juventude e uma IPSS no Concelho mais jovem dos Açores, é óbvio que será uma mais-valia para a juventude da Ribeira Grande. O bom relacionamento institucional com várias instituições de Nascente a Poente e as fortes parcerias que estamos a firmar neste momento advinham ventos muito favoráveis para a instituição e, por consequente, para a sociedade juvenil. Em breve, seremos um pilar fundamental no crescimento dos jovens e das suas famílias”.

Quem integra e poderá integrar a AJRG?

“A AJRG é composta, felizmente, por associados de todas as idades e a média de idades dos atuais 100 ronda os 60% entre os 12 e 30 anos e os restantes 40% acima dos 30 anos e, curiosamente, 60% do total dos associados são do sexo feminino. Quanto a quem poderá ingressar na AJRG?! São todas as pessoas que se identifiquem com os princípios da AJRG e queiram contribuir ativamente para uma melhor promoção da cidadania e de uma juventude com bases sólidas e responsáveis”.

 

A AJRG conta com apoios financeiros públicos?

“Sim. A AJRG está inscrita na Rede Regional das Associações de Juventude da Direção Regional da Juventude que nos tem possibilitado a apresentação de diversas candidaturas anuais ao PIAJ (Plano de Incentivo ao Associativismo Juvenil) e a promoção de várias atividades ao logo do ano. Por outro lado, temos apoios pontuais mediante acordos previamente estabelecidos. Estas são as principais fontes de financiamento. No que confere aos tão badalados apoios às IPSS’s não estamos a usufruir pelo menos para já”.

 

Por que motivos optou por liderar a AJRG?

“Assumi o cargo por renúncia do antigo presidente. Desde há muitos anos que sou associado da AJRG e outros tantos em cargos nas sucessivas direções. A paixão que me move à causa pública começou em tenra idade. Sempre estive envolvido em vários grupos sociais na minha terra natal, a pacata freguesia de Lomba de São Pedro, a mais pequena e afastada da sede do concelho.

Quem vive em freguesias rurais, como a Lomba de São Pedro, sente dificuldades no acesso a inúmeros serviços e a revindicação e vontade de fazer mais pela nossa terra leva muitas vezes a participar em organizações que possam contribuir para o seu desenvolvimento.

A questão aqui foi que gostei tanto do ‘projeto AJRG’ que acabei por ir ficando e envolver-me, cada vez mais, ao ponto de pertencer a várias direções e assumir a direção num momento em que a organização mais precisava. No futuro pretendo apresentar um projeto e a minha candidatura à presidência da AJRG para continuar o trabalho que iniciamos há cerca de um ano. A AJRG precisa de estabilidade para conseguir desenvolver os seus projetos e focar-se nos jovens e nas suas especificidades”.

Qual a sua responsabilidade enquanto presidente da referida associação?

“Toda. De há um ano para cá, temos procedido a vários reajustes internos de grande importância, aos quais um presidente não pode descorar nem um minuto. Todos os membros da direção têm profissões exigentes e que ocupam muito do tempo de cada um de nós, mas com espírito de entreajuda temos conseguido levar este barco a bom porto. Foram alterações estatutárias, mudanças de pelouros e todas as implicações legais que acarreta para uma instituição, a continuação do plano já aprovado para 2017 e a preparação de 2018, o desenvolver das atividades e tudo isto realizado pelos membros da direção e vários associados porque, para já, a AJRG não possui quadro de pessoal”.

 

Como tem sido a experiência?

“’Quem corre por gosto não cansa’ é o espírito. Tem sido muito gratificante, tenho aprendido muito e reunido uma grande rede de contatos. A minha liderança ainda está no início e temos andado numa luta constante na aprendizagem de procedimentos, programas, atividades, reuniões… Uma vida muito preenchida, mas gratificante!”.

 

Desde que assumiu o cargo, que iniciativas desenvolveu? Qual a importância das mesmas?

“Estamos num processo de reorganização interna e, como é do conhecimento geral, estes processos são complexos e morosos e têm-nos consumido imenso tempo. São atividades invisíveis, mas de extrema importância. Quanto às atividades propriamente ditas foi a promoção e desenvolvimento das atividades que estavam contempladas no plano para 2017, foram trilhos pedestres, workshops, entre outros. As nossas atividades revestem-se sempre de uma importância base, a participação dos jovens e a a tradução das atividades em informações pedagógicas pertinentes à preservação, valorização e promoção do melhor de cada tema”.

 

Na sua opinião, há alguma iniciativa/projeto que se tenha destacado das restantes? Porquê?

“Em 2017, os projetos que me deram mais gozo preparar foram os trilhos pedestres, destacando a descida à Lagoa do Fogo com um grupo de entusiastas por natureza e natureza dos Açores”.

 

De momento está a desenvolver algum projeto?

“Muitos são os projetos que temos em mente… mas o que se destaca é, certamente, a procura constante de uma sede própria para a AJRG. Atualmente, a sede social é na sede da Junta de Freguesia da Ribeira Grande – Matriz o que, por vezes, torna difícil a conciliação das reuniões e atividades da AJRG com a agenda própria que existe. Na minha terra os mais velhos diziam o seguinte: ‘Quem casa quer casa’ e é precisamente isto que está acontecer à AJRG. Estamos num processo de mudança e a crescer a olhos vistos… precisamos do nosso próprio espaço!”.

 

Que iniciativas pretende vir a desenvolver?

“Como associação de juventude estamos a trabalhar na elaboração de vários projetos nesse sentido… a nossa linha é a juventude! A Juventude da Ribeira Grande precisa de uma instituição que olhe para ela tal e qual como ela é… jovem, irreverente, curiosa, cheia de vontade de aprender e conhecer coisas novas…  Para chegarmos até esta faixa etária temos de pensar como eles e é isso que estamos a fazer. Estilo de vida saudável, “turisticar”, reviver, responsabilizar e sensibilizar nas áreas do ambiente, cultura, desporto e cidadania são o foco”.

 

Quais as suas expectativas em relação ao futuro da AJRG?

A AJRG tem um logo caminho a percorrer enquanto instituição. Estamos a solidificar as bases e a notoriedade na sociedade ribeiragrandense. Somos e seremos uma associação do concelho e envolveremos jovens oriundos de todas as freguesias do Concelho. Dizer que o céu é o limite estaria a ironizar, mas estamos prontos para ajudar os jovens.

O ideal seria ter uma equipa de profissionais multidisciplinares para acompanhar os jovens e estes verem a AJRG como uma segunda casa… a CASA fixe! A CASA onde os jovens têm nome e não um número, onde são compreendidos e não obrigados a compreender, onde fazem o que gostam e não o que há para fazer! Pretendemos contribuir para que os jovens sejam responsáveis, focados e principalmente felizes e integrados…”