Desde tenra idade que desejava participar no teatro da escola. A paixão pela arte de representar surgiu-lhe aos 13 anos. Hollywood foi o destino que escolheu, há dois anos, para mostrar a qualidade do seu trabalho. Helena Ávila é atriz e ambição não lhe falta.

Tudo começou com teatros de Natal da escola primária. Mais tarde, com 13 anos, representou com seriedade uma peça original encenada pelo clube de teatro da escola, do qual fazia parte. A peça foi apresentada no Salão da Paróquia e era aberta a toda a comunidade. Helena representava uma mãe que havia perdido a filha adolescente devido ao álcool e à droga.

“Eu tinha um monólogo na cena do funeral, em que chorava a sua perda. Por ser um papel difícil, comecei a duvidar se ia conseguir e, antes do espetáculo começar, tive um ataque de pânico. Escondi-me nos bastidores a chorar convulsivamente. Com a ajuda do professor os nervos passaram e correu tudo muito bem”.

Descreve a sua primeira experiência teatral como “emocionante”, não só para os atores, como para o público. A partir daí, descobriu que queria representar para o resto da vida.

“No meu monólogo final fiz o meu pai chorar na primeira fila e isso nunca vou esquecer. Acho que foi a possibilidade de afetar o público, fazê-lo sentir comigo o que se passa na história, que me fez querer seguir esta carreira”.

Uma vez descoberta a paixão, Helena integrou o teatro amador da comunidade com uma responsabilidade acrescida. Aos 17 anos, decidiu optar por uma licenciatura de Teatro e Educação, em Coimbra. No primeiro ano após a licenciatura, a atriz fez um casting e conseguiu o papel de Rosa na comédia musicada Rosa Enjeitada de Fernando Gomes, na companhia Teatro do Noroeste, em Viana do Castelo. Ao colaborar com o Grupo de Teatro Joana, percorreu Portugal de Norte a Sul com espetáculos de criação coletiva focados na expressão corporal. Trabalhou, também no Teatro Arte d’Encantar e na companhia Baal 17 de Serpa.

Entre 2012 e 2014 participou em séries e novelas da TVI e da SIC, como os Morangos com Açúcar, Dancin’days, O Bairro e Mulheres.

Helena integrou, ainda, a curta metragem ‘My Litlle Princess’ que se mostrou “como um projeto desafiante logo desde o início”. A curta metragem estreou no ‘Indie Night Film Festival’, no TLC Chinese Theatre, uma das mais importantes salas de cinema em Hollywood. “Foi muito especial ver o nosso trabalho naquela sala e recebemos muito boas críticas do público e dos organizadores do festival que, ainda este mês, nos perguntaram quando voltamos a apresentar o próximo projeto” – referiu a atriz.

‘Menina do Futuro Torcido’ assim se intitula a peça que a atriz revela ter sido o seu maior “desafio”. Baseada num conto de Mia Couto e encenada por Maria João Miguel no Teatro do Noroeste, na peça mencionada Helena Ávila desempenhou o papel de uma menina de 12 anos inserida uma família muito pobre.

“A entrega física que exigiu de mim e, mesmo com 25 anos, ninguém duvidou naquele teatro que eu era aquela miúda de 12 anos disposta a fazer tudo por amor ao pai e à família”.

Apesar da representação ser, frequentemente, associada ao entretenimento, a atriz afirma que “até na série mais divertida podemos encontrar exemplos do que se passa na vida em sociedade”. Helena Ávila refere que o teatro e a ficção permitem desencadear uma reflexão sobre situações do quotidiano.

[No teatro e na ficção há a] “possibilidade de fazer pensar sobre situações que, quando postas na ficção, podem alterar a nossa opinião. Na ficção podemos ver os dois lados da questão e possíveis consequências e, assim, enriquecer os nossos pensamentos sobre assuntos que podem ou não afetar-nos diretamente”.

Miguel Seabra, Nuno Lopes, Rita Blanco, Leonardo DiCaprio, Al Pacino, Kate Winslet e Angelina Jolie são os atores que inspiram o trabalho de Helena Ávila pela capacidade de transpor o público para a cena.

Adora representar papéis dramáticos.

“Mulheres em situações de conflito, como escolher entre a cabeça e o coração. Mulheres corajosas são o que mais admiro na ficção”.

No meio de diversas atuações, a atriz relembra um pequeno percalço cómico que ocorreu no espetáculo ‘Pinóquio’.

“Um baloiço que atravessava o palco pelo ar e depois, na deixa certa da música, descia até ao chão para eu poder entrar e continuar a cena. Ora, uma vez o baloiço parou e eu ainda não tinha os pés no chão e no momento tive de saltar para não perder a deixa da música e entrar em cena. O Importante é ‘show must go on’”

 

Em 2016, Helena mudou-se para Los Angeles, onde tirou um curso na New York Film Academy.

“Hollywood é o coração da produção de cinema a nível internacional. Vim aproximar-me dessa realidade e mostrar a qualidade do meu trabalho. Aqui estou focada no chamado “business of acting” e tenho oportunidade de conhecer quem realmente dá as cartas nesta indústria”

A atriz garante que está a ser uma experiência enriquecedora. “Sair da nossa zona de conforto faz-nos querer ser melhores do que já somos, é este o verdadeiro significado da expressão ‘faz-nos crescer’”.

A mudança para Los Angeles acabou por ser um “choque cultural” para a atriz.

“Aqui janta-se às 18h e às 21h já quase não há lojas abertas, mas o ginásio é 24/7. Podes virar à direita no sinal vermelho, se não vier nenhum carro. Podes ultrapassar pela direita. Não há portagens. A Gasolina é mega barata, menos de $1/litro. Ah, não usam o sistema métrico. Ainda hoje tenho dificuldade em saber o que vestir quando dizem estão 67º Fahrenheit.

Quase ninguém vai ao teatro, mas um bilhete de cinema são $15 e toda a gente vai. Ninguém dá beijinhos, só abracinhos, mas a senhora da caixa do supermercado fala contigo como se fosses uma pessoa de verdade e continua a fazer o seu trabalho ao mesmo tempo. Enfim, é diferente”.

A paixão pelo teatro e pelo público ao vivo “é muito grande”, mas prefere o cinema.

“O Cinema fascina-me pela oportunidade de fazer uma cena tantas vezes até ficar perfeita e esse momento ficar gravado e visível para muito mais pessoas do que o teatro. Mas, também, são exatamente as mesmas razões que tornam o teatro tão único e especial. Acima de tudo, é o realismo que se pode atingir no cinema que me fascina”.

Recentemente, Helena assinou um contrato com a agência ‘Cabrera Talent Company’. “Ter um agente é ter mais um elemento na tua equipa que te ajuda a conseguir mais projetos. O Randy tem ajudado, para além de me submeter para castings, tem sido um apoio” – frisou.

Helena conta que recebeu uma proposta para fazer a personagem principal de um filme de Ficção Científica, de um realizador do Chipre. “O filme tem como inspiração o filme ‘Arrival’ e mais não posso revelar, mas estou entusiasmada”.

Durante este mês, a atriz irá gravar uma curta metragem focada no tema do tráfico feminino, com o mesmo realizador de ‘My Little Princess’.

Helena Ávila espera continuar a trabalhar e a desenvolver contactos no meio que lhe permitam ter um acesso superior a mais projetos.