Uma verdadeira sorte em forma de comércio para aqueles que o visitam. A ida ao tão agradável Mercado da Graça, na cidade de Ponta Delgada, deixa qualquer cliente a sorrir.

Construído no ano de 1848, o Mercado da Graça situa-se no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e é o espaço predileto dos micaelenses para a aquisição de diversos produtos alimentares frescos e a baixo custo.

Em cada canto seu, um cheiro a fresco, uma profunda variedade de aromas. Ora o cheiro a flores, ora o doce cheiro dos ananases típicos da região; ora o cheiro a queijo, ora o constante cheiro a novidade. Uns cumprimentam os seus clientes com enormes e afáveis sorrisos, outros em tons de uma imensa alegria por revê-los. Funcionários sorridentes a organizar a banca. Funcionários alegres a escolher a fruta que ficará exposta e a fruta que será doada. Vendedores que se abraçam pela fresca manhã.

Clientes que parecem dançar de uma banca para a outra. Clientes que cantam com o som da música que passa. O espaço arejado, bastante frequentado, os raios de sol que se infiltram em cada brecha, o escuro verde que predomina em virtude das inúmeras verduras que preenchem aquele lugar, a música ambiente, o descontraído ar e as alegres vozes de quem ama aquilo que faz tornam o Mercado da Graça num lugar único, responsável por inúmeros encontros ao acaso todos os dias.

 

Trabalhar com o coração.

Valter Almeida, de 35 anos, empregado da banca Frutaria Custódio, é um dos muitos comerciantes que não consegue imaginar os seus dias sem a verdadeira alegria do seu local de trabalho. De segunda a sábado, de verão ou de inverno, Valter acorda pelas seis da manhã e começa, de imediato, o seu dia de trabalho no mercado pelas seis e meia. Conta que entre as sete e as dez da manhã o trabalho é mais duro e mais cansativo.

Nesta primeira parte do dia, Valter está responsável por receber os fornecedores e preparar toda a restauração, colocar os produtos frescos no seu devido lugar, organizar a banca e abrir o caixa. Contudo, refere que também tem “momentos mortos [durante o dia], que se verificam entre a uma e meia e as três da tarde” e é, precisamente, durante este período que Valter Almeida aproveita para almoçar. A propósito, José Cabral, de 80 anos, colega de Valter, revela que é durante estas horas que alguns dos trabalhadores do Mercado da Graça se juntam para conviverem e desfrutarem “de um bom jogo de cartas”.

Sentam-se juntos em volta de uma pequena mesa de madeira, jogam a típica “sueca” e aproveitam para falar, ora sobre a atualidade, ora sobre produtos, fornecedores e clientes. Durante a tarde, limita-se a fazer aquilo que mais gosta: atender, alegremente, os seus clientes. Fornecer-lhes os seus melhores produtos e oferecer-lhes o seu melhor sorriso.

O seu dia termina entre as sete e as oito da noite e é nesta altura que deve arrumar a sua banca, fazer as suas notas e deixar tudo preparado para o dia seguinte. “É o melhor momento do dia”, diz Valter, entre risos. “Finalmente, poderei ir para minha casa descansar, pois é um trabalho bastante cansativo, árduo por vezes, que exige muito de todos nós, dado que se tratam de produtos que devem estar sempre frescos e em ótimo estado, devido à aparência que transmitirão aos nossos clientes. Mas não deixo de realizar o meu trabalho com o maior dos orgulhos”, explica.

 

Segredos de ouro.

Segundo Valter Almeida, um dos segredos para o sucesso do alegre Mercado da Graça, onde existe tanta concorrência, reside nos bons preços e nos bons produtos – sempre frescos e bem apresentados -, mas confessa que o sucesso provém, sobretudo, da boa disposição com que se atendem os clientes, do orgulho de se fazer aquilo que gosta e da ligação que cada trabalhador do mercado acaba por criar com os seus assíduos clientes.

O tão dedicado trabalhador do Mercado da Graça conta: “os nossos clientes mais assíduos, no fundo, acabam também por pertencer a esta grande família, pois, normalmente, são clientes com os quais lidamos todos os dias e já nos conhecemos a todos muito bem”. Além disso, o alegre funcionário refere ainda: “acabamos por criar grandes laços de amizade aqui no mercado”, afirmando que a ausência dos seus assíduos clientes é estranhada e questionada de imediato, pois são clientes bastante fiéis ao serviço que a banca Frutaria Custódio lhes dispõe.

Assim, para um trabalhador tão dedicado como Valter Almeida, “não existem maus momentos no Mercado da Graça, pois tudo o que [ali] se faz faz-se com o coração”.

Clientes felizes.

Hermínia Silva, de 62 anos, é uma ex-bancária que não falha para com um comerciante tão alegre e empenhado quanto Valter, que a atende sempre com um enorme sorriso. “Boas, dona Hermínia! Bonita e jovem como sempre! Como está?”. É assim que a ex-bancária é, normalmente, atendida.

Há trinta e seis anos que frequenta o Mercado da Graça e é, desde sempre, cliente assídua da banca Frutaria Custódio. Hermínia confessa que visita regularmente o tão alegre mercado, uma vez que adora a frescura do peixe, a boa aparência da carne e os tons vivos de todas as frutas e legumes, mas afirma que é a alegria do atendimento de Valter Almeida que torna a sua ida ao Mercado da Graça uma visita bastante agradável, pois “saímos do mercado sempre com um sorriso no rosto.

É um lugar onde os funcionários estão sempre bem-dispostos, com imensos sorrisos para nos oferecer, sempre com as melhores soluções e extremamente dedicados. É isto que faz do Mercado da Graça um lugar tão alegre e agradável”.

Reportagem da autoria de Laura Tavares, jovem de 22 anos. Laura licenciou-se em Comunicação Social e Cultura na Universidade dos Açores.