Créditos de imagem: Sara Pinheiro, António Medeiros, Hugo Moreira .

Um estilo bohemian, cabelo encaracolado quase sempre apanhado e uma guitarra na mão. Sara Cruz é uma jovem cantora e compositora açoriana, sendo que a música a acompanhou desde tenra idade.

Natural, assim se caracteriza o modo pelo qual a jovem desenvolveu gosto pela música.

 

“Surgiu muito cedo. O meu avô paterno foi o showman açoriano que foi, o meu avô materno cantava e tocava violino e tinha um ouvido incrível. O meu pai muito jovem pertenceu a uma banda, onde tocava bateria e cantava, tenho primos, tios e tios-avós com muita musicalidade” – confessou Sara Cruz à MegaJovem.

 

Foi o pai que lhe deu um “empurrão inicial” quando tinha apenas 7 anos, ensinando-lhe as bases musicais de bateria e guitarra, sendo que a partir daí acabou por evoluir com a ajuda da internet. “Depois de tocar guitarra há 7 anos, decidi entrar para conservatório. Mas, infelizmente, não me identifiquei e acabei por desistir” – explicou a cantora.

Apesar de a guitarra se assumir como o seu instrumento de eleição, a bateria foi o primeiro instrumento da jovem. Contou, também que faz umas “brincadeiras” no piano, no baixo e no ukelele. “Nada sério, é por gosto” – adiantou.

A sua primeira atuação remonta a 2008 e teve como finalidade angariar dinheiro para uma viagem de finalistas do 9º.

 

“Estava tão nervosa que nem jantei! Cantei com um amigo de longa data, o Miguel Botelho, e na guitarra esteve connosco o Paulo Conceição. Foi muito engraçado” – recordou nostalgicamente.

 

De uma atuação de finalistas, Sara Cruz saltou para palcos em diversas ilhas, passando também por Lisboa, Porto e Londres.

“Acho que foi, essencialmente, a partir do momento em que atuei na primeira edição do Festival Tremor, onde, pela primeira vez, apresentei um repertório original. Foi a partir daí que me comecei a dedicar a sério e a compor os meus temas. E as oportunidades começaram a surgir”.

Na impossibilidade de escolher um estilo de música preferido, Sara Cruz afirma ouvir géneros distintos, de acordo com o seu estado de espírito. “Gosto muito de folk singersongwritter. Também sou grande fã de rap, adoro blues. Varia muito” – afirma a jovem.

Em 2015, a jovem cantora publicou o primeiro dos cinco temas do seu EP (mini disco) que teve como singles ‘Cold Beer’ e ‘Tentas Tanto’.

“Foi uma experiência como nunca tinha tido. A minha primeira experiência em estúdio. Aproveitei para colocar nos temas bateria, teclados, baixo… Estava habituada a ouvir sempre a minha voz só com a guitarra. Foi interessante ver o resultado e perceber, daí em diante, para onde pretendia levar o meu registo daí em diante” – frisou.

Experiências pessoais, amores, desamores e uma ida a Santa Maria em que perdeu o avião, estas foram as fontes de inspiração da jovem para a gravação do seu primeiro EP.

Recentemente, Sara Cruz esteve em Lisboa a gravar, no Pimenta Preta Estúdio, o seu segundo EP que integrará seis temas. Numa mistura entre os estilos singer-songwritter, pop e indie-folk, os temas serão lançados individualmente a partir do mês do maio, inícios de junho.

 

“Com videoclip! É uma novidade para este EP. O meu primeiro videoclip. Vai ser um EP muito cru, muito orgânico, sem grandes produções” – garantiu.

 

Numa tentativa de “fugir à mecanização”, Sara Cruz optou por gravar, simultaneamente, a voz e a guitarra, como se estivesse a atuar num concerto, de modo a conferir naturalidade aos seus temas. O segundo EP assume-se como uma evolução do primeiro que se encontra disponível no Youtube e no SoundCould.

 

“É como pedir a um pai ou mãe para escolher o filho preferido. As mais especiais? No Teatro Micaelense, no Teatro Angrense e em Londres. Mas também foi incrível a minha primeira em Lisboa e no Porto… Também abrir para os Xutos, para os Amor Electro, para a Simone de Oliveira. É difícil de escolher” – explicou, quando questionada pelas suas atuações preferidas.

 

São já centenas as atuações que realizou. “Uma vez estava uma senhora no público muito revoltada e nos pequenos intervalos entre músicas, ela gritava umas coisas que eu não estava a conseguir perceber… Até que finalmente entendi: Canta em português, que eu não sei dançar em inglês!. Achei hilariante, será daqueles episódios dos quais nunca mais me esqueço” – contou.

 

Atualmente, a jovem dedica-se a tempo inteiro à música. “Está a ser a minha ocupação principal e o meu o foco. Mas já houve alturas em que esteve em segundo plano, por exemplo, enquanto tirei a minha licenciatura” – confessou.

Licenciou-se em Comunicação Social e Cultura na Universidade dos Açores porque sempre gostou de escrever e comunicar. Pondera ser jornalista, situação acerca da qual afirma esperar “para ver o que o futuro” lhe “reserva”. A sua próxima atuação decorrerá a 25 de maio no Festival+Jazz, na ilha Terceira.

“Tenho muitas ideias em mente. Não vou falar de nenhuma para não dar azar. Estou a brincar! (risos). Para Já, estou concentrada no meu EP. De resto, vamos ver o que acontece” – concluiu Sara Cruz.