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Rúben Pacheco Correia, empreendedor, político e estudante de Direito, defende que a ambição não tem limites. Este pensamento é um dos objetivos que o jovem escritor dita como ‘carta na manga’ para projetos futuros que ambiciona.

 

Aos dez anos escreveu o seu primeiro livro e, desde aí, tem vindo a adquirir prestígio em diversas áreas. De onde surgiu o seu gosto pela escrita?

“O meu gosto pela escrita nasce do meu enorme gosto pela leitura. Antes de escrever, é preciso se saber ler e ler bem. Desde muito cedo, na escola, aos intervalos, refugiava-me na biblioteca e devorava o que, à altura, e até presentemente, nos despertava a imaginação e a curiosidade em querer ler e saber mais. Falo, por exemplo, da célebre coleção Uma Aventura que ficará na nossa memória coletiva como uma coleção literária indispensável na aproximação dos mais jovens à leitura. Foi através desta coleção e destas escritoras, que hoje conto como amigas, que me apaixonei pelas letras”.

 

Kamel e a Lâmpada Árabe foi a sua primeira obra. Quais foram as suas fontes de inspiração para a elaboração da história?

“A minha primeira viagem fora da cultura europeia foi feita então, para a Tunísia. A curiosidade em descobrir as tradições deste povo, em querer arranjar sentido para as diferenças dos seus hábitos, alimentares, de vestuário, de língua, de cultura, enfim, despertou em mim o interesse por querer conhecer mais.

No momento, tentava arranjar explicação para tudo o que, diferente do comum para mim, acontecia à minha volta. Claro que, explicações estas espontâneas à altura, revestiam-se de muita imaginação e alguma ficção.

Era, portanto, uma criança que deambulava por caminhos desconhecidos e que, confrontado com uma nova realidade e com maneira de se ser e agir diferentes da minha, sentia a necessidade de as justificar, enquadrando-as num mundo já criado na sua cabeça, de forma a compreendê-las. Depois disso, foi o tempo de, digerindo todo este novo mundo, passar ao papel. Foi assim que nasceu o meu primeiro conto infantil”.

 

Até ao presente escreveu quatro livros. Há algum livro seu que lhe desperte especial atenção? Porquê?

“Coordenei um livro de grande sucesso regional e nacional, denominado Heróis à moda dos Açores. Este foi o livro que mais me deu gozo em participar, como coautor e coordenar, como coordenador. Depois deste, o meu último, a minha primeira novela romântica, Deixa-me Amar-te, é um livro que tem um lugar especial no meu coração, não somente que seja por ter sido o último.

Um escritor, falo por mim, mas acredito que acontece com muitos outros colegas, nunca olha para os seus livros como obras perfeitas e terminadas. Sempre que releio algo que escrevo, tenho que acrescentar alguma coisa, corrigir outra, enfim.

Algumas das grandes verdades de hoje serão menos verdade no futuro, ou até mesmo serão postas em causa na sua plenitude. E assim é na escrita também: se voltasse com o tempo atrás, mas já com a bagagem que só o tempo me trouxe e traz, não publicaria muitos dos livros, porque hoje tenho outra visão e outra maneira de comunicar.

A escrita é, portanto, um músculo, que tem de ser trabalhado. É uma pedra bruta que, ao longo do tempo, vai-se tornando menos bruta, mas nunca perfeita. Daí, que olhar para o passado e eleger “o livro” é-me muito difícil.

Prefiro olhar para o futuro e, corrigindo o que menos bem feito fiz no passado, perspetivar aí “a obra”. Quem sabe”.

 

Pretende lançar mais livros no futuro?

“Sim, claro. Apesar de, neste momento, ter muito que fazer em mãos. Mas estou a trabalhar em alguns projetos literários e em breve pode ser que haja novidades neste sentido”.

 

Como tem sido a resposta do público face às suas obras?

“Felizmente, desde que comecei neste mundo literário há 7 anos atrás, tenho sido muito bem recebido por onde passo.

Nas escolas, nas livrarias, nas Universidades ou mesmo na nossa diáspora, quer no Canadá, quer na América, que muito me tem recebido de braços abertos”.

 

Se pudesse destacar um autor, qual seria? Porquê?

“Uma questão muito difícil. Tenho várias referências. Pessoa, Saramago, Antero ou mesmo Fiodor. Enfim, qualquer um deles pela sua singularidade, pelo seu pensamento pelas suas diferentes formas de comunicarem com quem lê.

Saramago, especialmente, causa em mim grande inquietação nas linhas que nos deixou”.

 

Regressou à Juventude Social Democrata Açores. De que forma é que o gosto pela social democracia surgiu? 

“Voltei porque como o nosso povo o bem diz ‘um bom filho à casa retorna’. Saí por grande colisão quer com o líder regional do partido, quer com o mero dirigente da estrutura jovem nos Açores de então. A minha decisão parecia-me, à altura, a mais correta, na defesa da minha honra e da minha dignidade e transparência política e pessoal. Estavam colocados em causa os meus princípios e a minha dignidade enquanto pessoa e enquanto jovem interessado pelas causas públicas e políticas. E mais: o próprio principio da democracia, da pluralidade de opiniões e da liberdade estava – e continuam a estar com o líder regional do partido – colocados em causa.

Demitindo-me de todos os cargos que tinha então, despindo-me de todo este pseudo-poder que alguém pode imaginar que, erradamente, tem, saí da estrutura de forma incondicional, como entrei: ou seja, sem condições.

Empenhei-me na JSD e no PSD de corpo e alma, não colocando condições, nem querendo outra coisa que não fosse apenas ter a oportunidade de contribuir para o futuro – que será nosso – que ainda acredito e sonho para os Açores e para Portugal. A social-democracia é que me fez entrar no partido. E esta não morreu em mim. E mesmo que algum dia – esperamos que não – o partido também morra, a social-democracia manter-se-á acesa nos corações de quem a tem de forma sincera e descomprometida”.

 

Já alguma vez pensou em ingressar na carreira política?

Não escondo que gosto de política e que me sinto bem nestas lides. Não cínico ao ponto de o esconder, como tantos outros o fazem. Prefiro dizer de vez para o que venho. Claramente que este sonho de participar politicamente na construção do nosso futuro mantém-se (e cada vez mais) desperto na minha inquieta alma”.

 

Recentemente, trabalhou com o Dr. Pedro Santana Lopes. Como é que foi a experiência e que funções desempenhou?

“Apoiei sinceramente o dr. Pedro Santana Lopes, uma vez mais, de forma incondicional. Por acreditar no projeto e nas pessoas que o rodeavam. A minha função foi, sobretudo, ajudar a estrutura montada nos Açores a escolher os seus mandatários, a contactar os militantes e fazer deste projeto, na minha Região, o projeto vencedor que foi.

Vencemos nos Açores e toda a equipa, desde o mandatário regional, aos de ilha e concelhia, está de parabéns. Sobretudo um nome: Paulo Silva. Um homem que, nos bastidores, ajudou a trabalhar esta máquina sem que daí quisesse aparecer e tirar proveito. É desta forma incondicional, desta entrega descomprometida que falo e que me revejo”.

 

Rui Rio foi eleito presidente do PSD. Qual a sua opinião acerca da vitória?

“Foi uma vitória justa, uma vitória da democracia. E é assim que gosto. Só posso desejar toda a sorte ao novo Presidente, para que nos ajude a tirar desta geringonça que, à socapa, nos está a hipotecar o futuro”.

 

Paralelamente à escrita e à política, é também um jovem empreendedor. O que o motivou a inaugurar o restaurante “Botequim Açoriano”? 

“O Botequim nasce, muito resumidamente, com dois propósitos: aliar um sonho da minha mãe, a Chef da cozinha, a um objetivo meu.

A minha mãe sonhava abrir um restaurante, mas não tinha ousadia para dar o primeiro passo. Eu, pelo interesse conhecido que tenho pela literatura, gostava de criar um espaço nos Açores que homenageasse o Botequim de Natália Correia, na Graça em Lisboa, aliando a gastronomia à cultura, os saberes aos sabores.

Foi assim que nasceu o Botequim Açoriano. Um espaço de boa comida, onde se respira cultura e liberdade”.

 

Qual tem sido o balanço do seu negócio de restauração? 

“Muito positivo. Graças a Deus tem corrido muito bem. Basta pesquisarem em qualquer motor de busca online e irão ver a dinâmica que o Botequim tem trazido à Ribeira Grande e aos Açores.

Já somos, em pouco tempo, uma das boas referências gastronómicas da Ilha. E isso deve-se muito à qualidade e excelência da Chef Dodó”.

 

Recentemente desenvolveu o projeto “Botequim ComVida” que teve como primeiro convidado o Chef Chakall. Como correu a experiência? 

“Correu muito bem. O Chakall, por quem tenho amizade, ficou radiante com São Miguel. Com os nossos produtores, produtos, receitas, enfim. Temos cá nos Açores todas as condições materiais para afirmar a nossa cozinha, a nossa gastronomia, internacionalmente.

A minha missão neste sentido é dar uma pequena pedra para que se possa construir este grande castelo e os Açores têm condições de cá o fortalecer”.

 

Que receitas foram concebidas?

“A ideia foi pegar em produtos conhecidos e outros menos conhecidos dos Açores, dando um toque mais contemporâneo e multicultural ao pratos e receitas.

Foram várias as criações, como bolinhas de peixe com maionese de manga, cavala creola em bolo levedo e inhame, atum em redução de licor de maracujá, bife à regional com um toque à Chakall com chips de batata doce, derivações de ananás (bolo de milho de ananás, carpaccio de ananás)”.

 

Pode adiantar pormenores acerca do próximo chef que será convidado?

“O próximo Chefe convidado será o Chefe Cordeiro. Ex júri do Master Chef, galardoado com duas Estrelas Michelin, que são, para os Chefes de cozinha em todo o mundo, autênticos Óscares.

O evento será no próximo dia 22 de março e, à semelhança do que aconteceu com o Chakall, serão criados outros pratos, tendo-se sempre como ponto de partida os produtos dos Açores”.

 

A par do seu negócio, estuda na Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa. É-lhe difícil gerir o seu tempo? 

“Não posso esconder que não é fácil, realmente. Não pelo tempo, mas pela distância em ter que me deslocar, várias vezes por mês, e às vezes por semana, entre São Miguel e Lisboa. Mas tem corrido bem”.

 

Por que motivo/s optou por frequentar um curso de Direito?

“Direito é um curso muito abrangente. Quer para a gestão de negócios, para a política, para a escrita, para a comunicação, oratória, enfim. É, sem dúvida, o curso que melhor se enquadra a mim”.

 

De momento está a desenvolver outros projetos? Se sim, pode adiantar alguns pormenores acerca dos mesmos? 

“Estou a desenvolver outros projetos. Um novo livro e a abertura de um novo espaço”.