Quando vemos as notícias, parece que o voluntariado deixou de ter o seu propósito.  ONG’s (Organizações não Governamentais), em que os seus presidentes usam o dinheiro das doações para benefício próprio, membros destas organizações a beneficiarem-se só por simplesmente estarem lá para terem o seu “prestígio social”, projetos em que a sua intenção não é ajudar os outros, mas sim burlarem, questionamos se o voluntariado vale a pena?

Mas o que é afinal o voluntariado? Existem vários tipos de resposta. Podem haver aqueles que dizem que é trabalhar de graça ou dar alguma coisa sem receber algo em troca ou beneficiar o outro. Todos estão certos, mas acima de tudo, o voluntariado está relacionado com altruísmo. Somos das poucas espécies em que existe esta solidariedade entre nós, talvez porque somos um ser social e por temos esta “obrigação” de haver entreajuda. Talvez porque nos apercebemos que estamos num mundo que não é perfeito e que queremos que o mundo do amanhã seja melhor que o de hoje e constatamos que nos sentimos gratificados em ajudar outros sem ter nada em troca, ao ver o sorriso do beneficiado.

Porém, mesmo após a definição de voluntariado, está a haver uma descida na taxa de voluntariado em Portugal. Pois claro, uma pessoa vê notícias negativas na televisão acerca do assunto, pelo que o voluntariado, as ONG´s e os seus membros ficam logo descredibilizados aos olhos da população, pois uma paga por todas. Mas, mesmo que haja esta desconfiança perante as ONG´s, podemos e quando falo em podemos, falo mesmo toda a gente, independentemente de todas as cores, origens, penteados, olhares, extravagâncias, religiões, estatura, idades e profissões.  PODEMOS fazer voluntariado na mesma, não precisamos de ir no verão para o estrangeiro, conseguimos fazer no nosso “bairro”: doar sangue, roupa, etc. Por mais incrível que pareça, a mais pequena ação de ajuda faz uma diferença enorme na vida do outro.

No entanto, não se deve desvalorizar as ONG´s, elas fazem uma grande diferença nas vidas das pessoas, talvez esse era o meu próximo ponto, o papel da comunicação social na sociedade. Infelizmente, estamos numa época, em que as pessoas leem cada vez menos, o que leva a uma diminuição da receita, o que faz com que cada vez mais haja uma aposta em notícias sensacionalistas. Acaba por ser mais “conveniente” para um jornal dizer que houve um roubo de um membro do que uma boa ação, o que leva a que haja um estereotipo negativo para o voluntariado.

Um bom voluntário é aquele que não se gaba por ter beneficiado alguém, mas talvez para combater esta descrença, seja melhor começar a promover ações que mudaram realmente o mundo. Por exemplo, o caso com maior sucesso é o da imunização contra a poliomielite. Em meados do século XX, a poliomielite paralisava, todos os anos, centenas de milhares de pessoas. Hoje a taxa de incidência do vírus desceu mais de 99%. Isto foi possível não apenas porque na década de 50 foi descoberta uma vacina, mas também porque mais de 10 milhões de voluntários de todo o mundo e de diversas organizações se mobilizaram nos esforços de vacinação de mais de dois mil milhões de crianças em 122 países.

O voluntariado não é fácil, ninguém disse que o era, é muito difícil, complexo, depende muitas vezes de razões externas e talvez o sistema económico não seja o melhor. Para haver a confiança das pessoas é necessário haver transparência, ter uma visão de longo prazo, há que saber utilizar melhor as doações feitas, é preciso combater os casos de fraude e promover os casos de sucesso. Não sou ninguém, dizendo o que os outros devem fazer, mas alguém consegue viver ou dizer aos seus netos que viveu numa época, marcada pela desflorestação no Brasil, pela pobreza em África, pela perda de direitos humanos em boa parte dos países, entre outras muitas coisas? Outra vez, não estou dizendo o que tu deves fazer, mas estou aqui dando a minha opinião, dizendo que o voluntariado é importante.

Só deixamos de fazer voluntariado, quando não for mais necessário, ou seja, quando não houver problemas para as gerações futuras. Quando o mundo atual viver em paz e com dignidade. Respondendo ao título, se o voluntariado vale a pena? Como Fernando Pessoa dizia:” Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

 

Texto da autoria de Diogo Pimentel, jovem de 19 anos. Natural de Ponta Delgada, Diogo estuda Economia na Universidade dos Açores. É, também, presidente da AIESEC, organização não governamental gerida por jovens que visa alcançar a paz e desenvolver as potencialidades do ser humano.