As danças, bailinhos e comédias são uma tradição muita antiga da Ilha de Jesus, são conhecidas e apreciadas pelos seus habitantes. Durante quatro longos dias, todo o povo se apruma e mergulha numa festa incessante. As palmas ecoam por todos os salões e não há uma única pessoa que não procure uma cadeira para ver o que tanto adora.

Ao redor de toda a ilha é possível ouvir os tão afamados “foguetes” que, claro, significam que mais uma dança está para chegar. As pessoas entram em delírio e aguardam pacientemente a chegada de mais um bailinho. Têm a esperança que seja um dos seus favoritos, tais como a “Dança do Laranjeira”, “Os Rapazes de Santa Bárbara”, entre outras muito apreciadas por todos. Contudo, a surpresa já não é tão grande como era no passado, na medida em que é possível saber onde estão a atuar as danças de Carnaval, graças à aplicação “Carnaval na Ilha Terceira”.

Este foi um ano em que foi apresentada muita cultura, como é habitual, sendo que foram contabilizadas duas Danças de Espada, 49 Bailinhos, oito Danças de Pandeiro e seis Comédias, fazendo o total de 65. Todas elas têm diferentes características e diferem na forma como o espectador as vê.

As Danças de Espada são as mais antigas e muito mais longas do que as restantes, sendo que podem durar entre 50 minutos a uma hora e meia. Começam com uma marcha e passam, posteriormente, para as cantigas. Como o próprio nome indica, a pessoa que está à frente da dança irá manobrar uma espada (esta pessoa será também a que irá cantar os solos). Após toda a música e dança, é chegada a hora do teatro, que é sempre sobre os aspetos mais negativos da vida. No final, existem as “cantigas da despedida” e novamente a marcha que existiu na abertura.

Os Bailinhos podem ter duas vertentes, existem os “com mestre” e os “sem mestre”. No primeiro caso há um cantor principal que terá uma espécie de batuta nas mãos. No segundo caso poderão haver um ou dois cantores principais (às vezes mais), que irão cantar os solos. O assunto entrará depois da música inicial e é sempre sobre situações caricatas. No final, tal como na dança anterior, é cantada a despedida e ouve-se novamente os acordes da música inicial.

A Dança de Pandeiro é muito semelhante aos bailinhos, difere apenas no cantor principal. Este levará uma pandeireta, com o qual fará várias coreografias e a múltiplas velocidades. Tanto a categoria mencionada no parágrafo anterior, como esta têm a duração de cerca de 35 minutos.

Finalmente, as Comédias são as menos apreciadas pelo público em geral. Não têm música e são compostas por poucos elementos. Têm uma duração muito curta, aproximadamente 15 minutos e os assuntos diferem.

O Carnaval da Ilha Terceira começa a ser preparado desde o Verão e existem muitas pessoas envolvidas em toda a sua preparação. Começa com escritores de assuntos, que escrevem um guião apenas com rimas. Depois, os músicos que compõem as canções e a própria melodia (no caso desta ser original). As costureiras que fazem todas as roupas. Os elementos que integram as danças e bailinhos, que começam a ensaiar a meio do mês de novembro. Os condutores dos autocarros ou das carrinhas que transportam estes artistas ao redor da ilha. Por fim, os próprios salões que têm sempre comida e bebida à disposição para todos os integrantes desta cultura terceirense.

Ao longo de todos estes dias de entrudo é de frisar que a Ilha de Jesus recebe inúmeros emigrantes e turistas. Assim, o Carnaval, que muitas lágrimas faz cair e muitas gargalhadas arranca, tem o poder não só de enriquecer este povo culturalmente com algo único ao redor do mundo, mas também de enriquecer a ilha monetariamente com todas as pessoas que são recebidas. Tanto a nível da restauração, como a nível de alojamento, todos os terceirenses ficam satisfeitos com esta festa invenção do século passado.

 

 

Texto elaborado por Mariana Fortuna, jovem de 24 anos. Natural da ilha Terceira, Mariana estudou Relações Públicas e Comunicação, bem como, Comunicação Social e Cultura na Universidade dos Açores. Atualmente, Mariana é estagiária na Turangra.