Nas últimas semanas Ghouta, uma cidade Síria, encontra-se sob um incessante bombardeamento. Um palco de guerra sangrento, em que os civis são figurantes involuntários.

A guerra na Síria dura já há 7 anos, contudo, voltou a ganhar destaque nas últimas semanas através dos apelos desesperados dos seus habitantes, das redes sociais, nomeadamente o Twitter, onde se publicam vídeos e fotografias dos bombardeamentos e seus mortíferos resultados nos civis que têm chocado o mundo ocidental.

Os bombardeamentos ocorrem, na medida em que Ghouta Oriental se encontra, neste momento, a ser controlada por forças da oposição do regime sírio, apelidados de rebeldes. Por este motivo, o regime de Bashar Al-Assad, com a ajuda da Rússia, sua aliada, tem bombardeado incessantemente a cidade de forma a recuperá-la do poder dos rebeldes. Contudo, estas medidas têm sido fortemente criticadas pela comunidade internacional, na medida em que a vida dos civis não tem sido respeitada, sendo que estes se encontram no meio do conflito sem possibilidade de fuga e de ajuda humanitária.

Os números disponíveis, que podem reflectir apenas uma pequena parte da matança de civis, apontam para mais de 500 mortos apenas na última semana, incluindo dezenas de crianças.

Além de todos os bombardeamentos sem qualquer preocupação pela vida dos civis, o governo Sírio tem vindo a ser alvo de suspeitas pela utilização de armas químicas, algo ilegal em qualquer tipo de ofensiva e altamente contestado e repudiado pela comunidade internacional.

Neste momento, a problemática não se prende apenas com os bombardeamentos constantes, onde não existe qualquer preocupação na distinção entre civis e rebeldes, mas, também, com o facto de tudo começar a escassear na cidade. São escassas as habitações e esconderijos, a comida e a água para a população, que se mantém retida na cidade sem forma de fugir. São também escassos os medicamentos e cuidados médicos nos hospitais, que se encontram cada vez com menos recursos para auxiliar a população, a qual se estima que, neste momento, ronde os 400 mil habitantes, numa cidade devastada e em ruínas.

Por todos os motivos e realidades descritas acima, foi decretado um cessar-fogo de 30 dias, emitido pela ONU e corroborado pela Rússia. Contudo, o cessar-fogo não está a ser respeitado pelos grupos rebeldes, colocando em causa a evacuação dos civis e em risco também as vidas dos médicos e socorristas que se deslocaram à Região.

O objectivo desse acordo de cessar-fogo, que foi aceite por todas as partes envolvidas no conflito, era evacuar e socorrer os civis no local que ainda se encontram em perigo. Mas, não está a ser respeitado, mostrando, mais uma vez, que a vida humana, neste caso da população de Ghouta, não tem qualquer tipo de valor neste conflito armado, onde a ganância pelo poder é mais forte que a dignidade da vida humana.

Um cessar-fogo que devia ter a duração de 30 dias, segundo testemunhos, teve apenas a duração de duas horas. “As Nações Unidas mobilizaram e estão prontas a apoiar de imediato comboios de ajuda para diversas áreas em Ghouta Oriental assim que as condições o permitam, bem como, centenas de evacuações médicas”. Mais uma vez, uma decisão tomada pelo conselho de segurança da ONU e os direitos humanos foram subjugados e desrespeitados em prol da guerra pelo poder.

Texto da autoria de Ana Teixeira, jovem licenciada em Estudos Europeus e Política Internacional na Universidade dos Açores. As suas principais áreas de estudo são a Ciência Política e as Relações Internacionais.