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O Football Manager (FM) é um videojogo onde o jogador, assumindo o comando de um clube de futebol, procura levá-lo à glória. Incompreendido por alguns (comentários como: «mas tu não jogas, só vês jogar» são frequentes) e empolgante para outros, a verdade é que o FM consegue “agarrar” qualquer verdadeiro apaixonado pela modalidade. Assim, este conceituado simulador de futebol foi, a determinada altura da minha vida, um “vício” sem precedentes e responsável por algum descuido na escola, “arrufos” com as namoradas, noites mal dormidas, menos saídas noturnas e menos atividade física, o que viria a culminar no inevitável sedentarismo. Dediquei milhares de horas da minha vida a levar clubes como o Águia dos Arrifes, Capelense SC, CD Santa Clara, Operário da Lagoa, União Micaelense e Vale Formoso aos grandes palcos do futebol mundial. Ou até explorando campeonatos em países como a Angola, Arábia Saudita, Bermudas, Ilhas Fiji, Iraque e São Marino.

O momento de viragem deu-se assim que me apercebi de que o Football Manager não era apenas mais um jogo de computador. Estava perante a mais completa base de dados do mundo do futebol e, por isso, existia um número cada vez maior de clubes “reais” que recorriam essa base de dados para a observação de talentos (inclusive na Premier League). Tal só tem sido possível graças à colaboração de milhares de “olheiros digitais”, repartidos por nacionalidades, que têm como função a observação “in loco” dos futebolistas que atuam nos respetivos países, tentando aproximar os seus atributos “in-game” da realidade. Foi então que, nos últimos três anos, o “bichinho” para jogar foi desaparecendo e surgiu o desejo de fazer algo em prol da comunidade de “managers” – comecei a participar em estudos (Lower League Management, treinos e táticas), updates (adicionando ligas jogáveis ao jogo) e traduções de artigos nos mais diversos fóruns. No entanto, isso nunca foi suficiente porque ambicionava ter um papel mais ativo na comunidade.

Em dezembro de 2016, entrei para a Pesquisa Oficial Portuguesa e cumpri esse meu desejo. A Pesquisa Oficial Portuguesa é composta por cerca de 50 “olheiros digitais” e liderada por Bruno Gens Luís e Carlos Bessa. Trata-se de um “hobbie” que nos exige bastante sentido de responsabilidade, ao mesmo tempo que nos alimenta o sonho de seguir uma carreira de treinador de futebol ou, quiçá, de observador. Prova disso é que o nosso antigo coordenador – José Chieira, após anos de trabalho na Pesquisa Oficial Portuguesa, já conta com passagens por clubes como o Sporting CP e Panathinaikos e integra atualmente os quadros do Futebol Clube do Porto. Apesar de ser um trabalho que nos permite criar relações no mundo do futebol, é importante salientar que o nosso trabalho na base de dados portuguesa nada tem a ver com os clubes reais, nem é remunerado pela Sports Interactive (empresa que produz o jogo).

Numa altura em que se fala muito do vício em videojogos, posso dizer que já estou curado do “vício” do Football Manager. Foi a entrada na Pesquisa Oficial Portuguesa que me fez vivenciar o jogo de uma forma mais saudável e responsável.

 

Texto da autoria de Tiago Sousa, jovem de 26 anos. Natural de São Miguel, Tiago Sousa é membro da Pesquisa Oficial Portuguesa e frequenta o mestrado em Gestão de Turismo Internacional.