“A história deste adorno tem início com as primeiras comunidades e clãs das etnias ancestrais. Estava presente nas tribos de todo o planeta, nas castas indianas, entre os faraós egípcios e legionários romanos. A partir de 1970, eclodiu mais uma vez através dos ícones da moda londrina e dos criadores artísticos que frequentavam o circuito alternativo. O seu retorno atinge o pico nos anos 90.”

Esta é a introdução que, na maior parte dos casos, quem tem piercings em zonas do corpo ditas “estranhas” tem vontade de dar a quem aborda o assunto com tom de escárnio (tom esse que muito facilmente se revela como ignorância).

Tendo piercing no septo nasal desde os 16 anos, já foram muitas as situações que me “passaram pelas mãos”, mas, acima de tudo, fui reparando que existem quatros grupos de pessoas: os que gostam e se interessam pelo tema, os que não gostam, os neutros e os repetitivos.

Os interessados fuzilam-nos com questões como o motivo pelo qual foi feito, se foi autorizado ou às escondidas, a reação quando souberam, sendo que a curiosidade se prolonga a questões afetas ao nível de dor que causou.

Do lado oposto, surgem aqueles que não gostam e nada os fará mudar de ideias. Grupo este onde existe o preconceito e o retrocesso social. Ou seja, o que seria um simples adereço ou símbolo pode ser alvo de preconceito, prejudicar na procura de emprego, entre outras situações. Costuma-se dizer que são gerações mais antigas que não acompanham a moda que tem sido adotada entre os jovens. Não é verdade. Cada vez mais se nota que esses mesmos jovens é que são preconceituosos entre eles. De certa forma, parece que sentem uma frustração interior e pessoal por não serem ou fazerem aquilo que realmente querem e descarregam nos outros todas essas inseguranças e frustrações.

O nicho, cujos membros são, por mim, apelidados de neutros. São aquelas pessoas que não têm ou não querem ter voto na matéria porque simplesmente o assunto não é com elas. Boa atitude, gosto destes.

E, por fim, mas não menos importante (muito pelo contrário), os repetitivos. Este é o “grupo” de pessoas mais chato. São aqueles que mandam tentativas de piadas, redondamente falhadas, que já estás farto de ouvir, achando que são os primeiros a dizê-las. Piadas geniais como “já te disseram que pareces um boi?”, “dá mesmo vontade de puxar isso”, “tens ranho no nariz”. É um fartote de rir com eles. Mentira.

Em suma, sei que nunca existirá um único grupo. Porém, se cada um se preocupasse com o seu próprio piercing, não teria de olhar ou opinar sobre o do vizinho. Quem tem tempo para opinar sobre os outros é quem não tem uma vida suficientemente rica ou feliz, logo deveria trabalhar nisso ou tirar um curso de body piercer.

Texto da autoria de Bernardo Mendes, jovem de 21 anos. Natural da Ericeira, Bernardo estuda Publicidade e Maketing na Escola Superior de Comunicação Social. Atualmente, Bernardo dedica-se à fotografia.