Com o Carnaval a chegar, já toda a gente pensa como passar estes dias de Festa. Uns certamente estarão sentados nos salões da Terceira a ver Bailinhos de Carnaval, enquanto outros questionam familiares e ente queridos sobre uma possível ida ao Coliseu. No meu caso, não frequentarei nenhuma destas salas, mas sim a minha casa que passa a ser um local bastante desejado por nós estudantes. Alguns mais próximos de casa do que outros, mas todos nós temos um carinho especial pela nossa casa, por mais bem alojados que estejamos no local onde estudamos. Muitos até contam os dias até chegar o regresso à sua terra Natal para poder abraçar aquilo que a distância física tem impedido.

Com o Carnaval chegava também uma tradição que hoje em dia está perdida e que era o chamado “Balamento”. Esta tradição situava-se entre o Carnaval e a Páscoa e consistia num jogo entre duas pessoas em que a primeira vez que se encontrassem, diariamente, a pessoa tinha de dar o “Balamento” em primeiro lugar. Isto passava-se uma vez por dia e quando chegava a Páscoa, somando-se todos os pontos de cada um, o vencedor recebia um pacote de confeitos do vencido. Meu pai contava-me imensas histórias de ocasiões em que ele se escondia da outra pessoa com quem estava a jogar, apanhando-a de surpresa com a sua presença e acumulando assim pontos rumo ao pacote de confeitos.

Eu próprio cheguei a participar nesta tradição que, entretanto, foi perdida muito em parte por causa de toda a abundância nos nossos dias. Hoje em dia, muitas pessoas até comem chocolates diariamente ou doces, mas no tempo dos nossos pais e avós, um doce era algo raro e muito apreciado por todos e era também único para uma família, dividindo-se, por exemplo um chocolate por toda a casa (e as famílias de antigamente eram bem maiores que as de hoje em dia). Mas, voltando aos planos de Carnaval, cada local com os seus próprios costumes e cada pessoa com os seus gostos. O meu será passado em casa, coisa que já não acontecia desde que iniciei os meus estudos e nada melhor do que passar datas especiais junto da nossa família. Um bem haja para todos e um bom Carnaval.

Texto da autoria de Sérgio Silveira, jovem de 22 anos. Natural da ilha de São Jorge, Sérgio é licenciado em Relações Públicas e Comunicação na Universidade dos Açores.