Estamos numa altura em que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres é cada vez maior. Com isto, os trabalhadores que auferem por conta de outrém sentem-se cada vez mais injustiçados, explorados e menos importantes ou mesmo nada importantes, traduzindo-se na falta de motivação e integração nos valores e objetivos das empresas.

Atualmente, presenciamos uma onda de descontentamento por parte destes colaboradores que são tratados apenas como números e não como indíviduos, como pessoas, principalmente nas médias e grandes empresas. Então o que se pode fazer? Para ajudar a diminuir este fosso? Para que os trabalhadores se sintam incluídos e devidamente valorizados? Daí surge uma prática de algumas empresas e instituições no qual sou a favor, a Participação nos Lucros.

Agora o que é isto de Participação nos Lucros? É um sistema de incentivos que dá o direito a uma percentagem dos lucros, ou seja, dos resultados deduzidos dos custos operacionais, aos colaboradores. Com um programa de incentivos como este, os colaboradores sentir-se-ão recompensados, incluídos e transmite-se uma mensagem de que estão todos no mesmo “barco”. Que são uma equipa e que estão todos a caminhar ao encontro dos mesmos objetivos, valorizando todos por igual forma e um ponto importante é que minimiza a competição entre colaboradores, que muitas vezes cria atritos e ambientes indesejados nas empresas.

Várias organizações, como a CFMA e TB, e MEDIA confirmam que os colaboradores compensados desta forma, se a empresa é bem-sucedida, têm um maior interesse pelo sucesso da empresa e vontade que seja bem-sucedida e têm mais preponderância a fazer sacrifícios para que esta seja bem-sucedida. Se todas as empresas aplicassem esta estratégia, estaríamos perante um aumento signficativo dos rendimentos anuais globais das famílias, logo, haveria mais consumo e assim mais tributação (mais dinheiro para os cofres do Estado com o aumento do consumo interno através dos impostos indiretos). Haveria, também, necessidade de maior produção para responder a este consumo, conduzindo a mais investimentos por parte das empresas e, com este aumento de capital derivado a mais investimentos e consumo a circular na economia, o PIB sofreria um maior aumento, melhorando a qualidade de vida das famílias no geral.

Por outro lado, a Participação dos Lucros também tem os seus pontos fracos, como o facto de os colaboradores a nível individual não saberem o impacto que têm nos lucros da empresa. Para além disso, como todos recebem parte dos lucros, até mesmo aqueles que não contribuíram minimamente para o sucesso da empresa ou aqueles que o seu desempenho é negativo têm o mesmo direito de receber independentemente do seu desempenho.

Mas, se um indivíduo tem um desempenho negativo e recebe na mesma os benefícios, o que acontece é indignação por parte dos colegas ou este comportamento prolifera-se pelos restantes colaboradores (o ter baixos desempenhos ou não dar o seu melhor porque está seguro que na mesma recebe a bonificação) ou darão a conhecer esta situação aos seus superiores. Para fazer face a este problema seria necessário implementar um bom sistema de recursos humanos que gerisse ou acompanhasse o desempenho a nível individual de cada colaborador e acho que seria uma mais valia para ambas as partes se tal existisse.

Com tudo isto, sugiro que os novos empreendedores adoptem esta estratégia e vejam os frutos de alto desempenho e interesse por parte dos seus colaboradores, exigindo apenas da parte dos donos das empresas uma boa gestão de recursos humanos. Com tudo isto, limando umas arestas, conseguiremos atingir um patamar onde há maior equidade (embora nunca possa haver total equidade derivado a vários fatores, nomeadamente o risco tomado pelos acionistas/sócios, etc.), mas conseguiremos ir muito mais além de onde nós estamos de momento, um passo de cada vez em direção a um futuro melhor.

 

 

Texto da autoria de Alexandre Brandão, jovem de 21 anos. Natural de São Miguel, Alexandre estuda Gestão na Universidade dos Açores.