Um dos maiores obstáculos que um aspirante a artista pode encontrar é o do “preconceito” quanto à sua profissão. Isto, quer da parte da família, quer da parte de professores e orientadores, significa que, sempre que um jovem aluno deseja seguir as artes de maneira profissional, este é, normalmente, demovido da ideia. Seja porque “as artes são um passatempo” ou então porque “artes não têm saída”.

A verdade é que, para além de ser preciso ter muito talento à partida, também é preciso nunca desistir e nunca desmotivar. Existem escolas e universidades que recebem estes aspirantes a artistas de “braços abertos”. E se estes jovens realmente têm talento, então de certeza que se darão bem ao seguir por esses cursos. E quem tem muita vontade e esforça-se ao máximo para vingar nessa área, então sim, merece o devido mérito.

Ser artista é mais do que saber desenhar ou pintar. É conseguir olhar para a sociedade, para as pessoas e para os eventos que marcam a atualidade, e, através da expressão artística, comentar o que se passa em nosso redor. A arte não se resume a pintura ou escultura. Ser-se artista é dar expressão a emoções, pensamentos e estados de espírito. Por essa razão, um artista que o queira ser merece todo o nosso respeito.

Em Portugal têm sucesso aqueles que se dedicam às ciências, às engenharias, às informáticas. Tem sucesso quem envereda pelos caminhos já percorridos e com alguma segurança no que diz respeito ao mercado de trabalho. Podem haver exceções, mas esta é a regra geral.

Ser-se artista, hoje em dia, exige mais do que coragem. O mercado de trabalho está mais do que saturado. As escolas e estabelecimentos de ensino não têm verbas suficientes para dotar as suas infraestruturas de docentes e materiais que apoiem as artes.

“É artista quem tem dinheiro para o ser” parece ser uma maneira de pensar um tanto comum. E, infelizmente, parece também ser verdade.

De momento, se somos jovens, nenhum parece ser o caminho mais fácil. Todo o caminho parece o mais árduo. Mas não podemos desanimar. Mas seja contra bocas, críticas, olhares ou desaprovações, não podemos desanimar. A melhor maneira de calar aqueles que contra nós foram, contra as nossas escolhas e paixões é, exatamente, vingar naquilo que fazemos e que gostamos de fazer.

 

Texto da autoria de André, jovem com 20 anos