Archive for Fevereiro, 2018

Apresentação do primeiro Orçamento Participativo dos Açores arrancou hoje

Os cidadãos nacionais e estrangeiros com mais de 18 anos de idade e os jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 30 anos já podem apresentar antepropostas para a primeira edição do Orçamento Participativo dos Açores (OP).

Na qualidade de temáticas do OP Açores surge o Ambiente, a Inclusão Social e o Turismo, áreas acerca das quais todos os cidadãos residentes em Portugal podem apresentar propostas.

A Juventude assume-se, também, como outra temática, a qual se desdobra em três temas, designadamente Cidadania, Hábitos de Vida Saudável e Tecnologia. Nos três temas referidos são os jovens que ficam responsáveis por elaborar propostas.  A par disso, é conferida a possibilidade de as ideias serem apresentadas individualmente ou em grupo.

Um total de 600 mil euros será distribuído, no âmbito do OP Açores, por todas as ilhas da Região, sendo que 20% da verba se destina aos jovens. No caso da ilha de São Miguel o valor é de 206 mil euros, dos quais 41 mil e 200 euros serão atribuídos à Juventude e o restante para as outras três áreas, nomeadamente Ambiente, Inclusão Social e Turismo.

As antepropostas devem ser submetidas no website op.azores.gov.pt, havendo, ainda, a possibilidade de serem apresentadas nos encontros participativos, previstos em todas ilhas, a partir do dia 19 de março até ao dia 30 de abril.

A sessão de apresentação do OP Açores decorreu hoje, na ilha de São Miguel, no NONAGON, Parque de Ciência e Tecnologia, na Lagoa e contou com a presença de Sérgio Ávila, vice-presidente do Governo Regional.

Ghouta, o inferno na terra

Nas últimas semanas Ghouta, uma cidade Síria, encontra-se sob um incessante bombardeamento. Um palco de guerra sangrento, em que os civis são figurantes involuntários.

A guerra na Síria dura já há 7 anos, contudo, voltou a ganhar destaque nas últimas semanas através dos apelos desesperados dos seus habitantes, das redes sociais, nomeadamente o Twitter, onde se publicam vídeos e fotografias dos bombardeamentos e seus mortíferos resultados nos civis que têm chocado o mundo ocidental.

Os bombardeamentos ocorrem, na medida em que Ghouta Oriental se encontra, neste momento, a ser controlada por forças da oposição do regime sírio, apelidados de rebeldes. Por este motivo, o regime de Bashar Al-Assad, com a ajuda da Rússia, sua aliada, tem bombardeado incessantemente a cidade de forma a recuperá-la do poder dos rebeldes. Contudo, estas medidas têm sido fortemente criticadas pela comunidade internacional, na medida em que a vida dos civis não tem sido respeitada, sendo que estes se encontram no meio do conflito sem possibilidade de fuga e de ajuda humanitária.

Os números disponíveis, que podem reflectir apenas uma pequena parte da matança de civis, apontam para mais de 500 mortos apenas na última semana, incluindo dezenas de crianças.

Além de todos os bombardeamentos sem qualquer preocupação pela vida dos civis, o governo Sírio tem vindo a ser alvo de suspeitas pela utilização de armas químicas, algo ilegal em qualquer tipo de ofensiva e altamente contestado e repudiado pela comunidade internacional.

Neste momento, a problemática não se prende apenas com os bombardeamentos constantes, onde não existe qualquer preocupação na distinção entre civis e rebeldes, mas, também, com o facto de tudo começar a escassear na cidade. São escassas as habitações e esconderijos, a comida e a água para a população, que se mantém retida na cidade sem forma de fugir. São também escassos os medicamentos e cuidados médicos nos hospitais, que se encontram cada vez com menos recursos para auxiliar a população, a qual se estima que, neste momento, ronde os 400 mil habitantes, numa cidade devastada e em ruínas.

Por todos os motivos e realidades descritas acima, foi decretado um cessar-fogo de 30 dias, emitido pela ONU e corroborado pela Rússia. Contudo, o cessar-fogo não está a ser respeitado pelos grupos rebeldes, colocando em causa a evacuação dos civis e em risco também as vidas dos médicos e socorristas que se deslocaram à Região.

O objectivo desse acordo de cessar-fogo, que foi aceite por todas as partes envolvidas no conflito, era evacuar e socorrer os civis no local que ainda se encontram em perigo. Mas, não está a ser respeitado, mostrando, mais uma vez, que a vida humana, neste caso da população de Ghouta, não tem qualquer tipo de valor neste conflito armado, onde a ganância pelo poder é mais forte que a dignidade da vida humana.

Um cessar-fogo que devia ter a duração de 30 dias, segundo testemunhos, teve apenas a duração de duas horas. “As Nações Unidas mobilizaram e estão prontas a apoiar de imediato comboios de ajuda para diversas áreas em Ghouta Oriental assim que as condições o permitam, bem como, centenas de evacuações médicas”. Mais uma vez, uma decisão tomada pelo conselho de segurança da ONU e os direitos humanos foram subjugados e desrespeitados em prol da guerra pelo poder.

Texto da autoria de Ana Teixeira, jovem licenciada em Estudos Europeus e Política Internacional na Universidade dos Açores. As suas principais áreas de estudo são a Ciência Política e as Relações Internacionais.

Berto Messias apela à participação no concurso Labjovem

Berto Messias, secretário regional Adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares, anunciou o prolongamento do prazo de candidaturas para o concurso de jovens criadores “Labjovem”.

O alargamento até ao dia 30 de abril surge da necessidade de haver uma maior divulgação do projeto junto dos estabelecimentos escolares. Neste contexto, Berto Messias adiantou ser fulcral apelar à participação de todos os jovens açorianos “com inovação, arrojo e novas ideias”.

“Num mundo com fronteiras cada vez mais indefinidas e onde a evolução tecnológica e digital nos aproximam, mas também nos tornam mais globais e cosmopolitas, só nos conseguiremos afirmar com mais criatividade e com mais inovação” – concluiu o secretário regional.

O concurso dirige-se a jovens entre os 18 e os 35 anos, de naturalidade açoriana ou que residam na Região há, pelo menos, dois anos. O Labjovem surge de uma parceria estabelecida entre o Governo dos Açores e a Associação Cultural Burra de Milho, que assinala este ano o seu 10º aniversário.

A ficha de inscrição e demais informações relativas ao concurso estão disponíveis em:  www.labjovem.pt

TREMOR 2018 será palco de quatro bandas açorianas

Créditos de imagem: TREMOR.

São quatro as bandas açorianas que irão atuar na quinta edição do festival TREMOR, designadamente We Sea, Voyagers, Fugitivo e Goldshake.

Com um projeto que explora o capital místico de se ser ilhéu surgem os We Sea, cujas origens remontam a 2016. O género é alternativo, sendo as regras e obrigações estilísticas inexistentes. Sob o registo pop lo-fi, Rui Rofino e Clemente Almeida, geralmente os compositores das canções, tentam transpor para as suas criações a mística e o poder dos Açores.

Dos Voyagers sobressai a improvisação e a inexistência de temas replicáveis. Tudo o que se ouve é tocado ao vivo sem que haja uma construção musical pré-definida. André Almeida, Filipe Caetano, Pedro Sousa e Ricardo Reis controlam a “viagem” de quem os ouve por via de um beat 4×4, sob um formato mais pista de dança.

O destaque no panorama hip hop nacional é conferido ao Fugitivo, com raízes em Angra do Heroísmo. Após os temas “Encontra-te”, “De pé” e “Fora de Horas”, o Fugitivo refugia-se em “Cara & Coroa”, álbum de estreia que contará na produção Guesswho.

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O contacto com o disco The Eminem Show marcou o início daquela que viria a ser a sua ingressão no hip-hop. Apesar de se ter aproximado dos primeiros nomes nacionais, é nas influências musicais provenientes do outro lado do Atlântico que se revê. Ingressou no grupo B13, acabando por se estrear a solo como Goldshake.

A quinta edição do TREMOR irá decorrer já no próximo mês, nos dias 20 e 24 de março, e contará com mais com mais de 40 concertos, perto de dez residências artísticas e um ciclo de conversas

 

 

 

 

 

Psicomotricidade? Reabilitação Psicomotora? O que é? Testemunho de uma estudante

Créditos de imagem: Filipa Rebelo: tapete sensorial desenvolvido no âmbito da licenciatura de Reabilitação Psicomotora.

Sou a Filipa, tenho 20 anos e estou no terceiro e último ano da licenciatura em Reabilitação Psicomotora, na Faculdade de Motricidade Humana – Universidade de Lisboa.

Desde o secundário, esta foi a minha primeira opção por saber que poderia ajudar e fazer diferença na vida de alguém e, ao fim de três anos, estou certa que fiz a melhor escolha. É um curso interessante e curioso por ainda não ser conhecido em todo o lado. Fez-me explorar, aprofundar e querer espalhar isto da “Psicomotricidade”. A Psicomotricidade é uma ciência e terapia que tem como principal instrumento o corpo em movimento para o desenvolvimento de competências afetivas, cognitivas e emocionais, daí se justifica que Psicomotricidade advém da junção dos termos “psique” que significa mente/alma e “moto” que quer dizer mover frequentemente.

A população dos psicomotricistas (designação dos profissionais em Reabilitação Psicomotora) vai desde os 0 aos 100 anos, já que atua em diferentes vertentes, tais como terapêutica/reeducativa, educativa ou preventiva. Posto isto, a intervenção psicomotora tem como foco os processos de aprendizagem e de comportamento motor por meio das características do sujeito, como as suas adaptações a nível cognitivo, físico e socioemocional para que o resultado seja uma melhoria da qualidade de vida e promoção da saúde. Para a intervenção ser bem-sucedida, o psicomotricista terá de ver o seu cliente no seu meio e ter em conta não só fatores pessoais, como familiares, mas também da própria comunidade. Os psicomotricistas intervêm então, principalmente, com pessoas com deficiência ou incapacidade, demências, perturbações do desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e, ainda, pessoas com deficiência mental.

Mas e onde trabalham os psicomotricistas? Em qualquer lado onde a Psicomotricidade como área de intervenção seja bem-vinda, podendo ir desde hospitais, centros de saúde, serviços de psiquiatria e pediatria, instituições privadas de solidariedade social, lares e centros de acolhimento a crianças e jovens, centros de dia e lares para idosos, creches, jardins de infância, clínicas privadas, centros de atendimento a pessoas com toxicodependência e escolas.

A imagem apresenta um tapete sensorial que permite experimentar diversas texturas e sensações através do toque, como algodão, plástico, esponja, areia, folhas e madeira. Contém, ainda, números complementares que podem ser utilizados em simultâneo para estimulação da cognição.
O tapete sensorial foi desenvolvido no âmbito da licenciatura Reabilitação Psicomotora.

Texto da autoria de Filipa Chálim Rebelo, jovem de 20 anos. Natural da ilha de São Miguel, Filipa estuda Reabilitação Psicomotora na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa.

O que há para fazer pela comunidade LGBT em Ponta Delgada

Ponta Delgada tem muito a fazer em prol da comunidade LGBT, sigla que se refere a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros…Cada vez mais se ouve dizer que Ponta Delgada está cada vez mais aberta em termos de sexualidade e em termos de aceitação entre todas as orientações sexuais, mas infelizmente não é bem assim.

Ainda há muito preconceito, muito falatório e muita recusa pelas diferenças entre seres humanos. Ainda existe a mentalidade de que ver um casal heterossexual “na marmelada”, ou seja, em contactos considerados íntimos, é menos incomodativo comparado ao ver um casal homossexual acariciando-se, de braço dado ou de mão dada.

Na cidade de Ponta Delgada ainda há muita coisa a fazer para garantir a inserção de todas as camadas sociais. É preciso, em primeiro lugar, desmistificar a ideia estereotipada de que a comunidade LGBT se foca apenas em festas, paradas e afins e que um homossexual é alguém espalhafatoso, criador de enredos e confusões. Pelo contrário. Isto prende-se com a personalidade de cada um, não com a sua orientação sexual.

Em segundo lugar, é fundamental oferecer serviços e espaços que, ao contrário do que as pessoas pensam, não têm o propósito de nos segmentarmos da sociedade, mas sim de estimular a instauração do comércio e dos serviços em prol da comunidade LGBT e das restantes comunidades. É necessário estimular cada vez mais o turismo vocacionado para a comunidade LGBT e haver um equilíbrio para não gerar um défice do desenvolvimento sustentável turístico.

Em terceiro lugar, e não menos importante, é vital que os espaços públicos, de entretenimento noturno, por exemplo, saibam aceitar e acolher todas as camadas sociais sem descurar dos conteúdos legais.

Concluindo, é importante seguir estes passos para que se possa integrar com maior facilidade a comunidade LGBT na sociedade.

 

Texto da autoria de Pedro Morais, jovem de 22 anos. Natural de Lisboa, Pedro vive em Ponta Delgada, onde estuda Turismo e pertence à comunidade LGBT

Os malefícios inerentes ao uso da sanita

Numa era onde é imprescindível sermos criteriosos na informação e na qualidade da mesma, este artigo providenciar-lhe-á alguns tópicos relevantes sobre algo que não é comummente utilizado como tema de conversa: a sua sanita e os malefícios associados à sua utilização.

Antes da introdução da água canalizada na era moderna, grande parte da população mundial evacuava de cócoras, sendo que alguns países asiáticos e africanos ainda evacuam nessa posição, através da utilização das latrinas. Durante milhares de anos o ser humano fê-lo na posição de cócoras e não é por acaso que nesses países a incidência de problemas intestinais, tais como a prisão de ventre ou as hemorróidas são praticamente inexistentes.

Diversos estudos médicos demonstram que as sanitas estão relacionadas com o aparecimento de diversas doenças intestinais. Isto acontece porque, anatomicamente, não fomos concebidos para evacuar sentados, mas sim de cócoras.

A posição de cócoras desempenha um papel determinante nos processos de evacuação e de esvaziamento completo do intestino por uma simples razão: na posição de cócoras, o músculo puborretal (responsável pela continência intestinal humana) relaxa totalmente, permitindo assim uma evacuação sem esforço, mais rápida e completa.

Na posição sentada tal não acontece, pois este músculo continua a estrangular parcialmente o canal intestinal. Este estrangulamento dificulta não só o processo de evacuação, mas também a eliminação completa dos resíduos fecais existentes no intestino.

Se ainda lhe restam dúvidas, deixo-lhe aqui uma lista de doenças que estão associadas ao uso da sanita:

  • Prisão de Ventre
  • Hemorróidas
  • Sensação de esvaziamento incompleto do intestino
  • Síndrome do cólon irritável
  • Colite
  • Hérnias abdominais e inguinais
  • Apendicite
  • Cancro do cólon

Desde sempre que a utiliza, portanto é provável que crie alguma resistência à ideia que a sanita lhe faz mal à saúde, o que é compreensível pois é algo bastante cómodo e confortável. Sucintamente, a solução passará pela colocação de um dispositivo para pôr diante da sua sanita que lhe permitirá elevar as pernas e alcançar a posição de cócoras.

Uma pequena alteração na sua casa de banho fará com que evite problemas do foro intestinal, possibilitando-lhe continuar a utilizar a sua sanita sem complicações.

 

Texto da autoria de Manuel Mendes, jovem de 23 anos. Natural de Guimarães, Manuel Mendes é formado em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. Atualmente, Manuel trabalha na empresa CBB – Cubo & Beebrand.

Prazo de candidaturas para a sexta edição do LABJOVEM foi prolongado

O prazo de candidaturas para o LABJOVEM, Concurso de Jovens Artistas nos Açores, foi prolongado até ao dia 30 de abril.

O concurso integra diversas áreas, designadamente arquitetura, artes plásticas, artes digitais, fotografia, literatura, música e vídeo. Será atribuído um prémio de 1000 euros ao projeto vencedor de cada área a concurso.

O LABJOVEM destina-se a jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos que sejam naturais do Arquipélago dos Açores ou que residam no mesmo há, pelo menos, dois anos, situação em que deverão apresentar uma declaração da Junta de Freguesia. Também podem concorrer jovens que sejam descendentes de açorianos até à terceira geração, devendo apresentar um comprovativo para tal. Podem, também, concorrer jovens que tenham participado em edições anteriores.

O LABJOVEM assume-se como um projeto bienal que tem por objetivo incentivar e promover jovens artistas de diversas áreas. Integra duas fases, incidindo a primeira num concurso e a segunda na divulgação dos trabalhos selecionados. Trata-se de uma iniciativa promovida pela Direção Regional da Juventude, sendo organizada pela Associação Cultural Burra de Milho.

Os interessados deverão inscrever-se no site: http://www.labjovem.pt/

 

Abertas candidaturas para o concurso de multimédia

Créditos de imagem: Governo dos Açores.

Até ao dia 23 de abril estão abertas as candidaturas para o concurso de trabalhos multimédia subordinado ao tema “Património cultural e natural”, o qual se destina a alunos do ensino secundário e níveis equivalentes do ensino profissional.

Os participantes deverão apresentar um vídeo com duração máxima de dois minutos e em formato 16:9 (PAL – Sistema de Europeu de Vídeo), o qual deve conter ficha técnica no final. O vídeo deve integrar, no mínimo, dois exemplos distintos que se enquadrem na área do património cultural material ou imaterial e do natural. Os exemplos apresentados podem referir-se a património local, regional, nacional ou europeu.

As equipas devem ser constituídas por três alunos matriculados na mesma escola, admitindo-se a possibilidade de os mesmos pertencerem a turmas e anos distintos. Um professor deve acompanhar os trabalhos dos alunos e as atividades do concurso. O limite de idade dos participantes é de 20 anos, não havendo número limite de trabalhos a apresentar por cada escola.

Pretende-se que os trabalhos sejam originais, não obstante a admissão de utilização residual de som e imagens de outras fontes, as quais devem ser identificadas na ficha técnica.

Será apurado um trabalho por cada ilha, num total de três vencedores. O vídeo vencedor será emitido na RTP Açores a 9 de maio, como celebração do Dia da Europa na Região Autónoma dos Açores. A par disso, será atribuída uma viagem a Lisboa e ao Porto à equipa que ficar em primeiro lugar. O prémio do segundo lugar consiste na atribuição de 15 livros à biblioteca escolar, assentando o terceiro prémio na entrega de 10 livros à biblioteca mencionada.

Os trabalhos devem ser enviados via www.wetransfer.com ou www.dropbox.com para o e-mail: srapre@azores.gov.pt. Poderão, também, ser enviados por via postal para o gabinete do secretário regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas, na rua Conselheiro Dr. Luís Bettencourt, nº16, 9500-058 Ponta Delgada.

Pode consultar o regulamento e todas as informações acerca do concurso em: http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/srapre/textoImagem/Concurso+Multim%C3%A9dia+2018

Desmistificando o “Football Manager”: A ténue linha entre o real e o virtual

Créditos de imagem: Google Imagens.

O Football Manager (FM) é um videojogo onde o jogador, assumindo o comando de um clube de futebol, procura levá-lo à glória. Incompreendido por alguns (comentários como: «mas tu não jogas, só vês jogar» são frequentes) e empolgante para outros, a verdade é que o FM consegue “agarrar” qualquer verdadeiro apaixonado pela modalidade. Assim, este conceituado simulador de futebol foi, a determinada altura da minha vida, um “vício” sem precedentes e responsável por algum descuido na escola, “arrufos” com as namoradas, noites mal dormidas, menos saídas noturnas e menos atividade física, o que viria a culminar no inevitável sedentarismo. Dediquei milhares de horas da minha vida a levar clubes como o Águia dos Arrifes, Capelense SC, CD Santa Clara, Operário da Lagoa, União Micaelense e Vale Formoso aos grandes palcos do futebol mundial. Ou até explorando campeonatos em países como a Angola, Arábia Saudita, Bermudas, Ilhas Fiji, Iraque e São Marino.

O momento de viragem deu-se assim que me apercebi de que o Football Manager não era apenas mais um jogo de computador. Estava perante a mais completa base de dados do mundo do futebol e, por isso, existia um número cada vez maior de clubes “reais” que recorriam essa base de dados para a observação de talentos (inclusive na Premier League). Tal só tem sido possível graças à colaboração de milhares de “olheiros digitais”, repartidos por nacionalidades, que têm como função a observação “in loco” dos futebolistas que atuam nos respetivos países, tentando aproximar os seus atributos “in-game” da realidade. Foi então que, nos últimos três anos, o “bichinho” para jogar foi desaparecendo e surgiu o desejo de fazer algo em prol da comunidade de “managers” – comecei a participar em estudos (Lower League Management, treinos e táticas), updates (adicionando ligas jogáveis ao jogo) e traduções de artigos nos mais diversos fóruns. No entanto, isso nunca foi suficiente porque ambicionava ter um papel mais ativo na comunidade.

Em dezembro de 2016, entrei para a Pesquisa Oficial Portuguesa e cumpri esse meu desejo. A Pesquisa Oficial Portuguesa é composta por cerca de 50 “olheiros digitais” e liderada por Bruno Gens Luís e Carlos Bessa. Trata-se de um “hobbie” que nos exige bastante sentido de responsabilidade, ao mesmo tempo que nos alimenta o sonho de seguir uma carreira de treinador de futebol ou, quiçá, de observador. Prova disso é que o nosso antigo coordenador – José Chieira, após anos de trabalho na Pesquisa Oficial Portuguesa, já conta com passagens por clubes como o Sporting CP e Panathinaikos e integra atualmente os quadros do Futebol Clube do Porto. Apesar de ser um trabalho que nos permite criar relações no mundo do futebol, é importante salientar que o nosso trabalho na base de dados portuguesa nada tem a ver com os clubes reais, nem é remunerado pela Sports Interactive (empresa que produz o jogo).

Numa altura em que se fala muito do vício em videojogos, posso dizer que já estou curado do “vício” do Football Manager. Foi a entrada na Pesquisa Oficial Portuguesa que me fez vivenciar o jogo de uma forma mais saudável e responsável.

 

Texto da autoria de Tiago Sousa, jovem de 26 anos. Natural de São Miguel, Tiago Sousa é membro da Pesquisa Oficial Portuguesa e frequenta o mestrado em Gestão de Turismo Internacional.

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